(Pel Caç Nat 60 )
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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P137: A Largada...

A largada


> Foram então as ânsias e os pinhais
> Transformados em frágeis caravelas
> Que partiam guiadas por sinais
> Duma agulha inquieta como elas...
> Foram então abraços repetidos
> À Pátria-Mãe-Viúva que ficava
> Na areia fria aos gritos e aos gemidos
> Pela morte dos filhos que beijava.
> Foram então as velas enfunadas
> Por um sopro viril de reacção
> Às palavras cansadas
> Que se ouviam no cais dessa ilusão.
> Foram então as horas no convés
> Do grande sonho que mandava ser
> Cada homem tão firme nos seus pés
> Que a nau tremesse sem ninguém tremer.
·

(Miguel Torga)


Guiné 68/74:
S.Domingos/Ingoré/Susana

Pelotão de Caçadores Nativos 60.


1º Cabo (CAÇADOR). "DFA"


Manuel Seleiro,


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    sexta-feira, 21 de agosto de 2009

    Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P04:Ser ou não ser


    Ser ou não ser! o pelotão de caçadores 60 e um pelotão da companhia, que estava em São Domingos em Setembro de 68...
    Foram incombidos da seguinte missão, reabrir uma estrada que estava desactivada á alguns anos...
    Pel Caç Nat 60 era comandado pelo Alf Mil Almeida e o pelotão de São Domingos era comandado por Alf Mil Luís Barros.
    A coluna era constituída por quatro viaturas e cerca de sessenta homens.
    Esta estrada encontrava-se a 20Km de São Domingos no sentido, São Domingos Susana, á esquerda.
    Na frente ia o pelotão 60 Com catanas e machados, a cortar a mata e o pelotão do Alf Mil Luís fazia segurança.
    Foram necessárias três horas de grande trabalho para limpar a estrada. Necessitaram de cortar árvores e o mato estava muito fechado e alto.
    Quando foram vencidos os últimos metros, os nossos olhos depararam com uma beleza natural de árvores altas formando uma abóbeda, com algumas leanas ficando a poucos centímetros do chão.
    Já não se ouvia o barulho dos machados, dos motores das viaturas, era o descanso do guerreiro.
    Os homens conversavam havia como uma anarquia, não havia segurança, nem as viaturas ficaram em posição de poder sair dali se ouvesse uma emboscada...
    Mas aconteceu que o Alf Mil Luís tinha uma espingarda de caça, e na sua frente havia uma bolanha e como magia ali bem na sua frente apareceu como por encanto, um belo exemplar, uma gazéla.
    Alf Mil Luís levou a espingarda á cara fez pontaria e disparou e acertou, ferindo a gazéla.
    Um soldado, sem esperar qualquer ordem saío correndo na direção da gazéla, de faca de mato na mão o animal debatia-se na agonia da morte, o soldado acabou com a vida da gazéla.
    No momento em que colocava a gazéla as costas, ouvio-se duas rajadas de metralhadora.
    Foi a debandada geral e a confusão depois foi as viaturas que tiveram que manobrar para sair dali...
    homens e viaturas corriam pela estrada acabada de abrir, só parámos no quartel de São Domingos.
    [SER O NÃO SER]
    Seria o In ou não?
    Pois essa era a questão...
    No dia seguinte três pelotões armados até aos dentes cercaram o local...
    A aproximação foi feita como mandam as regras, resultado havia uma tabanca, onde vivia um casal com dois filhos.
    Havia realmente uma metralhadora de fabrico russo, mas tinha sido o homem em questão que a tinha apreendido ao In.
    E não é que tinha um documento passado pelo Batalhão...
    No mesmo documento constava que já tinha tido em seu poder uma Mauser...
    Constava que era para sua defesa.
    Assim se põe em fuga 60 homens.

    Manuel Seleiro