quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-P12: O regresso ao ponto de partida







Pelotão de Caçadores Nativo 60
São Domingos Setembro de 69
O regresso ao ponto de partida, depois de cerca de 12 meses em Ingoré.
Como referi na ultima postagem nº 10 as coisas na zona de São Domingos não corriam bem ...
A CCav 2539 era a companhia que se encontrava em São Domingos...
Havia grande actividade do In na zona, no espaço de dois meses ouve dois ataques ao quartel coisa anormal de um dos ataques ter sido durante a tarde e de grande duração sendo necessário a intrevenção da força aérea.
O segundo ataque foi a noite, caso raro o início foi depois da meia-noite e teve a duração de trinta e cinco minutos ..
Neste ataque houve feridos mas não foi do In, foi um disparo acidental com uma Bazooka que resoltou em dois feridos um com gravidade.
Este ataque do In foi feito de vários pontos pela primeira vez o In usou canhões sem recúo, vários morteiros 82 e RPG, metralhadoras pesadas.
De dia para dia as coisas ficavam piores, um homem da CCav 2539 accionou uma mina anti-pessoal ficando gravemente ferido.
No mesmo trilho um milícia perdeu uma perna quando accionou uma mina anti-pessoal.
E as coisas não ficariam por aqui...

Primeiro cabo Manuel Seleiro
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -p11: saída de Ingoré






Setembro de 69 o pelotão de Caçadores 60 sai de Ingoré para São Domingos, agora como seu comandante o Alf Mil Nélson Gonçalves e o Fur Mil Rocha o restante do pessoal mantem-se...
As saudades já se começam a sentir sempre foram onze meses a conviver com a companhia 1801 e o pelotão das Daimlers, a 1801 já acabou a sua comissão.
O pessoal das Daimlers ainda lhe falta uns seis meses, o pelotão 60 ainda vai fazer muitas colunas com o resto do pessoal das daimlers que está em São Domingos.
Quando chegamos a São Domingos as informações que tivemos não foram nada boas...
Estrada de Ingoré/Sedengal, mesmo a saída de Ingoré havia uma ponte, como se pode ver na fotografia uma das tábuas está fora do sítio.
Depois de uma apurada inspecção conclui-se que não havia perigo para as viaturas passarem.

Manuel Seleiro
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pel CaçNat 60 Guiné 68/74 -p10: [LÚNTA]


Ingoré ano de 69.
Numa manhã pacata em Ingoré cerca das 11horas começou-se a ouvir lá para os lados da casa do chefe de posto uma grande algazarra...
Alguns militares foram ver o que se passava, havia por ali uns quantos melícias com um indivíduo com as mãos amarradas diziam com a voz exaltada que o homem era do In.
O homem em questão era natural de Ingoré aparentava uns vinte cinco anos, tinha um porte atlético e uma personalidade bastante forte.
Trajava o habitual pano como túnica, deslocava-se com um certo avontade tinha um carisma de que sabia o que cria...
Nesse mesmo dia foi entregue ás autoridades militares.
Estava eu de cabo de dia, o preso foi entregue por os Cipaios sendo conduzido á prisão por mim.
Quero aqui referir que as duas prisões que havia no Quartel de Ingoré não tinham mais de um metro e vinte por um metro e vinte...
Já se encontravam numa das prisões dois presos que estavam ali desde o grande ataque ao quartel de Ingoré em 67 que fez um morto e alguns feridos...
A idade destes dois presos era entre os quarenta e os dezasseis anos já tinham uma certa liberdade, o trabalho deles era andar no carro da àgua para abastecer o quartel, o condutor do Honimóg nem sequer andava armado.
Voltamos ao preso de nome Lúnta este requeria mais atenções eram as ordens do Cap Rosa da C.Caç 1801 o preso só saía para comer e fazer as suas higiénes pessoais.
Uma semana depois o Lúnta foi levado numa coluna militar auto, feita pelo pelotão de caçadores Nativos 60 que foi ao encontro da coluna de Barro, onde foi feita a entrega do preso.
Um Mês depois foi novamemte o Pelotão de Caçadores 60 que foi ao encontro da coluna de Barro, onde nos foi entregue de novo o Lúnta.
O preso foi de novo metido na prisão até novas ordens, o que não tardou muito que o Lúnta não andasse em liberdade no quartel...
Caso que estranhou muito, a partir daí instalou-se um certo mau estar nos militares e nos milícias que continuavam afirmar que o Lúnta, era um comandante do In...
E o facto veio a confirmar-se mais tarde...
O referido Lúnta foi posto em liberdade por ordem militar, andou cerca de quinze dias em Ingoré a passear muito senhor de sí.
Num dia em que se realizou uma prova de ciclismo havia vários postos de controlo, num destes postos estava éu, para quem teve em Ingoré de certo se lembra do poço da àgua havia aí um cruzamemto da estrada que saía de Ingoré para Ingorézinho aí era o meu posto de controlo, e aí estava eu com um papel e uma caneta, e o relógio para fazer o control dos ciclistas que passabam por ali.
Quando me dei conta tinha o Lúnta perto de mim, confesso que fiquei com medo pois não estava armado, a final ainda estava a duzentos metros do quartel.
Mas o Lúnta sentou-se perto de mim, e chegámos a falar e tivemos para ali a conversar uns trinta minutos depois pediu um cigarro tirei o maço dei-lhe o resto dos cigarros, comprimento-me e depois partiu em direção a Ingorézinho e mais ninguém o viu.
Uma semana mais tarde houve militares que ouviram na Rádio do PAIGC a informação que Ingoré ia ser atacada durante três dias ...
Vejam só quem comandava o grupo de cinquenta guerrilheiros o nosso amigo Lúnta.
No segundo dia de ataques na zona de Ingorézinho ele fez questão de se mostrar quando alguns elementos da tabanca de Ingorézinho andavam no campo a trabalhar, fez alguns desses elementos prisioneiros.
Mas depois soltou-os mas sem antes dizer que era o comandante operacional do In na zona de Ingoré.

Manuel Seleiro
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