segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 - P29: A Alegria de uns é a tristeza de outros.



Mensagem do Ex Fur Mil da C. cav 3365 - 71/73 - S. Domingos.
Com data de 28 12 2009

a tristeza da chegada é a eufuria da partida de outros.



De realçar que a minha companhia, C.CAV 3365 foi render a C.CAV 2539.
Enquanto eles estavam com a euforia da partida, nós estavamos com a tristeza da chegada.
Vou enviar uma fotografia que ilustra a minha moral na chegada a S. Domingos.

B. Parreira

Nota de Manuel Seleiro:
A fotografia acima, é do Ex Fur Mil Parreira na chegada a S. Domingos.
C. cav 3365:


_

domingo, 27 de dezembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P28: Ataque ao Quartel de S. Domingos na hora do almoço.


Mensagem enviada por o Ex Fur Mil Parreira da cav 3365 - 71/73 S. Domingos.
Com data de 27 12 2009


Ataque ao Quartel de S. Domingos na hora doalmoço


Caro Manuel Seleiro

Aqui vai o meu primeiro relato de um dia de Guerra passado em S. Domingos:


Cheguei a S. Domingos no dia 13/05/1971, cerca das 11 horas da manhã.
Tinhamos a aguardar-nos no Cais elementos da C.CAV. 2539. Foram os
camaradas dessa Companhia que durante 15 dias partilharam connosco a
camarata e que nos ajudaram a integrar, e nos ensinaram alguns
trilhos e caminhos que haviamos de percorrer. Pode-se dizer que o
nosso baptismo de guerra foi feito com eles a apadrinhar-nos.
Desde o primeiro dia tive a clara noção que poderia sair de lá morto
ou deficiente. O que Graças a Deus não aconteceu.
Foram muitas as situações de perigo que atravessei, quer nas saidas
para o mato quer de ataques ao Quartel.
Desde o primeiro dia que cheguei a S. Domingos era raro o dia em que
o IN não tentava atacar o Quartel, mas sem atingir o alvo.
Cerca de 2 meses após a chegada da C.Cav. 3365, já haviam sido
evacuados vários feridos por acidentes com minas, quando ocorreu a
primeira situação mais grave de ataque ao Quartel. Estava quase toda a
companhia a almoçar quando nos apercebemos que estavamos a ser
atacados pelo IN, bem próximo. A malta da artilharia depressa tomou
posição de ataque e outros refugiaram-se nos abrigos com as
respectivas armas, e cerca de meia hora foi de fogo intenso de ambos
os lados.
A caserna onde eu dormia, do lado da pista do aeroporto, foi toda
alvejada com estilhaços que abriram buracos nas camas, do 2º. e 4º.
Pelotão. Até a gaiola do piriquito, do Cabo Santos, que estava
pendurada na parede, foi atingida. Não houve baixas do nosso lado além
do pobre piriquito.
Neste dia tivemos Sorte, mas, após o IN atingir o Quartel neste
ataque, muitos se seguiram onde houve mortes e feridos.

Bernardino Parreira
Ex Furriel Mil. - C. Cav. 3365
_

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P27: O camarada Plácido Teixeira da cav. 3365 71/73 pedio contactos com outros camaradas.



Mensagem do camarada, Plácido Teixeira da cav 3365 71/73, S. Domingos.
Com data de 27 12 2009



Ja agora deixo ao Senhor Parreira o favor de me contactar se for
possivel. Estive na Guine , S.Domingos 71/73 com.cav.3365.Ficaria
imenso grato que outros amigos me contactassem.Meu nome e Placido
Teixeira meu e-mail News1253@yahoo.com.
Fiquei muito contente quando vi o posting do Parreira e porque nao
contactar-me? Moro fora de Portugal mas visito frequentemente. Amigo
felicidades e um abraco
_

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P26: Natal de 69 S. Domingos







[Guiné]

Natal de 69 S. Domingos, Guiné.
Faz hoje quarenta anos:
Dia 24 de Dezembro, bastante actividade, as informações davam conta de grande movimento do In na zona de S. Domingos.
O Natal era sempre uma data a ter em conta:
Por essa razão havia que reforçar a segurança, essa missão foi entregue ao pelotão de caçadores nativos 60 e ao pelotão de artilharia…
Os dois Obuses que estavam instalados no topo do quartel e apontados para a fronteira do Senegal foram reforçados com o morteiro 81 mais dois morteiros 60…
E a noite de Natal foi assim partilhada com o pessoal da artilharia e alguns elementos da CCav 2539.
As sentinelas foram reforçadas estiveram envolvidas mais de cinquenta homens.
O Jantar foi como manda a tradição, batatas com bacalhau e couves, a companhia de cavalaria 2539 foi benemérita ofereceu uma garrafa de cerveja das grandes para cada homem, uma garrafa de brandi para cada mesa…
Por volta das duas horas da manhã já se ouvia a aqui e acolá alguns cantos e vozes alteradas era o efeito do álcool, as saudades que fazia o coração ser mais sentimental…
Era o momento em que as recordações tocavam mais fundo, mesmo nos corações mais duros, as recordações dos pais e da esposa e da namorada os amigos e os familiares.
E a saudade da sua aldeia natal.
A noite avançava lenta e monótona o cansaço era já patente nos rostos dos homens, a manhã raiava com ela o despertar dos pássaros, dos animais e das gentes das aldeias nativas…
O In resolveu não nos brindar com os seus canhões sem recuo, os seus morteiros 82 os RPG e as armas automáticas…
Todo este aparato nesta noite de Natal tem haver com o ataque feito na noite de trinta de Novembro, cerca das 00:05 minutos.
A hora em que ocorreu o ataque, apanhou toda a gente a dormir, a reacção ao In foi muito demorada pelo o nosso lado.
Quando as NT reagiram com as armas pesadas já o In tinha feito fogo durante vinte minutos, com todo o tipo de armas pesadas.
Usando pela primeira vez canhões sem recuo a menos de 350m do quartel…
O ataque durou cerca de trinta e cinco minutos, mas não houve feridos, uma vez que toda a gente estava enfiada nos abrigos.
Houve dois feridos do nosso lado, mas por acidente com uma bazuca.
O In já se dava ao luxo de atacar o quartel S. Domingos durante o dia.
Uma tarde por volta das 15h37min o In atacou em força, tanto do lado do cupilon, e ao fundo da pista como da ponta do inglês, …
Nesse ataque foram utilizadas granadas com espoleta retardada.
Ou seja as granadas entravam até a profundidade de um metro e explodiam.
Começou uma certa apreensão, já ninguém queria ficar nos abrigos…
Alguém pedio a intervenção da força aérea, mas não foi da parte do quartel:
Tinha sido o agente da PIDE DGS, só ele o podia fazer porque tinha um transmissor de ondas curtas.
Com a chegada da força aérea, o pelotão de caçadores nativos encontrava-se fora do quartel e sem comunicações o que podia trazer graves problemas, porque os pilotos não sabiam a nossa posição…
A presença da FAP pôs termo ao ataque, nós o pelotão de caçadores nativos 60 é que não ganhamos para o susto…
Natal de 69 na Guiné

Manuel Seleiro
_

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P25: O emblema,



O emblema do pelotão de Caçadores nativos 60.
Sedido gentilmente pelo Carlos Silva, com uma página dedicada a guerra na Guiné.
Guerra da Guiné Carlos SilvaOs meus agradecimentos aos amigos e camaradas que tentaram, junto das suas recordações encontrar o emblema.
Um obrigado a todos.

Manuel Seleiro
_

sábado, 12 de dezembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P24: O Natal é quando um homem quiser




[O Natal é quando um Homem quiser.)

O Blogue do pelotão de Caçadores Natibos 60 Guiné 68/74.
Deseja aos seus leitores, camaradas e amigos:
[Um Santo e ffeliz Natal]
Que o ano de 2010 seja repleto de paz e amor…

Manuel Seleiro
Coro infantil deSanto Amaro de Oeiras

_
name="allowscriptaccess" value="always">allowfullscreen="true" width="425" height="344">
Unlabeled 0
_

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P23: "No âmbito do Projecto VIVA, Maria Buinen e Rosa Mota...




Mensagem do Ex Fur Mil Parreira da CAV. 3365.
S. Domingos 71/73

Com data 07-12-2009



Caro amigo e Camarada Manuel Seleiro,

Certamente tens acompanhado esta iniciativa através dos orgãos de
comunicação social, mas resolvi enviar-te este texto para poderes
divulgar pelos teus familiares e amigos, ou mesmo no teu blogue.
Sei que nos une um grande espírito de solidariedade para com o
sacrificado Povo de S. Domingos, que tão bem conhecemos, e tudo o que
pudermos fazer para minimizar o seu sofrimento é bem recebido.

Um abraço e votos de saúde para ti e para os teus familiares.
Deste amigo algarvio

Bernardino Parreira



"No âmbito do Projecto VIVA, Maria Buinen e Rosa Mota participaram na
maratona de Lisboa, o primeiro momento que marcou o arranque de uma
campanha que permitirá levar água a 85 mil pessoas da região de S.
Domingos, na Guiné-Bissau.

A ONG VIDA (Voluntariado Internacional para o Desenvolvimento
Africano) com o apoio do LIDL, lançam dia 6 de Dezembro, a campanha de
angariação de fundos que, inserida no Projecto VIVA, pretende melhorar
a qualidade de vida de cerca de 85 mil pessoas de São Domingos, uma
região da Guiné-Bissau, através da construção de 54 furos artesianos.
Este projecto de angariação de fundos conta com o apoio, enquanto
embaixadora, de Rosa Mota.

O início desta campanha foi, simbolicamente, assinalado com a
participação de Maria Buinen, uma guineense que veio directamente de
São Domingos para participar com Rosa Mota na Maratona de Lisboa,
prova que teve lugar no domingo, dia 6 de Dezembro, pelas 09H00 no
Estádio 1º de Maio em Lisboa.

Após esta marcha, a qual simbolizou o esforço das mulheres que
percorrem a distância equivalente a uma maratona para terem acesso a
um dos bens mais essências da vida como a água potável, Rosa Mota foi
a primeira pessoa a contribuir para este projecto com 1 euro, valor
que reverte após o registo de uma garrafa de água vazia nas lojas LIDL.

Este primeiro contributo foi dado no LIDL da Av. Rio de Janeiro,
(junto ao Estádio 1º de Maio, de onde partiu a maratona) e onde Rosa
Mota marcou presença às 13H30.

Consciente da importância da valorização da vida humana, o LIDL abraça
este projecto com a ONG VIDA. A campanha de angariação de fundos
arrancou, procurando sensibilizar a sociedade para esta problemática
que é a dificuldade que existe no acesso a água potável na
Guiné-Bissau. Para aderir a esta causa basta, em qualquer loja LIDL,
efectuar o registo de 1 Euro, o valor de 1 garrafa de 1,5 L do
Projecto VIVA que estará ao lado de cada caixa registadora,
simbolizando a dificuldade que é ter acesso à água potável na
Guiné-Bissau.

A persistência de vencer, de ultrapassar obstáculos e de estar mais
próximo de todos, une uma vez mais os clientes ao LIDL, com o
objectivo de promover a igualdade de oportunidades. Através da garrafa
do Projecto VIVA estamos todos a contribuir para tornar acessível na
Guiné-Bissau um dos maiores bens essenciais à condição da vida humana:
a Água. Será esta a comunicação interna em todas as lojas Lidl de
Portugal: "um gesto, milhares de vidas".
_

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P22: O emblema e o Macaco




(O emblema e o Macaco)
S. Domingos ano de 69:
Para situar a história do emblema e o macaco, para quem teve em S. Domingo, de certo se lembra daquela avenida que partia do quartel em direcção ao Rio.
NA direita da dita avenida mais ou menos a meio, havia por ali uma tasca, que servia como prato da casa bife de Macaco…
Uma bela tarde passava eu por ali junto a tasca, metido com os meus pensamentos quando de repente senti que alguma coisa me puxava a manga da camisa, não reagi logo olhei a esquerda e a direita e não vi nada…
Não havia por ali ninguém a não ser a porta da taberna que estava aberta.
Decorridos alguns minutos, comecei a ouvir uns guinchos que me parecia ser de Macaco, olhei na direcção de onde partiam os guinchos, acima da minha cabeça, bem lá no alto de um poste estava um Macaco Cão com o meu emblema.
E como ele se divertia a olhar para o emblema e quando ameaçava mais ele saltava de contente.
O dono da taberna deu-se conta da situação e veio em meu auxílio, fazendo várias ameaças o que o Macaco se divertia, foi só quando ele usou de uma certa violência que o Macaco resolveu mandar com o emblema para o chão.
Brincadeiras de Macaco:
Resultado a manga da camisa rasgada e uns arranhões no braço.
Ainda hoje me pergunto:
Será que a presença do Macaco ali não era sinónimo, que o prato da casa era precisamente o bife de Macaco…

Manuel Seleiro
DFA
_

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P21: Equipa de futebol do Pel Caç Nat 60







Equipe de Futebol do Pel Caç Nat 60.
S. Domingos ano de 69

Muitas vezes para desanuviar a tenção, provocada pelas contínuas saídas para o mato...
eram criados torneios de futebol, onde participavam equipas da companhia de cavalaria 2539 e o Pel
Caç Nat 60...
Em Ingoré no ano de 68 quando do aniversário da Caç 1801 houve um torneio com as equípas do

destacamento de Barro, o pel caç nat 60 e uma equipe da 1801, em que saío vencedor o pel caç nat 60...

Para a lém de um contra-relógio de ciclismo com elementos da caç 1801 e o pel caç nat 60.
Nesse dia houve rancho melhorado...

ManuelSeleiro
DFA
_

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-P20: A quarenta anos em Nhambalã!






A Quarenta anos em Nhambalã:

Nhambalã?

O blog do pelotão 60 começa adar os seus frutos...
O primeiro telefonema, foi do camarada João Félix Dias Fur Mil da CCAV

2539.
Recorda o Félix que fez várias tentativas para me localizar, foi

através do blog do pelotão de caçadores 60 que me encontrou.
E as novidades não ficaram por aqui, ontem a noite tinha um comentário

ao post 16 as duas héro naves da FAP que mais voavam na Guiné.
Foi com emoção que li o comentário da esposa do Alf Mil Nélson

Gonçalves.
No dia 15 de Novembro falei com o Alf Mil Nélson ao telefone, foi uma

cascata de emoções e recordações...
Desde aquele fatídico dia 13 de Novembro de 69 que não nos

encontrávamos...

Nhambalã!

Manuel Seleiro
DFA
_

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-P19: Estive em S. Domingos 68/69

Mensagem de José Espadana:
Enviada a 23-11-2009

PERTENCI AO BAT.CAÇ.1933. COMP. 1790,1791, 1792. ESTIVE EM S. DOMINGOS EM 68 REGRESSÁMOS EM AGOSTO/69. SABE-SE POUCO DO MEU BATALHÃO.AGORA COM O CARLOS SILVA É QUE COMEÇARAM A APARECER ALGUMAS NOVIDADES QUE PODEM SER VISTAS EM http://www.carlosilva-guine.com/. PENSO QUE PELA 1ª VEZ APARECEM CERCA DE 70 FOTOS DE S.DOMINGOS. ERA CONDUCTOR E PRESTEI SERVIÇO NA MESSE DE OFICIAIS. ESTIVEMOS LÁ, MAS HÁ SITUAÇÕES QUE JÁ NÃO RECORDO.PASSARAM 40 ANOS.É MUITO TEMPO.LEMBRO-ME ÁS VEZES DA MINHA LAVADEIRA ,SÓNIA DO CUPILON, TINHA 14 ANOS.COMO ESTARÀ AGORA? REFORMEI-ME´HÁ POUCO E AGORA VOU PRESTAR MAIS ATENÇÃO .JUNTO ENVIO DUAS FOT. UMA ACTUAL OUTRA DOS VELHOS TEMPOS.
COMAND.TEN. COR.ARMANDO VASCO DE CAMPOS SARAIVA. TEVE UM ACIDENTE COM UMA MINA AO FUNDO DA PISTA.FICOU SEM AS DUAS PERNAS.FALECEU HÁ CERCA DE 3 ANOS.José Espadana
ESTAMOS VIVOS. UM ABRAÇO CAMARADA.

Manuel Seleiro
DFA
_

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P18: Tributo aos Combatentes Africanos



“Tributo aos Combatentes Africanos”

Mas a nossa intenção não é contar a história de um dos muitos militares que estiveram
num dos teatros de operações na época. Pretendemos sim, prestar homenagem
àqueles que, mesmo querendo, não conseguem fazer ouvir a sua voz ou publicar os
seus escritos, talvez mais extensos do que outro qualquer militar metropolitano: os
militares Africanos.
Mas, na realidade, a referência às unidades do Exército, não esquecendo os outros
ramos das Forças Armadas, deve-se à impossibilidade de referir todos e cada um dos
cerca de 7.500 militares africanos que combateram ao lado dos metropolitanos.
Também há que referir as unidades de milícias, uma força paramilitar mal armada e
muitas vezes mal instruída, assim como os caçadores civis, os guias, os carregadores
os assalariados e outros, que também prestaram uma valiosa contribuição no esforço de
guerra junto das unidades militares.
Quando passei por aquela terra, na unidade em que servi, conheci soldados cujo
número mecanográfico terminava em 61, ou seja, tinham sido alistados em 1961 e, há
poucos anos, ao ler relatórios sobre a minha companhia, datados de 1973 e 1974, lá
constavam soldados alistados naquele ano. Isto quer dizer que houve homens –
soldados africanos - que cumpriram 13 anos de tropa o que equivale a 13 anos de
guerra, e que, na realidade, é muito tempo.
Em 1959/1960, com a nova orgânica das unidades nos territórios ultramarinos, foram
atribuídas à Guiné três companhias de caçadores indígenas e um grupo de artilharia de
campanha, no que concerne a tropas operacionais. Em 1960 já estavam criadas a 1ª
CCaçI e a 4ª CCaçI, assim como o Grupo de Artilharia de Campanha 7. A 3ª CCaçI foi
criada em Agosto de 1961. Estas unidades eram constituídas por praças africanas,
enquadradas por oficiais, sargentos e praças especialistas europeus. Estima-se que
nesta altura haveria cerca de 1.000 elementos africanos nas forças armadas
Com a chegada de unidades de reforço à província, muitos militares do recrutamento
local, foram atribuídos a essas unidades, transitando para as que vinham substituir as
anteriores.
A partir de 1966, os africanos foram chamados a uma intervenção mais activa no
esforço de guerra. Foi iniciada a constituição de Pelotões de Caçadores Nativos
(PelCaçNat) tendo sido formados sete pelotões numerados de 51 a 57. Estas unidades
eram comandadas por um oficial com a patente de alferes, coadjuvado por furriéis e

“Tributo aos Combatentes Africanos”
de: José Martins
3/6
praças especialistas europeias, uma estrutura adaptada à sua dimensão – entre 30 a 40
homens. Neste ano subiu, para 3952, o número de tropas locais em serviço.
O ano de 1967 foi um ano de viragem. As companhias de Caçadores existentes foram
redenominadas e transformaram-se nas CCaç 3 (ex-1ª CCaçI), CCaç 5 (ex- 3ª CCaçI) e
CCaç 6 (ex- 4ªCCaçI), além da formação de mais um PelCaçNat o nº 58.
Em 1968 foram criados 11 novos PelCaçNat, a quem foram atribuídos os números de 59
a 69, e em 1969 foram criadas as CCaç 11, 12, 13 e 14, a partir das CArt 2479 e CCaç
2590, 2591 e 2592, que já tinham uma constituição igual às anteriores companhias
existentes do recrutamento local ou foram adaptadas.
No período entre 1970 e 1973 foram constituídas mais sete companhias de
recrutamento local, as CCaç 15, 16, 17 e 18 (em 1970), a CCaç 19, (em 1971) e as
CCaç 20 e 21 (em 1973). Em 1973 foi, também, constituído o Pel.Caç.Nat 70.
A partir das antigas equipas de comandos, nas quais já se integravam muitos militares
africanos, foi constituída a 1ª Companhia de Comandos Africanos (1969) seguida da 2ª
CCmdsA (1971) e 3ª CCmdsA (1973), constituindo, neste ano, o Batalhão de Comandos
da Guiné.
Esses foram os verdadeiros heróis que, batendo-se nas mesmas condições de que
qualquer militar metropolitano, já lá se encontravam quando chegávamos e lá
continuaram quando partíamos, e a maioria lá ficou quando, ao abrigo do Acordo de
Alvor, datada de 26 de Agosto de 1974, entregaram as armas [artigo 17º do anexo ao
Acordo: “As forças armadas portuguesas obrigam-se a desarmar as tropas africanas sob
o seu controle. A Republica da Guiné-Bissau prestará toda a colaboração necessária
para o efeito.] e, receberam um punhado de dinheiro [artigo 24º do anexo ao Acordo: A
Delegação do PAIGC regista a declaração do Governo Português de que pagará todos
os vencimentos até trinta e um de Dezembro de mil novecentos e setenta e quatro aos
cidadãos da Guiné Bissau que desmobilizar das suas forças militares ou militarizadas,
bem como aos civis cujos serviços às forças armadas sejam dispensados.], tiveram que
regressar às tabancas e iniciar uma vida para a qual não havia, e provavelmente ainda
não há, futuro promissor. Foram estes homens que, vivendo com as famílias a seu lado,
se despediam delas sem saber se voltavam da operação de combate em que iam
participar. Foram estes homens que, faziam amizade com “o branco”, mas este
terminada a sua comissão de serviço regressava, mas ele “o preto” ficava e continuava
a luta.
Foram destes homens que se ouviu, muitos anos depois, frases como a que Assumane,
um “mecânico de bicicletas” em Bissau, que tinha percorrido toda a região do Gabú
quando foi soldado respondeu, quando lhe perguntaram porque não continuou no

“Tributo aos Combatentes Africanos”
de: José Martins
4/6
exército depois da independência: “Eu jurei bandeira do português, não pode jurar
duas bandeiras”.
3ª C. CAÇ I
Nova Lamego - 1962/1967
4ª C. CAÇ I
Bolama - 1962/1967
C. CAÇ. 3
Barro/Cacheu - 1967/1974
C. CAÇ. 5
Nova Lamego -
1967/1974
C. CAÇ. 6
Bedanda -
1967/1974
C. CAÇ. 11
1970/1974
C. CAÇ 12
Bambandinca -
1970/1974
C. CAÇ. 13
Bissorã -
1969/1974
C. CAÇ 14
Bolama -
1970/1974
C. CAÇ. 15
1970/1974
C. CAÇ. 16
1970/1974
C. CAÇ. 17
1970/1972
C. CAÇ. 18
1971/1973
PEL. CAÇ. NAT. 51
1966/1974
PEL. CAÇ. NAT. 52
1966/1974
PEL. CAÇ. NAT. 53
1966/1974
PEL. CAÇ. NAT. 55
1966/1974
PEL. CAÇ. NAT. 57
1967/1974
PEL. CAÇ. NAT. 58
1967/1974
PEL. CAÇ. NAT. 60
1968/1974
PEL. CAÇ. NAT. 69

“Tributo aos Combatentes Africanos”
de: José Martins
5/6
Batalhão de Comandos da Guiné
PELOTÃO DE MILÍCIAS 169
(Guiné 1965)
PELOTÃO DE MILÍCIAS 410
Companhia de Milícias de Jugudul
Guiné 1973/1974
GRUPOS ESPECIAIS
(Guiné )
Retirado, com a devida vénia, de http://brasoes.home.sapo.pt

“Tributo aos Combatentes Africanos”
de: José Martins
6/6
O Autor:
Nascido em Leiria em Setembro de 1946, foi recrutado em Julho de 1967 tendo
frequentado o Curso de Sargentos Milicianos. Foi mobilizado e embarcou para a Guiné
em Maio de 1968, onde foi integrado na Companhia de Caçadores nº 5, unidade do
recrutamento local do Comando Territorial Independente da Guiné, até Junho de 1970,
data em que regressou, passando à disponibilidade no mês seguinte.
1968/1970 – Furriel Miliciano de Transmissões de Infantaria
Nova Lamego e Canjadude - Guiné
2008 – Técnico Oficial de Contas – Grande Lisboa

Nota de Manuel Seleiro.

Texto em PDF:
Enviado pelo João Manuel Félix Dias Fur Mil da companhia de Cavalaria-2539.
Manuel Seleiro

DFA

_

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pel Caç Nat60 Guiné 68/74-P17: Emblema do Pel Caç Nat 60


Camaradas do pelotão de Caçadores Nativos 60.
Quero aqui fazer um pedido:
O nosso pelotão tinha um emblema, seria e interessante se algum dos camaradas tivesse essa preciosidade...
O blog do pel Caç Nat 60 ficava muito agradecido.
E dava outro destaque ao blog...
Desculpem a modéstia, mas o emvlema era mesmo bonito!

Manuel Seleiro
DFA
_

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-P16: As duas héro naves da FAP que mais voavam na Guiné




S. Domingos 69/70

Pel Caç Nat 60
Dois dos meios aérios da FAP mais utilizádos na Guiné.
O helicóptero e a avioneta, esta mais conhecida como dorniér...
Duas das aéro naves de características técnicas diferente na maneiras de atuar nos diverssos

teatros de operações.
Máquinas que voavam diáriamente, de Bissau para os diverssos destacamentos...
Era o meio de transporte mais rápido, na evacuação de feridos para o Hospital...
No transporte de pessoal e uma coisa que era sempre esperada com grande ansiadade era o correio.
Qualquer destes meios não aterrava sem que fosse feita segurança a pista.
As fotografias mostram duas dessas aéro naves a dorniér na pista do quartel, de S. Domingos e o

helicóptero que pousou no quartel de Ingoré...

Manuel Seleiro
Primeiro cabo
DFA
_

domingo, 8 de novembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-P15:A volta dos tristes



S. Domingos

A volta dos tristes:

Não sei que comandante mandou elaborar esta norma que constava do seguinte:
Todos os dias depois do jantar um pelotão saía do quartel depois de saír andavámos uns 400 metros

e entravamos num trilho á direita do arame farpado e seguiamos paralelamente ao quartel,

continuávamos a contornar pelo topo do quartel e da pista.
De novo paralelamente á direita do arame farpado.
Aqui saíamos do trilho uns vinte metros e ficávamos aqui embuscados, até cerca das 23h30min...
Depois regressávamos ao quartel. Alguém lhe chamou a volta dos tristes.
Em 68 quando cheguei a S. Domingos já esta norma estáva em vigor.
Um ano depois quando regressámos a s. Domingos a volta dos tristes continuava...
Uma noite estáva o pelotão 60 embuscado a 300 metros do arame farpado quando ao longe se ouviu um

tiro, em seguida um soldado do pelotão 60 disparou a G3...
O sentinela que estava na torre junto a pista disparou várias rajadas na direcção onde nós

estávamos embuscados...
A nossa protecção era o capim e nada mais! colámo-nos ao chão e fomos rastejando até á pista onde

o Alf Mil Nélson Gonçalves e o restante pessoal branco saíu correndo com os braços no ar e

gritando para o sentinela que era o pelotão 60 enquanto os soldados africanos continuavam

deitados no capim não fosse o diabo tecê-las...

Manuel Seleiro
DFA
_

sábado, 7 de novembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-P14: Chão que nós pisamos!


Mensagem do nosso camarada Bernardino Parreira Fur Mil da CAV. 3365-s. Domingos 71/73
Com data de 07-11-2009



Chão que nós pisamos!

Camarada Manuel Seleiro,

Fiquei muito sensibilizado ao ler, no teu blogue, a descrição do
acidente que sofreste. Tendo lá assistido a alguns acidentes ocorridos
em idênticas circunstâncias, posso garantir-te que me parecia que
estava a rever essas tragédias passados 38 anos. Eu era um dos
furrieis do pelotão comandado pelo Alferes Fortuna, dirigente da ADFA,
que numa saída para o mato, quando ele procedia à desmontagem de uma
mina, que estava armadilhada, a mesma explodiu. Não vou entrar em
pormenores, porque isso só ele poderá fazer, mas terei para sempre
gravadas na minha memória essas imagens de horror. Ele também perdeu a
visão.
Pelas datas, dá-me ideia que tu estavas a acabar a comissão na Guiné
quando ocorreu o acidente. Só quem passou por aquela maldita guerra
sabe o medo que tinhamos das minas, principalmente nos últimos meses
de comissão, que parecia que o tempo nunca mais acabava. Eu estive
cerca de 24 meses na Guiné, entre 71/73 , e regressei em Março/73.
Nas saídas para o mato, quer de dia quer de noite estive inúmeras
vezes sentado nos marcos que referiste que íam pintar nesse fatídico
dia.
A sede do meu Batalhão, B. CAV. 3846, era em Ingoré, e a minha
companhia 3365 estava em S. Domingos, outra estava em Susana, e a
outra em Olossato.
A propósito dos marcos e da fronteira que nós tão bem conhecemos, aí
te envio uma notícia que não sei se tens acompanhado, que tem a ver
precisamente com esses marcos da divisão da linha de fronteira da
Guiné com o Senegal.

Um grande abraço deste amigo algarvio,

Bernardino Parreira

Resposta de Manuel Seleiro
Caro camarada Parreira, a nossa missão nesse dia era pintar os marcos que fazia a fronteira com o Senegal/Guiné Bissau.
O acidente do Alf Mil Fortuna foi no mesmo trilho onde ocorreu o meu...
Conheci o Fortuna em Barcelona/clinica Barraquer...

_

UOL NOTÍCIAS
04/11/2009 - 19h46
Militar guineense descarta litígio com Senegal por fronteira
Bissau, 4 nov (Lusa) - O chefe do Estado-Maior Geral das Forças
Armadas (CEMGFA) da Guiné-Bissau, José Zamora Induta, afastou nesta
quarta-feira qualquer hipótese de conflito com o Senegal, mas insistiu
na necessidade de a fronteira entre os dois países ser respeitada.

"Hoje, no mundo em que estamos, não há hipótese de haver litígios por
causa da delimitação da fronteira, porque os marcos, felizmente,
quando foram feitos têm as coordenadas, mesmo tirando um pilar do
lugar, com GPS consegue-se localizar o lugar. Não há hipótese de haver
problema", explicou o contra-almirante.

Induta fez estas declarações em Suzana aos jornalistas que o
acompanharam em uma visita aos militares guineenses estacionados desde
17 de outubro ao longo da linha de fronteira com o Senegal, entre as
localidades de Ingore, Sedengal, São Domingos e Suzana.

Perguntado pela Agência Lusa sobre o pilar 184, que tem sido o motivo
da discórdia entre Guiné-Bissau e Senegal com cada um dos países que
afirmam que o marco se encontra dentro de seu território, Induta disse
ser necessário ir ao local para que se saiba em que parte o pilar está.

De acordo com o militar, apenas a comissão mista recentemente sugerida
entre os ministros da Defesa dos dois países poderá esclarecer onde se
encontra o pilar 184 e qual sua distância em relação à fronteira
traçada pelos colonos.

"É por essa razão que criamos a comissão mista, para que possamos
saber, efetivamente, onde é que se encontra esse pilar. Não há motivos
para confusão porque esses pilares todos têm coordenadas e, com
aparelho GPS, vamos chegar lá", disse Induta, ao responder à pergunta
da Lusa sobre a localização do marco 184, sobre se está localizado na
parte guineense ou em território senegalês.

Para o chefe das Forças Armadas guineenses, a disputa entre a
Guiné-Bissau e o Senegal "não se trata de um litígio", mas sim visa o
esclarecimento sobre a soberania de cada Estado.

"Eu não chamo isso de litígio. Como disse, a presença do Estado
guineense desde a independência tem sido fraca, de forma que há marcos
que delimitam a fronteira e eles têm que ser vigiados. Não tivemos a
presença devida como devia ter sido e, neste momento, estamos à
procura desses marcos e repô-los nos lugares certos, para que possamos
ter a noção exata do nosso território", afirmou o militar. Sobre a
data em que a comissão mista irá ao terreno para analisar os marcos e,
eventualmente, repô-los em seus devidos lugares, Induta disse que o
assunto compete aos dois governos, mas esclareceu que as Forças
Armadas pretendem agilizá-lo.

Enquanto a comissão não for ao terreno e as partes não chegarem a um
consenso sobre os marcos que terão que ser repostos em seus
respectivos lugares, o chefe das Forças Armadas guineenses afirmou que
os militares do país permanecerão no corredor Ingoré/Varela.

"Os militares estarão cá até quando for entendido que já não devem cá
estar", defendeu Induta.
do UOL Notícias

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-p13: O Nhambalã



Fur Mil Rocha do Pelotão Caç Nat 60:




Esta foi a primeira mina anti-carro a ser desactivada sem problemas...
Na estrada São domingos Susana.Na foto o Alf Mil Gonçalves e o primeiro cabo Manuel Seleiro



Este é o buraco provocado pela minaanti-carro, e o estado em que ficou a viatura onde seguia o Alf Mil Gonçalves.
_


São Domingos 13-11-69
O pelotão de caçadores 60 e um pelotão da companhia de cavalaria 2539 saíram numa coluna auto para uma missão a Susana/Varela.
A coluna era comandada pelo Alf Mil Nelson Gonçalves do pelotão 60, encontrava-se na terceira viatura que era um hoonimog novinho em folha tinha uma semana...
No dia 13 de Novemvro (não sei se era sexta feira!)
O soldado Guilherme que fazia anos neste dia teve uma sorte incrível, três minutos antes da mina anti-carro ter sido accionada o Guilherme ia a falar com o Alferes Gonçalves junto a roda que accionou a mina anti-carro.
Por um daqueles mistérios que ninguém sabe explicar o guilherme avançou uns cinco metros para a frente da viatura assim excapou a morte certa...
A primeira mina anti-carro foi descoberta e foi desactivada pelo primeiro cabo Seleiro, que está na foto com o Alferes Gonçalves.
A segunda mina anti-carro estava a uns trinta metros mais á frente num local que escapou aos Homens das picas...
Era uma ligeira subida onde o terreno era bastante duro, suponho que o que levou o In a montar a mina naquele local foi que há algum tempo atrás caíra ali uma árvore de grande porte como havia vestígios de alguns ramos e folhas secas, portanto o local certo para colocar a mina...
Na altura da explosão houve uns momentos de supresa, a reacção foi atirarmo-nos para o chão...
Passados os primeiros minutos que antecedem o choque da explosão, esperavamos que houvesse uma emboscada...
Não foi o caso, a minha secção vinha na última viatura. Montada a segurança socorreu-se o Alf Mil Gonçalves que estava gravemente ferido, creio que a secção que ia na GMC na frente da coluna éra comandada pelo Fur Mil Félix Dias da ccav 2539 que seguia com o Alf Mil Gonçalves para São Domingos...
Nós ficamos no local da viatura acidentada, decorridos uns dez minutos ainda não sabíamos do Gama o condutor da viatura, perante o nosso espanto vimos sair do mato um homem mais parecido com um sonâmblo e a sua cara estava mascarrada, o seu olhar ausente o seu andar mais parecia um autómato foi preciso muito tempo para que falasse, mas não sabia o que se tinha passado ali...
Este homem levou muitos dias para recuperar totalmente.
O Guilherme o Soldado de transmições quando se apercebeu no que lhe podia ter acontecido chorava.
Nós só saímos do local cerca das 17:33 minutos com a viatura acidentada para o quartel de São Domingos.

Manuel Seleiro
Primeiro Cabo
_

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-P12: O regresso ao ponto de partida







Pelotão de Caçadores Nativo 60
São Domingos Setembro de 69
O regresso ao ponto de partida, depois de cerca de 12 meses em Ingoré.
Como referi na ultima postagem nº 10 as coisas na zona de São Domingos não corriam bem ...
A CCav 2539 era a companhia que se encontrava em São Domingos...
Havia grande actividade do In na zona, no espaço de dois meses ouve dois ataques ao quartel coisa anormal de um dos ataques ter sido durante a tarde e de grande duração sendo necessário a intrevenção da força aérea.
O segundo ataque foi a noite, caso raro o início foi depois da meia-noite e teve a duração de trinta e cinco minutos ..
Neste ataque houve feridos mas não foi do In, foi um disparo acidental com uma Bazooka que resoltou em dois feridos um com gravidade.
Este ataque do In foi feito de vários pontos pela primeira vez o In usou canhões sem recúo, vários morteiros 82 e RPG, metralhadoras pesadas.
De dia para dia as coisas ficavam piores, um homem da CCav 2539 accionou uma mina anti-pessoal ficando gravemente ferido.
No mesmo trilho um milícia perdeu uma perna quando accionou uma mina anti-pessoal.
E as coisas não ficariam por aqui...

Primeiro cabo Manuel Seleiro
_

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -p11: saída de Ingoré






Setembro de 69 o pelotão de Caçadores 60 sai de Ingoré para São Domingos, agora como seu comandante o Alf Mil Nélson Gonçalves e o Fur Mil Rocha o restante do pessoal mantem-se...
As saudades já se começam a sentir sempre foram onze meses a conviver com a companhia 1801 e o pelotão das Daimlers, a 1801 já acabou a sua comissão.
O pessoal das Daimlers ainda lhe falta uns seis meses, o pelotão 60 ainda vai fazer muitas colunas com o resto do pessoal das daimlers que está em São Domingos.
Quando chegamos a São Domingos as informações que tivemos não foram nada boas...
Estrada de Ingoré/Sedengal, mesmo a saída de Ingoré havia uma ponte, como se pode ver na fotografia uma das tábuas está fora do sítio.
Depois de uma apurada inspecção conclui-se que não havia perigo para as viaturas passarem.

Manuel Seleiro
_

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pel CaçNat 60 Guiné 68/74 -p10: [LÚNTA]


Ingoré ano de 69.
Numa manhã pacata em Ingoré cerca das 11horas começou-se a ouvir lá para os lados da casa do chefe de posto uma grande algazarra...
Alguns militares foram ver o que se passava, havia por ali uns quantos melícias com um indivíduo com as mãos amarradas diziam com a voz exaltada que o homem era do In.
O homem em questão era natural de Ingoré aparentava uns vinte cinco anos, tinha um porte atlético e uma personalidade bastante forte.
Trajava o habitual pano como túnica, deslocava-se com um certo avontade tinha um carisma de que sabia o que cria...
Nesse mesmo dia foi entregue ás autoridades militares.
Estava eu de cabo de dia, o preso foi entregue por os Cipaios sendo conduzido á prisão por mim.
Quero aqui referir que as duas prisões que havia no Quartel de Ingoré não tinham mais de um metro e vinte por um metro e vinte...
Já se encontravam numa das prisões dois presos que estavam ali desde o grande ataque ao quartel de Ingoré em 67 que fez um morto e alguns feridos...
A idade destes dois presos era entre os quarenta e os dezasseis anos já tinham uma certa liberdade, o trabalho deles era andar no carro da àgua para abastecer o quartel, o condutor do Honimóg nem sequer andava armado.
Voltamos ao preso de nome Lúnta este requeria mais atenções eram as ordens do Cap Rosa da C.Caç 1801 o preso só saía para comer e fazer as suas higiénes pessoais.
Uma semana depois o Lúnta foi levado numa coluna militar auto, feita pelo pelotão de caçadores Nativos 60 que foi ao encontro da coluna de Barro, onde foi feita a entrega do preso.
Um Mês depois foi novamemte o Pelotão de Caçadores 60 que foi ao encontro da coluna de Barro, onde nos foi entregue de novo o Lúnta.
O preso foi de novo metido na prisão até novas ordens, o que não tardou muito que o Lúnta não andasse em liberdade no quartel...
Caso que estranhou muito, a partir daí instalou-se um certo mau estar nos militares e nos milícias que continuavam afirmar que o Lúnta, era um comandante do In...
E o facto veio a confirmar-se mais tarde...
O referido Lúnta foi posto em liberdade por ordem militar, andou cerca de quinze dias em Ingoré a passear muito senhor de sí.
Num dia em que se realizou uma prova de ciclismo havia vários postos de controlo, num destes postos estava éu, para quem teve em Ingoré de certo se lembra do poço da àgua havia aí um cruzamemto da estrada que saía de Ingoré para Ingorézinho aí era o meu posto de controlo, e aí estava eu com um papel e uma caneta, e o relógio para fazer o control dos ciclistas que passabam por ali.
Quando me dei conta tinha o Lúnta perto de mim, confesso que fiquei com medo pois não estava armado, a final ainda estava a duzentos metros do quartel.
Mas o Lúnta sentou-se perto de mim, e chegámos a falar e tivemos para ali a conversar uns trinta minutos depois pediu um cigarro tirei o maço dei-lhe o resto dos cigarros, comprimento-me e depois partiu em direção a Ingorézinho e mais ninguém o viu.
Uma semana mais tarde houve militares que ouviram na Rádio do PAIGC a informação que Ingoré ia ser atacada durante três dias ...
Vejam só quem comandava o grupo de cinquenta guerrilheiros o nosso amigo Lúnta.
No segundo dia de ataques na zona de Ingorézinho ele fez questão de se mostrar quando alguns elementos da tabanca de Ingorézinho andavam no campo a trabalhar, fez alguns desses elementos prisioneiros.
Mas depois soltou-os mas sem antes dizer que era o comandante operacional do In na zona de Ingoré.

Manuel Seleiro
_

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P09: A emboscada noturna e as cobras





Ingoré Ano de 69 Pel Caç Nat 60.
Saída de Ingoré ás 17 horas destino ao mato para uma emboscada nocturna...
Estrada Ingoré Sedengal percurso em viaturas até ao trilho que teríamos que andar durante uma hora.
A partir das 18 horas e 45 minutos a chuva começou a cair.
Ás 19 horas chegamos ao local da embuscada, fizemos a refeição da noite habitual lata de sardinhas ou choriço enlatado as bolachas de àgua e sal e o saquinho com a fruta cristalizada.
Vinte e duas horas, e a chuva aumentou a sua intensidade, não havia necessidade de manter as capas para chuva, o pessoal estava encharcado...
Meia noite, a trovoada rebentou por todos os lados os relâmpagos eram constantes, para completar a festa as Hienas fizeram a sua aparição...
Confesso que tive medo, não sei se da trovoada ou das Hienas nem pensava no In...
Que afinal aquilo era lá tempo para se andar a fazer a espera ao In.
Cinco e trinta da manhã o dia rompia finalmente por entre as árvores o sol estava radioso nem parecia que tinha chuvido toda a noite.
Aqui comessa a história das cobras.
A minha arma teve toda a noite com a coronha em cima das cobras, quando me virei para pegar a arma fiquei como paralizado a olhar para aqueles dois exemplares que estavam ali bem enrruscadinhos um no outro.
Já se deram conta que eu podia durante a noite ter-me sentado em cima das cobras...
Quando alguns Homens se aperceberam da situação tentaram atirar nas cobras, foram empedidos de o fazer para não sermos denuciados.
Um soldado nativo com um pau, acabou com a vida das cobras.
Os répteis foram levados para o quartel onde serviram de cenário para serem exibidos nas fotografias.

Primeiro Cabo Manuel Seleiro
_

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P08:A enmboscada a viatura do SR Artur Silva na estrada Ingoré São Vicente







Ingoré Ano de 69:
Artur Silva, comerciante em Ingoré dono de alguns dos edifícios alugados ao Exército.
Tinha uma viatura pesada, alguns empregados negociavam com produtos agrículas em particular o amendoim.
Armazenava grandes quantidades de produtos, que depois eram transportados em viaturas militares para São Vicente e daí nos batulões, da companhia Ultramarina para Bissau.
Vem isto a propósito de uma coluna militar, feita pelo pelotão de caçadores nativos 60 comandada pelo Alf Mil Almeida, que devia sair de Ingoré pelas 8 horas da manhã com destino a São Vicente, Rio Cacheo.
A coluna era formada por quatro viaturas a saber uma mercedes, uma GMC, dois hanimogues e a viatura do SR Silva...
Total cinco viaturas...
Razão desta coluna ir a São Vicente para trazer os abastecimentos que se encontravam no Rio Cacheo em dois batolões.
A partida de Ingoré foi atrasada uma hora mesmo assim o SR Silva não saíu com a coluna militar, a sua partida na sua viatura foi feita vinte minutos depois os primeiros três Kilometros foi feita sem escolta militar.
Eram 12 horas e 36 minutos, todas as cinco viaturas estavam carregadas, foi dada a ordem de partida para Ingoré com passagem por a Totinha onde foi feita uma curta paragem para os homens descançarem.
Enquanto isso o Alf Mil Almeida e o SR Silva tinham tido uma converssa, a respeito da paragem feita pela coluna, que se resume ao seguinte o SR Silva não queria perder tenpo e assumiu a responsablidade de seguir só com a sua viatura.
A saber iam na viatura sete pessoas todos civis, na cabina ia o condutor um empregado da companhia Ultramarina um jovem de Cabo Verde o SR Silva e em cima da mercadoria iam as quatro pessoas.
Logo esta viatura não levava escolta militar.
Tinham decorrido trinta minutos quando começamos a ouvir rebentamentos, e rajadas de armas automáticas ninguém lhe ocorreu que se tratava da viatura do SRSilva...
A verdade era nua e crua tinha sido uma embuscada.
Resoltado dois mortos e dois feridos graves, os mortos foram o SR Silva e um empregado os feridos foram dois empregados.
O cabo Verdiano desapareceu...
Quando nós chegámos ao local da embuscada era só destruição e morte...
A viatura estáva carbonizada, ainda havia explosões das garrafas de gás.
Claro que a embuscada era para a coluna militar e aí era o descalabre total, a viatura da frente era a mercedes que levava vinte bidons de gasolina, a última trazia cinco caixas de granadas do morteiro 10.7 ...
Seria o Inferno na estrada de São Vicente Ingoré.

Primeiro Cabo Manuel Seleiro

__