domingo, 31 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P48: Afrase do dia.

"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer." ( Albert Einstein )

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P47: NOTAS SOLTAS DE UM EX-FURRIEL MILICIANO DA COMPANHIA DE ARTILHARIA

Mensagem do Ex Fur Mil da CART 643 64/66 Bissorã:
Com data de 29-01-2010

NOTAS SOLTAS DE UM EX-FURRIEL MILICIANO DA COMPANHIA DE ARTILHARIA
643, BATALHÃO 645-AGUIAS NEGRAS.
Embarcámos para a Guiné a 4 de Março de 1964 e chegados a Bissau a 10.
Durante cerca de mês e meio ficámos por Bissau e arredores, até que em
Maio a Cart643 foi ajudar numa operação a Grampará, zona situada entre
o Geba e Rio Corubal, em frente á Ponta do Inglês. Ficámos lá 3 dias,
conseguimos os nossos objectivos que foi apanhar alguns inimigos e
algum armamento, mas também quasi sermos comidos pelos mosquitos, pois
tudo era um tarrafo com grandes extensões de lodo.
Passado algum tempo fomos levádos para a zona do OIO, mais
própriamente BISSORÃ para bater-mos a área até ao OLOSSATO, MANSABÁ,
etc.A nossa companhia foi fantástica, conseguimos dominar uma área
muito grande, nós saíamos constantemente não dando descanso ou por
outra ninguem ficava dentro do arame farpado, assim o chamado inimigo
tinha medo de nós.
Eu ao fim de 17 meses fui ferido a norte de BISSORÃ, lá pelas 6,00
horas da manhã. Posso afirmar que fui o militar que na guerra do
ultramar devia ter tido mais sorte em não morrer. Eu ia á frente do
grupo e fomos atacados com armas ligeiras e pesadas, mais própriamente
é lançada uma granada foguete P-27 PANCEROVKA de 120 m/m de fabrico
checo. A granada bateu em mim e não explodiu, bateu-me a meio da perna
(coxa), claro que os ossos sairam logo, portanto fractura exposta, eu
ainda me levantei, agarrei nela e lançeia para uma vala junto á
bolanha, claro a pouca distância, porque julgava que iria explodir,
ela deitava fumo, e se assim fosse havia um ângulo maior para não
sermos apanhados. Fui evacuado para o Hospital de Bissau e 20 dias
depois para Lisboa.
Contraí uma chamada oiteíte crónica, doença sem cura e que de vez em
quando agudiza e tenho de ser aberto para raspagens, agora tenho um
antibiótico mais eficaz que aplico com mais sucesso.
Eu não era um operacional, era de Manutenção Auto mas era ao mesmo
tempo voluntário nas operações, achava que tinha o dever de ajudar os
meus camaradas, não me arrependo de ter feito o que fiz, sair com
frequência, tenho a alegria de ter a gratidão, ainda hoje dos meus
companheiros. Por estas atitudes fui condecorado com a Cruz de Guerra
de 4ª classe em 1966, assim como alguns camaradas da minha Companhia
no total de sete.
Daqui para a frente posso contar histórias mas de origem mais alegre,
cenas cómicas que nos aconteceu a todos.
Um abraço para a rapaziada do PELOTÃO DE CAÇADORES NATIVOS 60 em
especial de quem estou com mais afinidade neste momento o MANUEL
SELEIRO.
Nota:
Amigo Rogério bem vindo ao blogue do pel caç nat 60.
Sinta-se avontade nesta humilde Tabanca.

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P46: (Direito a Indignação)

(Direito a Indignação)

O camarada x:

Ex Fur Mil da C. cav 2539 69/71 S.Domingos.
Ex combatente na Guiné sofre de stress de guerra, com alterações psicológicas profundas.
Por essa razão a sua vida profissional tem sido inconstante, assim como a sua vida particular tem sofrido bastante instabilidade…
Á desespero e revolta, quando se fala com este Homem…
De alguns anos para cá tem sido seguido nas consultas de stress pós tramático, do hospital Militar.
Por várias vezes foi ha junta médica, sem ver a sua situação resolvida…
Por via e-mail com data de 13 01 2010, o X informa que foi de novo há junta médica onde lhe foi atribuído os míseros 10% de incapacidade...
O x pergunta:
Que fazer perante esta injustiça gritante e revoltante.
Para um Homem que durante dois anos da sua juventude, deu ao País o melhor de si…
Os governantes deste País não querem compreender esta injustiça que são os milhares de combatentes.
Com (Stress pós traumático de guerra).
E outras mazelas adquiridas no decorrer dos vinte quatro meses de comissão.
Estes jovens dos anos 60, hoje estão doentes, moral e psicologicamente…
As suas idades ronda os 55/65 anos são milhares os combatentes, com as mais diversas (Patologias).
Estes camaradas, foram abandonados a sua sorte durante muitos anos.
É indigno, o que pagam por ano a estes homens.
Será possível? Que fazer perante esta realidade.
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Fonte Youtube.

Manuel Seleiro
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Pel caç nat 60 Guiné 68/74 -P45: O filho que não voltou da guerra.

O Plácido Teixeira da C. cav 3365 71/73 S. Domingos.
A viver nos Estados Unidos Boston.

Pede para publicar esta canção:


Roberto Leal -O filho que não voltou da guerra.

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A fonte (Youtube:

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P44: Mundo de pernas para o ar.

















Mensagem do Plácido Teixeira da C. cav 3365 S. Domingos 71/73 com data

de hoje.
A viver nos Estados Unidos Boston.



Chegados a Guiné, estivemos atracados ao largo de Bissau, era noite

e havia o cheiro seco de Africa.
Conhecia eu a Africa, esperava ver bonitas e limpas praias, bananeiras,

mangos, palmeiras, as tipicas queimadas do mato! Fazendas e muito

mais. A África que eu conheci quando era crianca. A bonita baia da

cidade de Luanda!!
Amanheceu e que espanto para mim ao ver Bissau!! Praias escuras,

somente lama.... vi tristeza e pobreza vi a Africa que afinal eu nao

conhecia... Levaram-nos depois em camioes como porcos quando vao para

o matadouro! Fomos para o Cumere..para um estagio ...IAO..., como eles

diziam!! Ali recebemos o primeiro ataque....um enxame de abelhas de

África que invadiram a caserna e demorou horas ate que elas se

decidissem retirar. Tambem, no Cumere, tive a coragem de enfrentar o

Capitao e expressar os meus sentimentos quanto aquela guerra que afinal

nao nos pertencia!! Dei-lhe a saber que embora muito novo na idade, eu

tinha os meus ideais e tinha os meus planos para a vida.. Nao ficou

muito impressionado, como era de esperar! Fez ameacas, mas isso nada me

disse, ou intimidou!! Eram palavras que saiam da boca de um labrego

de carreira militar, pelo qual eu nao tinha respeito!!..Estava em causa

a minha vida, o meu futuro e acima de tudo a minha saude....A liberdade

chamava por mim! Era concerteza a mesma liberdade que queriam as

pessoas que teriamos eventualmente de enfrentar!
Fomos depois para S.Domingos, de lanchas velhas e sem seguranca,

navegando por rios salgados e pantanosos, canais com agua escura .

Perigo estava em todos os lados. Apesar de anedotas e sorrisos,

havia dor e angustia. Medo nao se pode dizer que nao havia. Eu

olhava a minha volta, perguntava a mim proprio, onde estaria a selva

Africana? Onde estao os animais selvagens? Elefantes, leoes, etc? Eu

nao acreditava que aquilo fosse Africa, ou entao era uma Africa

diferente da que eu conhecia, ou estaria eu sonhando?
Por esses canais transportados nas velhas lanchas da Marinha,

finalmente chegamos a S. Domingos!! Podia agora ver terra vermelha de

Africa, ver o velho cais de madeira ao qual tantas vezes eu iria.

Pisei novamente solo Africano. Africanos que afinal eram pessoas

humanas como nos, nao o inimigo que nos ensinaram nos tempos de

escola!!! Por algum longo tempo, seriamos afinal todos familia,

todos irmãos. A noite deitei-me, entreguei-me ao destino, a D.s e

depois dormi!!. Sonhei com a minha terra, com os verdes montes, o rio

cristalino e limpo la em baixo no vale, as aves a voar pelas encostas

floridas das serras. Sonhei com a familia e uma ou outra amiga ou

companheira de escola. Nao queria acordar! Queria sonhar! Queria que

aquela realidade fosse tambem um sonho, ate mesmo um pesadelo. De

manhã acordei, orientei os meus sentidos e vi finalmente onde

estava!! Para onde me tinham levado. Ganhei coragem e levantei-me.

Olhei a minha volta e disse a oração mais sagrada da minha Fe!! .. Tive

um arrepio enorme quando vi o arame farpado todo a volta. Tremi, tive

medo e ate chorei. Veio-me a memoria imagens de um passado

recente!!.Imagens de fome e tragedia. Chorei, continuei a olhar. Vi

macacos nas árvores que estavam por perto. Apercebi-me, entao, que

afinal havia vida por aqueles lados... depois pensei!! .Pensei que ""

O mundo se VIROU DE PERNAS PARA O AR!! Depois foi o dia a dia, semana

a semana , perigo, solidao, tristeza, saudades e amizades. Ficamos

todos amigos e eramos entao uma familia . Sofriamos o sofrimento de

cada um e a dor de quem tinha dores era comum..
Escrevia e lia cartas de amigos que nao sabiam ler ou escrever.

Ensinei a ler quem nao sabia. Muitas vezes transformamos a tristeza em

alegria. Demos conselhos uns aos outros e desses conselhos nasceram

ideias para o futuro, para a vida em frente. Cuidavamos de quem adoecia

e compartilhavamos o desespero dos mais desfavorecidos. Tinhamos

pesadelos e sonhos para o futuro. Com esses sonhos da vida,

conquistamos os pesadelos. Enfrentamos o pior que o destino atirou

contra nos. Fomos fortes, destemidos e fomos valentes!!!
O dia a dia era igual a todos os dias. Sempre a pensar na semana e mes

seguinte. !!!! Esperando mais um ataque, uma boa visita, fugir

para os abrigos, uma bebida fresca, um pouco de conforto, talvez ate

uma carta ou uma musica agradavel!! Com a vontade de D.s o dia de

regresso chegou finalmente.!!. Ouve alegria misturada com tristeza.!!

Abraços misturados com lagrimas. Para tras ficariam os nossos amigos

africanos, as nossas lavadeiras, a Tabanca o rio Cacheu !! Ficaria

tambem o arame farpado que tao mas memorias me deixou!! Ficou tambem a

saudade de quem infelizmente ja nao podia estar connosco!! A

lembrança daqueles que tristemente nao podiam confraternizar e

partilhar a nossa alegria. Fomos para Bissau, depois partimos para

Lisboa. Foi uma viagem de aviao, talvez recompensa pelo sofrimento

que tivemos em S.Domingos. Novamente em terra que nos era bem

familiar!! Havia familiares a gritar os nossos nomes, havia emocao!!

Demos uns aos outros o abraço final!! Uns para sempre, outros ate

breve e outros ate um novo reencontro!! Ficaram porem as fotografias

e as memórias, as cartas e os sonhos de uma guerra bruta, imoral, de

ocupação!! Hoje em dia a vida e diferente. Mais velhos, casados pais

de filhos, avos.O regime foi-se. Houve Democracia e com esta a

liberdade que nos faltava. Na memoria continua ainda a saudade dos

que nos deixaram . Devo tambem lembrar ainda a miseria e pobreza de

muitos sem abrigo, que foram ex-Combatentes...Estes mereciam melhor!

Realmente o... MUNDO VIROU-SE DE PERNAS PARA O AR G.d

bless you all

Fotos © Plácido Teixeira C. cav 3365 Direitos Reservado:

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P43: SOLIDARIEDADE

SOLIDARIEDADE
Expedição arranca no dia 25 de Fevereiro
À espera do sorriso
das crianças de Varela
Duas centenas de crianças da localidade de Varela, na Guiné-Bissau

http://batalhaocacadores2885.blogspot.com

Um abraço
A. Rodrigues

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sábado, 23 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P42: Sons da Guiné

O Plácido Teixera da C. cav 3365 S. Domingos
Enviou este vídio com imagem e sons da Guiné.
Este vídio foi extraído do Youtube.

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P41: IMPROVISAR-DESENRASCAR





O nosso camarada Plácido Teixeira da C. CAV 3365 71/73 S. Domingos.
A viver nos Estados Unidos
Boston,

Enviou a seguinte mensagem com data de hoje:

IMPROVISAR-DESENRASCAR

Amigos
Quantos de nós, que estivemos em S.Domingos 71/73, antes e depois, se lembra das semanas, meses sem electricidade e por isso sem agua?
Era comum andar pelas Tabancas para tomar banho com agua suja de cor barrenta. Dessa agua, tinhamos que beber e ate cozinhar.
Houve alturas que tivemos a necessidade de ir a Tabanca com um Jeep, buscar agua para cozinhar.
Foi por vontade de D.s que nao apanhamos doencas, colera etc, essa agua tinha que ser filtrada, para nao deixar passar certos germes ou bacterias ate mesmo pequenas larvas.
Uma ideia nossa foi apanhar agua das chuvas. Como chovia bastante, a ideia foi arranjar bidons da gasolina e encher sempre que chovia.
Como era muito humido em S. Domingos e o calor era enorme, a gente resolveu o problema de ar condicionado, sauna e banheira!
Quando os Bidons estavam cheios, punha-se um bloco de cimento no fundo, levava-se uma revista a qual era compartilhada por todos, sentavamos dentro do bidom e somente com a cabeça de fora foi resolvido o problema de ar condicionado e de banho. Fomos, portanto, em 71/73, os propulsores da sauna!!! Com a nossa necessidade e inovacao, fizemos a nossa propria sauna!!!
Chamem o que quizerem, para mim era a necessidade das necessidades.
Meus amigos, mais uma historia de Africa, na Guine e do tempo que passamos longe da familia a cumprir uma pena penal pela qual nao houve crime!! Abracos para todos

Fotos © Plácido Teixera, da C. cav 3365 direitos reservados.

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sábado, 16 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P40: Regresso de uma patrulha


Primeira foto:
regresso do Pel Caç Nat 60 de uma patrulha…
Estrada S. Domingos/Ingoré a quinze quilómetros, de S. Domingos.



Segunda foto:
A ouvir música para descontrair.



Terceira foto:
Junto ao Rio de S. Domingos.


Quarta foto:
evacuação de um ferido…


Quinta foto:
A mais famosa, Daimler.
De S. Domingos
( Sandy Shaw)



S. Domingos,
Ano de 70
Regresso de uma patrulha do pelotão de Caçadores Nativos 60.
Foram dois dias a andar por trilhos com mata cerrada, mal dava para ver o sol.
Destino destruir um acampamento, e se possível fazer prisioneiros...
As nove horas uma avioneta com um Major de operações sobrevoava o local, foram feitos os primeiros contactos via rádio com o Major...
Fomos informados que devia ser colocada uma tela na clareira a nossa frente para melhor orientação do Major.
Cumpridas estas formalidades veio a ordem para avançar...
Avioneta vai avioneta vem o In foi embora brincadeiras de Major de operações.
Claro não havia ninguém para dar tiros.
Demos meia volta e viemos embora para S. Domingos.

Manuel Seleiro


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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P:39 Vitória!

alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita. (Mahatma Gandhi)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P38: Os Cornos da Desgraça.











Fernando Tordo
A Tourada,
Clique aqui para ouvir.


Mensagem do Plácido Teixeira da C. Cav 3365 S. Domingos 71/73


Aviver nos Estados Unidos.


Enviou-nos a seguinte mensagem:


Com data de 10 01 2010


Guiné S. Domingos 71/73 andava muito em moda ""OS CORNOS DA DESGRAÇA"" . S. Domingos, guerra, bombardeamentos diarios, miséria , fome, sede, abandono e tristeza geral. A malta andava desmoralizada .Tinha havido recentemente mortes, feridos etc.. Havia que fazer algo!!! Tentar ganhar a confiança, a alegria e moral de jovens com 22 anos, que afinal estavam na flor da juventude. Sentiam a falta de familia, de amor de carinho. Afinal era ainda uma juventude desperdiçada, o melhor que Portugal tinha.............
Tinhamos um pequeno radio a pilhas, sim a a pilhas porque a maioria das vezes nem electricidade, ou agua para tomar banho!!! O gerador, nao trabalhava sem electricidade!!! Ouviamos diariamente no pequeno radio,....a TV Portuguesa esteve em ......A radio esteve em..... o artista musical portugues esteve em.......etc... etc .
Mas que porra, pensei eu um dia!!! Há que fazer algo. Afinal estamos sozinhos. ninguem vem por cá, é perigoso etc. etc.
Nao há TV ou Radio!!! Nao tinhamos a visita de ninguem, nem de um Capelão !!! Nem um veterinario aparecia, eramos afinal como carneiros abandonados, numa zona de perigo!!!!!
Eu nao dormia.... pensava o que fazer, .... algo teria de ser feito e muito rapido.
Tive uma ideia.!! Falei com o Lino, que achou muito bem a minha optima ideia.
Falámos com o Oliveira com o Pedro Oliveira, o Cruz......wow ..o plano estava a andar!!! Estava a ser concretizado os Cornos da Desgraça!!!!!! o meu plano.
Falamos com amigos, explicamos a ideia. De certeza a PIDE estava alerta.
O Oliveira, pôs à disposicão um Jeep e mais veiculos.
Arranjamos uns cornos e a ideia era o ""casamento da desgraça!!
O Lino era o noivo, o Pedro Oliveira a noiva""a desgraça"", eu como era o mais novo fui o das alianças...que afinal foi um par de cornos. O casamento, foi no cais de S. Domingos à beira da água. Nao havia padre/capelão. ..nem foi preciso.
Fizemos de um carro que era a TV, outro a Radio. Havia muita gente a acompanhar a festa.
Passeamos pelas ruas de S. Domingos e a população juntou-se a nós, gostou, e a alegria era comum!! Foi um dia de alegria para todos. Afinal a psicologia é mesmo assim. ...Nesse dia, nao estivemos .....abandonados ou esquecidos,......nesse dia, do PAIGC ,não houve morteirada!!! Eles tambem estiveram connosco!!!! Meu D.s até o ""inimigo foi nosso amigo""!!. foi festa para todos em S. Domingos. Nesse dia foi alegria para todos!!!
Depois, nessa noite, cansado e sem energia, fui para a cama, não consegui dormir e pensei..afinal..quem precisa de Radio ou TV , artistas ou MNF (Movimento Nacional Feminino) ou até de hipocritas?..quando estamos sozinhos, debaixo de fogo constante, abandonados mas com vida, ninguem se lembra de nós. Liguei o radio, pus a cassete, ouvi o Tordo a cantar a Tourada.......!!!! Rezei a D.s "" Shema Israel Adonai Heloeinu Adonai Echaad!! Senti-me feliz e adormeci!! Dormi bem e sem sobressaltos. Conseguimos dar alegria, reanimar a esperança e estavamos felizes...afinal a ideia foi os Cornos da Desgraça à qual nós estavamos entregues....Bem haja amigos

Fotos: © do Plácido Teixeira, Direitos reservados.

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domingo, 10 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 - Guiné 68/74 -P37: As mãos




José Afonso
(Menina dos olhos tristes)
Clique aqui.
As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra

Com mãos tudo se faz e se desfaz

Com mãos se faz o poema - e são de terra.

Com mãos se faz a guerra - e são a paz.



Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.

Não são de pedra estas casas mas

de mãos. E estão no fruto e na palavra

as mãos que são o canto e são as armas.



E cravam-se no Tempo como farpas

as mãos que vês nas coisas transformadas.

Folhas que vão no vento: verdes harpas.



De mãos é cada flor cada cidade.

Ninguém pode vencer estas espadas:

nas tuas mãos começa a liberdade.



O CANTO E AS ARMAS, CENTELHA, COIMBRA, 1974, 3ª EDIÇÃO, P. 121
Manuel Alegre

sábado, 9 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P36: Tráz outro Amigo também





(Tráz outro amigo também...
José Afonso,
para ouvir clica aqui.
Há pouco lia um comentário, ao Post 35 S. Domingos a ferro e fogo.
Comentário do Parreira da C. cav 3365, onde ele dizia seria bom que camaradas que tiveram em S. Domingos em 73/74 que, comentássem os ultimos anos em S. Domingos...
Camarada tiveste em S. Domingos de 67/74?
Vem contar, as tuas histórias...
Será intererssante comtares os teus episódios que viveste em S. Domingos.
Tiveste em Ingoré, nos anos de 67/74?
Faz como está escrito acima, uma retrospectiva dos momentos que lá estiveste.
Sou o Manuel Seleiro, era do pelotão de caçadores Nativos 60 cheguei a S. Domingos a 27 de Julho de 68 tive três meses em S. Domingos...
Em Nuvembro parti para Ingoré onde tive com a C. caç 1801 doze meses, regressei de novo a S. Domingos.
Como vez sou um (SOLDADO), errante conheci muitos camaradas.
Gostaria da tua presença neste blogue para revivermos esses momentos únicos...
Um abraço, do camarada Seleiro do Pel Caç Nat 60.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P35: -S. Domingos a ferro e fogo










Foto de Plácido Teixeira da C. cav 3365


Mensagem do nosso camarada Plácido Teixeira da C. cav 3365 71/73 S. Domingos.
Com data de 07 01 2010

Senhor Spínola....sim, senhor!!! porque outros tempos vão longe !Mas senhor Spínola com muito respeito eu digo e escrevo o seguinte:
Muito obrigado pelas palavras que proferiu uma vez em S. Domingos, para uma Companhia abusada, e maltratada e deitada ao abandono.Lembro-me que uma vez, num horrível mês, a nossa Companhia foi um alvo, uma carreira de tiro. Sim e nós o alvo. Era bombardeamento diário. Não havia comida, não havia bebida ou até luz.
Lembro-me que andava a passar uma ronda e fomos apanhados no meio do campo de futebol. Todos saltamos do Jeep, uns para a direita, outros para a esquerda. Como fomos apanhados no meio do campo de futebol, a vala e os abrigos estava muito longe. Corri e cheguei finalmente a vala, sem arma, sem sapatos e sem óculos! Bonito para a minha defesa. Mais uma vez a ideia era sobreviver. Havia fumo por todo o lado. A maioria dos nossos amigos estava na "Tabanca"! Como tinha chovido, na vala era só lama. Não havia luz e com o fumo nada se via para fora da vala. Era até impossível por a cabeça de fora.O tiroteio do outro lado do arame era intenso.Constou que estava-mos a ser atacados com bombas de fumo e que até já tinham entrado para dentro do "quartel".
Ficámos toda a noite nos abrigos. Mesmo após o tiroteio ter parado, estava tudo cansado e desmoralizado, sabe-se lá até com que ideias. Sabia-mos que do lado de fora do arame, o ataque estava bem organizado e como tal para sobreviver não havia que dar chances ou oportunidades.
Na manhã seguinte com a luz do dia só se via destruição. Poucos foram os que se aventuraram para fora. dos abrigos. No entanto como era normal principiaram os boatos...o Jeep está destruído...o bar está acabado...ha dois mortos...há inúmeros feridos...na enfermaria só há sangue etc. etc.
Foi bombardeamento diário durante muitos dias. Era afinal S. Domingos. Era a razão pela qual a sede do Batalhão foi para lugar seguro. Foi assim o nosso pesadelo!.
Durante os ataques e certas vezes podia-se ouvir o outro lado, sabia-mos portanto que eles não
estavam longe, e que afinal eram seres humanos como nós, só que defendiam a sua terra a qual não nos pertencia. Eles tinham razão. Nós éramos invasores, era-mos seres humanos como eles, com pais e irmãos, alguns casados e com filhos Ficámos, esgotados e sem energia para sobreviver. agua não havia a não ser a da chuva, comer não havia e munições também estavam a esgotar rápido.
A lama acavou por secar e as pernas foram ficando presas como no cimento. As armas, muitas não trabalhavam de sujidade.Estava-mos deitados ao abandono e a mercê da sorte ou do destino.
Não veio ajuda... nem do ar ou de terra nem tão pouco por agua.Esperava-mos somente ajuda, mas do Céu. Mais um dia e seria-mos todos mortos ou prisioneiros tal foi essa semana maldita
Os aviões não podiam vir, pois eles estavam tão perto, corria-mos o risco de ser também feridos ou mortos.Helicópteros não vinham mandar mantimentos, medicamentos e o necessário, pois seriam alvejados...estes foram os boatos!.
Finalmente ao fim de uma semana, fomos ajudados. Talvez tenha sido por Deus...Como ratos saímos das valas. A cara estava amarela, a barba enorme a roupa rasgadas, e avia lama por todo o lado e até ao cabelo.
O choque final foi saber quem ficou ferido, quem morreu etc.
Ficou tudo destruído. Gerador, frigoríficos, fogões até as panelas ficaram como um assador de castanhas! Agua nao havia. Passámos a beber água amarela dos possos da tabanca. Estava-mos portanto sujeitos a malária etc.
Era uma companhia desmoralizada, sem energia sem sono! Uns choravam com o stress de Guerra, outros nao falavam, outros ficaram sem o sorriso da juventude.
Finalmente um dia um helicóptero!
Foi tudo reunido para ouvir o Governador da Guiné.Senhor Spínola eu agradeço imenso e esteja onde estiver, esteja em paz, como em paz nos deixou!
Agradeço as palavras, não de um general mas palavras de um amigo, palavras de reconhecimento.
Agradeço ter compreendido estes jovens que foram deichados a mercê das armas e da sorte.
Senhor Spínola...muito e muito obrigado por ter dito a todos nós, em frente do Comandante da Companhia que…a culpa não foi nossa, que aculpa foi do vosso Comandante que deixou que o vosso quartel fosse uma carreira de tiro!.
Resta-me portanto dizer que fomos bombardeados diariamente, que sofremos porque gente sem escrúpulos , sem dignidade,gente agarrada as ideias fascistas e de poder, orgulhosos de uma farda e de peso nos ombros famintos por medalhas ao peito, nunca pediu ajuda.! Esse Comandante nao teve dignidade humana...
Senhor Spínola, muito obrigado é verdade...aquele senhor desumano, realmente deixou fazer do nosso quartel uma carreira de tiro, onde todos nós fomos o alvo.Bem-haja.
Fotos: © Plácido Teixeira, direitos reservados .

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Pel Caç Nat 60 - Guiné 68/74 -P34: Música Pai de Amor De Kleber Lucas.

Clip Pai de Amor Guiné Bissau
Clip muito lindo que eu fiz das fotos de Sinhara na sua viagem a Guiné Bissau com a Musica Pai de Amor De Kleber Lucas.
Vídio enviado por o Plácido ao Parreira ambos da C. cavv 3365 71/73 S. Domingos.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 -P33: Feche os olhos e recorde este som de África.

O nosso colega Plácido, manda este vídio.
Uma música de Cabo Verde, do cantor (Bana - Resposta do segredo do Mar), para recordar as noites tropicáis, na Guiné.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 - P32: A Terra Vermelha de África







Mensagem Do nosso camarada Plácido Teixeira . cav 3365 S.Domingos 71/73.
Com data de 05 01 2010


A terra vermelha de África.......Um dia eu estava a conversar com o meu filho e a contar

histórias de África. Ele tinha acabado de ter Geografia e estão a estudar sobre África. Ele

falava e pensava que me estava a dizer muita coiza nova para eu aprender. Escutei e ao fim

disse-lhe.Moah, meu filho, eu sei bem o que é África. Tenho muito bons e maus momentos de

África.. Eu estive la. Ele perguntou-me....foste lá de férias? eu sorri e disse.......not really

babe!! Nao, eu estive em África em menino como tu e depois como militar!!!
Os olhos do meu filho alargaram encheram-se de luz!!! Eu com lágrimas nos olhos sorri....mas

tive do meu filho o mais apertado abraço que um pai pode ter!!! depois continuei.
Em Angola, pequeno como tu, tive amigos nativos que andaram comigo na Escola fui feliz e

aprendi que se cortasse um braço, o sangue era igual ao meu. Vermelho, quer isto dizer que somos

irmãos brancos e Africanos. Aprendi e passo para ti. Deus de Israel, nosso Criador criou nos e

portanto somos todos irmãos.
Depois veio a idade e ja grande fui para África novamente.
O meu filho interrompeu-me e fez imensas perguntas!!! Depois de eu contar o que eu passei, os

amigos que eu perdi os amigos que sofreram e ainda sofrem, ele disse-me Respondi a algumas ele

depois disse-me...Pai tu és um herói!!! Eu expliquei.. Sabes meu filho, Deus escreveu os

Mandamentos, um diz...Não matar!!! Aos olhos de Deus sim eu sou um heroi pois nao matei ou

maltratei! Fiz o que a lei de Deus de Israel me ensinou.
Pratiquei a nossa religião em segredo, o Judaísmo e sempre consegui dentro do possível estar com

Deus. Assim fui herói.
Depois disse e expliquei ao meu filho que os verdadeiros heróis, são os que sofreram no corpo,

os maleficios da Guerra. Os heróis sao os que foram abandonados por um Governo que punha a Igreja

acima dos direitos humanos. Heróis sao os que foram tratatos como mendigos e abandonados na rua.
Meu filho disse eu... esses sáo os verdadeiros heróis!!
Ele, com os olhos muito abertos e sem palavras pensava. Finalmente ele disse...Pai essas pessoas

são realmente heróis e Deus está com eles. Quando for a Sinangoga Sábado, vou rezar muito por

eles.Vou pedir a Deus que lhes dê felicidade e amor, Devo dizer que eu chorei. Não sei se de

alegria ou se por ouvirr da boca de uma criança com 8 anos com mais sentido do que os

Governantes Portugueses, não são os de antigamente, mas actualmente!! Disse porém ao meu filho.

Sabes, a terra de África é vermelha. E vermelha talvez pelo sofrimento humano pois são povos

abandonados, com fome sem agua e muita doença. E também vermelha, talvez pelo sangue derramado

por tanto serem gente sem razao sem ideal !!
Meu filho disse............pai tu realmente deste-me uma grande lição sobre África! Vou ser o

melhor quando explicar na Escola que o meu pai esteve em África. Acontece que fui chamado a

Escola e falar a todos os meninos o que era África. Penso que foi bonito.
Agora aos meus Heróis aos que estiveram la e sofreram no corpo, na alma e que sofrem...o meu

mais sincero amor o maior reconhecimento e digo que bem longe na América, uma classe de

pequeninos Judeus, sabem do vosso sofrimento. Bem haja que Deus vos abençoe ....

Nota:
O Plácido Teixeira, escreve-nos dos Estados Unidos.
Conta-nos este bonito diálogo, com o seu filho.
Pede desculpa, porque já tem dificuldade no português.
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domingo, 3 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P31: Uma pequena história







Uma Pequena história:
Tinha acabado de chegar a Guiné, rendição individual, 300 homens fizeram a viagem no Ana Mafalda, seis dias para chegar a Guiné…
Por volta do dia 18 de Julho de 1968 avistámos a costa da Guiné, que se recortava no horizonte…
Os nossos olhos depararam com o mais belo cenário de luz e cor que alguma vez tinham visto.
Cerca das 17 horas estávamos ao largo de Bissau, aguardando ordens para atracar no cais. Através dos altifalantes do Ana Mafalda recebemos ordens para estar prontos para desembarcar!
Segunda ordem voltar para os nossos lugares…
O desembarque ficou para o próximo dia.
Terceira ordem desembarcar, cerca das 00h30min o que veio acontecer. No cais o movimento era de minuto para além de meia dúzia de polícias militares havia quatro viaturas militares cobertas, a maior parte dos homens foram encaminhados para essas viaturas, com destino ao depósito de adidos.
Onde nos aguardava dois (SARGENTOS), que nos mandaram formar rapidamente e com ordens bem precisas disseram:
-Os que eu chamar vão formando ali ao lado.
Todo este procedimento foi acompanhado por uma forte chuvada tropical…
No final da chamada feita por um dos sargentos, 50 homens estavam numa formatura a parte…
Estes homens partiam nesse mesmo dia as 9 horas com destinos diferentes…
Os restantes aguardavam colocação, passada uma semana recebi ordem para me apresentar no quartel de S. Domingos.
Na secretaria dos adidos recebi as guias de marcha, três rações de combate e a seguinte informação:
Devia estar no cais de Bissau ás 15 horas…
Como a tropa manda desenrascar tive que ir de boleia até Bissau e depois ir a pé até ao cais onde deparei-me com dezenas de Batelões e agora como saber qual aquele que ia para S. Domingos…
Não acreditam mas andei mais de quarenta minutos a tentar saber qual os batelões que iam para S. Domingos.
Já estava desesperado, quase a desistir e voltar para os adidos.
Quando me preparava para pegar os dois sacos e a mala que andaram sempre comigo, aconteceu um (MILAGRE) ou algo parecido avistei um jeep da Armada…
Vi sair do dito jeep três fuzileiros armados com uma Bazooka e dois de g3 e diverso material…
Dirigi-me a um deles e perguntei:
Se eles sabiam qual dos Batelões ia para S. Domingos? o que responderam foi que eles iam fazer a escolta aos ditos batelões.
Fiquei mais tranquilo já não estava só.
Decorridos 22 minutos chegou um jeep do exército com um primeiro-cabo da manutenção militar, era o responsável por a carga dos dois batelões que se destinavam ao quartel de S. Domingos.
As17 horas saíamos do cais com os dois batelões com tanta carga que só tinha trinta centímetros de fora de água.
Ainda iam vários civis com tudo o que era animais domésticos etc.
Foram duas noites e dois dias de medo constante até chegar ao Cacheu…
Aqui começa a história, uma vez que íamos passar ali a noite nos batelões e como tinha a tarde toda por minha conta resolvi ir conhecer o Cacheu.
Para quem conhece o Cacheu, havia uma rua que saía do cais em direcção ao centro.
Do lado esquerdo estava o quartel velho, em frente havia uma estátua, segundo creio era do Honório Barreto, em frente era o Mercado e as tabancas…
Para o lado direito havia uma estrada de terra batida, á direita ficava o rio e a esquerda era mato.
Do lado direito dessa estrada na margem do rio havia uma fortaleza fiquei por ali sentado a olhar a paisagem que era maravilhosa.
Mas havia algo mais além que me chamava atenção, era algo uniforme mas que eu não conseguia definir o que era…
E se pensei melhor o fiz, caminhei no sentido do dito objecto, logo vi que se tratava de uma viatura militar era toda de ferro e apresentava vestígios de ter sido queimada.
Fiquei por ali durante uns bons minutos…
E como já se estava a fazer tarde resolvi voltar aos batelões, sem antes passar por o quartel.
Qual não foi o meu espanto, quando vi na porta de armas um ajuntamento de soldados, que apontavam na minha direcção com curiosidade quando cheguei junto deles todos queriam falar ao mesmo tempo.
Para resumir em poucas palavras, eles perguntaram se eu sabia o que tinha acabado de fazer!
E eu respondi que não, e um deles disse nós para irmos até onde tu fostes tem de ir um pelotão e bem armado…
E um outro disse ainda por cima sem arma…
Um outro disse o In devia estar a dormir…
Conclusão tinha me afastado do cais, e do quartel uns quinhentos metros o que foi uma loucura ter feito o que fiz.
O tal carro de ferro que eu vi era uma (DAIMLÉR), que tinha accionado uma mina anti-carro seguida de uma emboscada, daí que aquele local indicava que a partir dali era preciso ter muito cuidado…
No dia seguinte saímos do Cacheu, para S. Domingos onde chegamos por volta das 16h apresentei-me na secretaria, da companhia 2539 onde entreguei as guias fui mandado apresentar ao Alf Mil Almeida comandante do Pel Caç Nat 60.
Era dia 27 de Julho de 68 foi o meu primeiro dia em S.Domingos. No dia 28 fiz o meu primeiro serviço e no dia 29 que era o dia dos meus anos foi a minha primeira saída para o mato.

Manuel Seleiro
Primeiro-cabo do Pel Caç Nat 60
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 - P30: -Almoço de ano novo de 1970 S. Domingos







Guiné 1 de Janeiro de 1970 S. Domingos

Almoço do dia de ano novo:
Estes amigos resolveram fazer um almoço para o dia de ano novo.
O grupo contava com elementos da C. cav 2539 três elementos das (DAIMLÉR), e dois ou três do 60.
Havia que escolher o petisco, que não era fácil a escolha, galinácios, borrego, cabrito ou leitão etc. etc. etc.
Valeu a entrevenção de dois soldados nativos, do 60 que nos deram uma preciosa ajuda na compra do leitão, e de alguns galináceos…
Isto porque os nativos por norma não criam vender os seus animais de estimação…
Agora era deitar mãos á obra, com o resto dos ingredientes que faltavam, e distribuir as tarefas pelo pessoal…
As fotografias acima mostram, as várias etapas da preparação do petisco nos seus vários estágios.
Já a mesa, nota-se a boa disposição dos convivas.
Estas horas de convívio, ajudava a descontrair a tensão nervosa do dia a dia…
A não pensar nas minas, nas emboscadas e se o próximo dia era o último…
É comum hovir dizer, aqueles que passaram por terras de (ÁFRICA), que estes convívios eram salutares e eram momentos de sã camaradagem.
Ainda hoje se lembram, passados quarenta anos com alguma nostalgia.
Como era belo, o verde da selva, o azul do Céu o vermelho, da terra (Africana), são cores que a nossa rotina soube guardar num cantinho da nossa memória para sempre.
É como se fosse um quadro de aguarelas, pintado por mãos misteriosas.
Nos velhos tempos passados nas terras da Guiné.

Manuel Seleiro
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