(Pel Caç Nat 60 )
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sábado, 1 de setembro de 2012

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P 130: Gosto desta foto:


Gósto desta foto:

a algo de expressivo, no olhar deste homem...

O que estaria a pensar naquele momento?

1º Cabo Caçador

Manuel Seleiro

Pelotão de Caçadores Nativos 60:

S. Domingos/Ingoré / Susana.

68/74

Foto tirada no dia 4 de Março de 1970:

"DFA"


M. Seleiro.
_

quarta-feira, 10 de março de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P61: Aquele dia, (Dez de Março de 70!)



[Guiné]


Decorria então o Ano de 1970 na Guiné.

O primeiro cabo Seleiro a porta da habitação, cinco dias antes do acidente.
Quartel de S. Domingos.

Sector Militar, de São Domingos:
Algures nas matas da Guiné, junto a fronteira do Senegal.
Destacamento de São Domingos, sete trinta da manhã o pelotão de caçadores Pel Caç Nat 60.
Sai com destino, a fronteira do Senegal objectivo pintar os marcos que faziam a divisão da fronteira Guiné/Senegal...
As dez e meia da manhã volvidos os primeiros vinte quilómetros já em plena mata há uma chamada de atenção, alguma coisa se passa.

Os Homens paçam a palavra até chegarem a minha secção.
Sou informado que na frente, foi detectada uma mina anti-pessoal os Homens ficam nervosos.
Quando cheguei ao local da mina, o Alf Mil Hugo Guerra, informa que vai tentar levantar a mina, Decorridos alguns minutos pergunto ao Alf Mil Hugo Guerra como iam as coisas o que ele me responde que estava nervoso.
O Alf Mil Hugo Guerra da a ordem para que a mina seja desactivada.
Tomei o lugar dele junto da mina.
Procede-se a segurança do local para que as coisas decorram sem incidentes.
Mando afastar os Homens a uma distância razoável, processo que requer muita atenção.
Procede-se a desminagem do local, o momento de muita tensão...
O passo seguinte é desmontar o sistema da mina, que é constituido por a Dinamite, o
detonador este o mais perigoso que requer particular cuidado...
O inevitável aconteceu, a mina estava armadilhada e explode, gritos, confusão, leva algum tempo até os Homens se recomporem.

Esta fotos foram tiradas junto a porta da arrecadação do velho quartel de S. Domingos.
A foto mostra as três minas em situações diferentes.
A primeira está fechada e pronta a ser acionada.
A segunda está aberta, vê-se a dinamite e o mecanismo.
A terceira está aberta vê-se todo o mecanismo desmontado.


No momento tudo ficou em silêncio depois as vozes de algums soldados Que se aproximavam.
Senti umas mãos que me seguravam, era o enfermeiro José Augusto, que me prestava os primeiros socorros, colocava os garrotes para parar as hemorragias, o soro e uma injecção para as dores.
Alguns homens preparavam uma maca, com as camisas e uns paus para me transportar, fizeram cinco quilómetros comigo através da mata serrada.
O Alf Mil Hugo Guerra sai ferido com alguma gravidade…
Como estava relativamente perto de mim foi atingido por estilhaços.



Na foto acima está o Ex Alf Mil Hugo Guerra e o primeiro cabo Seleiro.


Pelo Rádio foi pedido ao quartel de São Domingos para mandarem viaturas ao nosso encontro para chegar mais rápido apista onde deveria estar uma avioneta a espera.
Assim foi quando chegamos a pista já lá estava avioneta, fui entregue á enfermeira Pára-quedista, (quero aqui prestar a minha homenagem a estas Mulheres, em particular a enfermeira Ivone).
Estas Mulheres muitas vezes corriam o risco quando tinham de socorrer os feridos em pleno combate...
Meia hora depois chegam a Base Aéria e fui levado para o Hospital Militar de Bissau.
Já no hospital, foram feitas as primeiras intervenções cirúrgicas, provavelmente devido as anestesias perdi a noção do tempo, e do local onde me encontrava.
Num momento de lucidez ouvi passos, que se aproximavam perguntei:
Onde me encontrava, foi me dito que estava no hospital de Bissau, perguntei quando ia para Lisboa: a resposta foi amanhã.
No dia seguinte pela manhã, tive a visita do Governador da Guiné o General António de Spínola.
Que deixou palávras de consolo e rápidas melhoras, e um elogio pelo dever de servir a Pátria...
Nesse mesmo dia a noite saí da Guiné no avião Militar.
Cheguei a Lisboa no dia treze de Março por volta das cinco da manhã caía uma chuva miudinha.
As macas eram muitas pois este avião Militar fazia o transporte de Angola, Moçambique, e Guiné, Em Lisboa as ambulâncias faziam o percurso de noite para não chamar a atenção dos lisboetas.
Nesta altura já estava internado no hospital Militar, na Estrela
Serviço de cirurgia plástica.
Quero aqui informar que logo que dei entrada neste serviço, entrei em coma...
Só decorridos quinze dias recuperei a consciência.
A partir da qui foi um desencadiar de acontecimentos uns bons e outros maus.
Descobri que não tinha uma das mãos o braço esquerdo estava com gesso, e tinha os olhos com pensos este foi o primeiro choque que sofri.
Os dias iam passando lentamente, até descobrir que estáva cego...
Mas o mais grave desta situação, a minha família não sabia que eu estava gravemente ferido no hospital Militar, os serviços do Exército não comunicaram o facto a minha família.
Os meus pais tiveram a informação por um amigo meu que por essa altura prestáva serviço no hospital militar.
O tempo decorrido da minha chegada a Lisboa, até os meus pais terem conhecimento foi de 23 dias...
No ano de setenta completei vinte e quatro anos estáva na flor da idade, andei de serviço em serviço durante mais quatro anos.
Em setenta e cinco saí do hospital Militar com a bonita recordação, cego, sem a mão direita e dois dedos na mão esquerda.
Moral baixa estado psicológico baixo.
O hospital Militar não dispunha de Psicólogos...

*A data que consta no texto a cima é a minha versão do acidente.
A versão do Alf Mil Hugo Guerra aponta para o dia 13 de Março.

Entrada para o serviço Militar 18 de Abril de 67.

Partida de Lisboa, 12 Julho 1968 para a Guiné.

Acidente na Guiné 10-03-1970

Manuel Seleiro
Primeiro cabo

DFA,

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