sábado, 29 de maio de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -p75:Guiné Bissau (arquipélago dos Bijagós)

Guiné-Bissau
O modo de vida, os costumes

tradicionais e o carácter sagrado

de alguns
locais explicam o estado de

conservação excepcional do meio

ambiente. O
arquipélago constitui por essa

razão um dos principais locais de

reprodução
dos recursos haliêuticos do país,

representando a pesca um pilar da
economia nacional. O meio marinho

é um verdadeiro reservatório de
diversidade biológica de

importância internacional: ilhéus

ocupados por
colónias de aves marinhas; praias

utilizadas por milhares de

tartarugas
marinhas para a desova; áreas

lodosas frequentadas por mais de

700 000
aves pernaltas migratórias;

mangais povoados de manatins e

lontras;
hipopótamos transformados pelo

tempo em animais marinhos;

crocodilos;
canais habitados por golfinhos.
Os fuselos reproduzem-se na

Europa e migram para África,

acabando por ser um
laço entre estes dois continentes
É por reconhecer o valor
deste património que o
arquipélago foi
classificado pela
UNESCO como
Reserva da Biosfera.
Costeira e Marinha da África
Ocidental), FIBA (Fundação

Internacional do Banc d’Arguin),

UICN (União Mundial para a

Natureza),
INEP (Instituto Nacional de

Estudos e Pesquisa), GPC

(Gabinete de Bijagós (tutelada

actualmente pelo Instituto da

Biodiversidade e das Desde há

alguns anos que numerosas

influências exteriores interferem

com
este equilíbrio secular. O

arquipélago, outrora fechado

sobre o seu mistério,
é hoje sujeito a muitas cobiças.

Os seus recursos naturais, ainda

abundantes,
atraem a pesca industrial da

Europa e da Ásia que, apesar das

proibições,
vêm lançar as redes durante a

noite nos canais que separam as

ilhas. As
pirogas artesanais vêm de

diferentes países da sub-região

para pescar em
particular os tubarões, cujas

barbatanas são apreciadas nos

mercados
asiáticos.
As paisagens harmoniosas e

selvagens do arquipélago atraem

promotores
turísticos muitas vezes pouco

preocupados em respeitar o meio

ambiente ou
a sociedade tradicional.
A globalização dos mercados

encoraja a
monetarização progressiva da

economia dos
Bijagós, que se orienta pouco a

pouco para
culturas comerciais como o caju

em
detrimento das zonas de

palmeiras. E já se
antevêem riscos maiores como a

exploração
petrolífera offshore ou

estaleiros de
desmantelamento de barcos velhos,

com o
seu séquito de poluições.
Rapariga bijagó: As tarefas

individuais são definidas segundo

as faixas
etárias e o sexo: os adolescentes

beneficiam de uma grande

liberdade,
enquanto que no inicío da idade

adulta dedicam o essencial da sua

energia
às necessidades da comunidade. Os

anciãos são os detentores do

saber e da
autoridade.
Nos Bijagós, povo animista, a

passagem de um grupo de idade

para outro
faz-se através de ritos de

iniciação em lugares sagrados

afastados das
tabancas (aldeias). Ao longo do

ano, quase um terço do tempo é

consagrado
a cerimónias durante as quais os

baboleros (xamãs) entram em

contacto com
os espíritos. As áreas lodosas

têm os seus espíritos, as

florestas têm os seus
espíritos, as ilhas e os mangais

também: as relações com a

natureza não são
unicamente de ordem prática e

alimentar mas também espiritual.
Por exemplo, algumas espécies de

conchas só são comidas em

cerimónias
específicas e por isso são

objecto de medidas de protecção.
Cerimónia para o Iran (espírito)

na Ilha de Poilão. No povo bijagó

só os iniciados
podem desembarcar nesta ilha e

devem respeitar regras restritas:

explorar só os
recursos que serão utilizados no

próprio sítio,não derramar

sangue,não ter realções
sexuais e não sepultar mortos. O

conjunto destas regras permite a

protecção da zona.
A relação entre o
homem e o seu meio
ambiente, entre os
vivos e os mortos,
manifesta-se pela
existência de lugares
sagrados (florestas,
cabos, ilhas) que
mostram uma
interdependência onde
a natureza e a cultura
se alimentam
mutuamente.
O modo de vida tradicional dos

Bijagós é baseado numa economia

de
subsistência onde o conjunto dos

recursos naturais do território é
aproveitado de forma

diversificada.
O arroz constitui a base da

alimentação enquanto que as

palmeiras fornecem
frutos, óleo e vinho, bem como

uma vasta gama de produtos usados

na
alimentação, artesanato,

habitação, etc.
O essencial das proteínas animais

é
fornecido pelas conchas, peixes e

animais
de capoeira.
Perto de 7 000 fêmeas desovam uma

centena de ovos por anonos

Bijagó,
constituindo assim a maior

colónia de tartarugas verdes do

litoral
atlântico africano.
Os Bijagós são a principal etnia

que povoa este arquipélago

composto por 88
lhas e ilhéus. Só habitam em

permanência cerca de 20 ilhas, em

tabancas
(aldeias) com asas de adobe e

palha. O meio ambiente é

constituído por
savanas, almeirais e mangais onde

os recursos naturais são

abundantes.
As paisagens são marcadas pela

formação do arquipélago no delta

do rio.
Jovens bijagós trajadas com saias

de palha de arroz.
As ilhas, separadas por canais,
são bordadas por zonas lodosas
que são cobertas ou descobertas
em função das marés, impondo o
seu ritmo à vida dos homens e da
natureza.
organizações nacionais e

internacionais está a decorrer um

processo para, no
quadro da Convenção do Património

Mundial da UNESCO, promover a
classificação do arquipélago dos

Bijagós como
SÍTIO DO PATRIMÓNIO
CULTURAL E
NATURAL MUNDIAL
Esta marca de prestígio, que
reconhece o valor universal de um
lugar, constitui uma garantia de
protecção internacional que

poderia
revelar-se crucial para permitir

que a
sociedade dos Bijagós e o seu

meio
ambiente conservem o seu

equilíbrio,
ao mesmo tempo que enfrentam os
desafios do desenvolvimento.
A dança ocupa um lugar central

nas cerimónias e na vida
quotidiana. Os jovens cabaros

(faixa etária dos homens entre
os 18 e os 27 anos) expressam as

forças da natureza terrestre
(máscara de touro) e marinha

(máscara de tubarão).
Braço de mar ou bolon, em maré

baixa
BIJAGÓS
ARQUIPÉLAGO
SAGRADO
A etnia bijagó ocupa as ilhas

habitadas do arquipélago. A

sociedade bijagó
rege-se por uma grande quantidade

de ritos (cem dias por ano são
consagrados a cerimónias

tradicionais) relacionados, em

grande parte, com a
vida selvagem. Por exemplo, a

ilha de Poilão, o maior local do

Atlântico-
Este para a desova das tartarugas

verdes, descoberto há apenas

alguns anos,
é um lugar sagrado onde não se

pode verter sangue, nem humano

nem
animal. Para desembarcar nesta

ilha é necessário pedir a

autorização dos
espíritos. Este tabu, muito

respeitado, permite que as

tartarugas possam
desovar dezenas de ovos sem

enfrentar qualquer predação

humana. Por outro
lado, existem ilhas onde os

animais são considerados sagrados

pela
população: por exemplo, os

hipopótamos na ilha de Orango ou

os tubarões
na ilha Formosa. Os Bijagós são

também conhecidos pelas suas

esculturas,
consideradas como das mais

interessantes de África.
Tabanka bijagó: as aldeias

bijagós estão sempre cercadas de

árvores e afastadas da costa.
BIJAGÓS
ARQUIPÉLAGO
COBIÇADO
Perdidas no esquecimento há 40

anos, as ilhas nunca foram

atingidas pelo
desenvolvimento colonial, com

excepção de dois portos muito

modestos,
Bubaque e Bolama, outrora capital

da Guiné-Bissau. Não sendo

marinheiros,
os Bijagós estabelecem-se em

aldeias no interior das terras;

vivem da
colheita, duma agricultura muito

primitiva e da pesca praticada

andando a
pé. Os bancos de areia e os

labirintos de canais onde a

navegação é difícil
travaram até agora o

desenvolvimento da pesca

comercial. Mas o
esgotamento geral das reservas de

peixe na costa africana alimenta

cobiças
e os pescadores do Senegal e da

Guiné-Conacri, entre outros,

começam a
explorar cada vez mais estes

locais, incrivelmente ricos em

peixe, ao ponto
de criar por vezes aldeias

costeiras.
O hipopótamo ocupa um lugar

sagradao na cosmogonia bijagó.
BIJAGÓS
PATRIMÓNIO
A PRESERVAR
O arquipélago está ameaçado. Os

perigos aumentam devido à

exploração
excessiva das zonas de reprodução

de peixe e, mais recentemente,

devido a
projectos anárquicos de

desenvolvimento turístico. Três

ONG, a Tiniguena -
esta terra é nossa, a UICN (União

Internacional para a Conservação

da
Natureza) e a FIBA (Fundação

Internacional do Banc d’Arguin),

trabalham
no arquipélago, em colaboração

com as tabancas (aldeias)

bijagós, para
combater esses perigos. Cada

proposta é apresentada à

assembleia dos
régulos e à população. Os seus

objectivos são a educação, a

prevenção
sanitária, a defesa do meio

ambiente e a gestão dos recursos

naturais, para
assegurar o desenvolvimento

durável deste arquipélago único e

ajudar os
Bijagós a assegurar o seu futuro

no respeito pelos seus costumes e

pelo meio
ambiente.
BIJAGÓS
ARQUIPÉLAGO ESQUECIDO
Ao largo da Guiné-Bissau, o

arquipélago dos Bijagós é um

conjunto de 88
ilhas e ilhéus perdidos no

Atlântico. Um quarto das ilhas

não é habitado. As
ilhas são cobertas de vegetação

tropical: florestas húmidas,

mangais e
savanas. As suas águas são das

mais ricas em peixe de África.

Abrigam
também uma fauna original:

hipopótamos – por vezes

qualificados como
marinhos porque são os únicos no

mundo a viverem em água salgada –
tartarugas, golfinhos, manatins,

répteis e aves. Um milhão de aves

limícolas,
aves pernaltas que emigram para a

tundra, passam o inverno nos

Bijagós,
assim como flamingos, pelicanos,

garças, garajaus, etc. Mas muitas

das suas
riquezas naturais ainda não são

conhecidas. A criação de dois

parques
nacionais e de uma Reserva da

Biosfera (no quadro do projecto

Man and
Biosphere da UNESCO) ilustram

este interesse fora do comum.
Repartição das responsabilidades

e das funções
das diferentes classes etárias
Idade Classe etária Nome
Bijagó
Características principais
e responsabilidades
Homens
7-11 Crianças Cadene Guarda do

gado e ajuda na caça.
12-17 Adolescentes Canhocám

Participação nas actividades

produtivas. Subir às palmeiras,

artesanato e
iniciação às regras sociais

(segredos das plantas).
Guarda da aldeia.
18-27 Jovens Cabaro Período de

liberdade, festas, danças e

conquistas amorosas. Algum
trabalho regular (limpar os

caminhos da aldeia e participar

em todos os
trabalhos que exigem boa condição

física e capacidades), apoio às
actividades agrícolas e à

produção do óleo de palma.
28-35 Jovens adultos Camabi

Período depois da iniciação

(fanado) dedicado aos trabalhos

mais duros e
à procura dos bens necessários

para o pagamento aos mais velhos,
aprendendo com estes os segredos

da vida.
Administram os palmares, as

florestas e as cambuas.
36-55 Adultos Odõdo Quando passam

do estádio de iniciado ao de

iniciador. Têm plenos
direitos no conselho dos mais

velhos, servem de porta-voz das

resoluções
deste conselho de decisão. Podem

possuir casa e terras e têm

direito a
casar e a ter filhos.
Mais de
55
Homens idosos
Homem grande
Cabongha Recebem ofertas dos mais

jovens. Guardiões dos

conhecimentos e das
regras sócio-culturais

tradicionais.
Mulheres
7-11 Crianças Numpune Trabalhos

domésticos, transporte da água,

apanha de pequenos moluscos
e vigilância dos arrozais.
12-20 Adolescentes Campuni Grupo

etário responsável pelas

cerimónias de defunto. Fora da

aldeia as
mulheres comem, bebem e dançam

juntas e aprendem as técnicas e
saberes para viver na floresta.
21-50 Mulheres casadas Ocanto

Mulheres com crianças para

educar.
Mais de
50
Mulheres idosas
Mulher grande
Oconto Depois da menopausa

controlam as cerimónias das

mulheres.


ASSUNTO: Arquipélago dos Bijagós

(Guiné-Bissau) Reservados os

Direitos do Autor
Edição: Paulo Alves
www.Rituais.com
Textos e Legendas: PRCM (Programa

Regional de Conservação da Zona

Costeira e Marinha da África
Ocidental), FIBA (Fundação

Internacional do Banc d’Arguin),

UICN (União Mundial para a

Natureza),
INEP (Instituto Nacional de

Estudos e Pesquisa), GPC

(Gabinete de Planificação

Costeira da Guiné-
Bissau), Comité MAB (Man and

Biosphere) de França, Reserva de

Biosfera do Arquipélago dos
Bijagós (tutelada actualmente

pelo Instituto da Biodiversidade

e das Áreas Protegidas da

Guiné-Bissau -
IBAP) e Tiniguena (“Esta Terra é

Nossa”) – ONG nacional da

Guiné-Bissau
Imagens: Jean François Hellio e

Nicolas Van Ingen

(Hellio-Van-Ingen)
Colaboração: Joacine Moreira

(CIDAC)
19-05-06 Pág. 5

quarta-feira, 19 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

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Atenciosamente,

Manuel Seleiro