segunda-feira, 21 de março de 2011

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P:94 (Primavera)






ÉPrimavera meu (Amor!)



É Primavera agora, meu Amor!


O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida... não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!

Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheio a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, a tua espera...

Pus rosas cor-de-rosa em em meus cabelos...
Parecem um rosal!
Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...

Florbela Espanca

_
Manuel Seleiro,
1. ºCabo.
"Caçador"
(Guiné)
68/70
<"DFA"

terça-feira, 8 de março de 2011

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P:93 Dia Internacional da "Mulher"






Rosa Vermelha


As Raízes de Nosso Amor



Amo-te porque tudo em ti me fala de África,
duma forma completa e envolvente.
Negra, tão negramente bela e moça,
todo o teu ser me exprime a terra nossa.

Nos teu olhos eu vejo, como em caleidoscópio,
madrugadas e noites e poentes tropicais,
visão que me inebria como um ópio,
em magia de místicos duendes,
e me torna encantado. (Perguntaram-me: onde vais?
E não sei onde vou, só sei que tu me prendes...)

A tua voz é, tão perturbadoramente,
a música dolente dos quissanges tangidos
em noite escura e calma,
que vibra nos meus sentidos
e ressoa no fundo da minh'alma.

Quando me beijas sinto que provo ao mesmo tempo
gosto do caju, da manga e da goiaba,
- sabor que vai da boca até às vísceras
e nunca mais acaba...

O teu corpo, formoso sem disfarce,
com teu andar desgoso, parece que se agita
tal como se estivesse a requebrar-se
nos ritmos da massemba e da rebita.
E sinto que teu corpo, em lírico alvoroço,
me desperta e me convida
para um batuque só nosso,
batuque da nossa vida.

Assim, onde te encontres (seja onde estivesses,
por toda a parte onde o teu vulto for),
eu te descubro e elejo entre as mulheres,
ó minha negra belamente preta,
ó minha irmã na cor,
e, de braços abertos para o total amplexo,
sem sombra de complexo,
eu grito do mais fundo de minh'alma de poeta:


Geraldo Bessa Victor

Manuel Seleiro,

_

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P92: CONVÍVIO DA C.CAÇ.Nº.3 EM MOIMENTA DA BEIRA A 30ABRIL2011

CONVÍVIO DA C.CAÇ.Nº.3 EM MOIMENTA DA BEIRA A 30ABRIL2011


JOSÉ EDUARDO PEREIRA
Rua João Vaz Corte Real, nº. 28
Vale de Cavala
2820-489 Charneca da Caparica


Caros Camaradas

Comforme combinado no encontro de 2010, na Anadia, fui incumbido de realizar o encontro de

2011

Assim o nosso convívio vai relizar-se no fim de semana de 30 de Abril e 1 de Maio próximo,

em
Moimenta da Beira, na região das Terras do Demo, imortalizada pelo nosso Aquilino Ribeiro.

O programa previsto será o seguinte:

Concentração, pelas 11Horas e 30 minutos, do dia 30 de Abril ( sabado), junto da
Camara Municipal de Moimenta da Beira
Recepção e almoço pelas 13 Horas.

Por volta da 17 horas animação por grupo de cantares da região

Pelas 20 Horas jantar no mesmo restaurante que serve o almoço.

No dia 1 de Maio pelas 8,30 Horas, inicio de um passeio organizado pelos serviços de

turismo da Camara

de Moimenta da Beira, com terminus por volta das 12, 30 Horas.

O almoço do dia 1 de Maio. pode ser combinado em conjunto, ou cada um organizar-se para

voltar como entender.

Para poder organizar este programa necessito, ter resposta até 28 de Fevereiro.

Cada um pode escolher a parte do programa, que mais lhe convier, não faltes


Locais de estadia em Moimenta da Beira;

Hotel Verdeal - preço 50 euros por casal com pequeno almoço

Contactos para marcação: Tel. 254 584 061/2

Telem. 934 679 584

Email: hotelverdeal@clix.pt

Residencial Pico do Areiro: Preço 25 Euros por casal sem pequeno almoço

Contactos para marcação: Tel. 254 582 381

Telem. 938 447 133

As marcações para estadias devem ser feitos com a brevidade possivel, por motivo de vagas




Lisboa, 3 de Fevereiro de 2011

José Eduardo Pereira
Email. jpereira45@sapo.pt
Tel. 212 973 163
Telem. 917 277 253


_

sábado, 1 de janeiro de 2011

Pel Caç Nat 60 - Guiné 68/74 - P90: Ano de 1970 S.Domingos



Guiné 01-01-1970
(SÃO DOMINGOS)
Almoço convívio no dia de Ano novo:


Algums militares da Companhia de cavalaria, 2539 e militares do Pelotão de caçadores nativos 60.
E militares das (DAIMLÉR...)
As fotografias ilustram momemtos desse são convívio.


No dia 1 de Janeiro, faz 41 anos que todos estes rapazes comemoravam o dia de ano novo de 1970.
E hoje, neste dia... Será que se recordam destas imagens?


Como era belo, o verde da selva, o azul do Céu o vermelho da terra (Africana.) São cores que a

nossa retina soube guardar num cantinho da nossa memória para sempre.
É como se fosse um quadro de aguarelas, pintado por mãos misteriosas...
Nos velhos tempos passados nas terras da (Guiné.)

O vosso camarada, Manuel Seleiro vem por este meio desejar um (FELIZ ANO NOVO,) a todos os

camaradas que estiveram em S. Domingos/Ingoré.
De Julho de 68 a Março de 70...
e para todos os camaradas, que estiveram na (GUINÉ.)
A todos os visitantes do Blog do Pelotão de caçadores nativos 60.
(VOTOS DE UM FELIZ ANO DE 2011...

1.º Primeiro cabo (CAÇADOR.)
Manuel Seleiro,
(DFA)

__

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P89: - Mensagem de (NATAL)


Há de ser o Natal um grande momento de paz.
Coro Infantil De Santo Amaro De Oeiras-A
">natal de Élvas
Desejamos um feliz (NATAL.)

É Natal. Mantenha bem viva a esperança no futuro. Boas Festas.

¡Feliz, feliz Natal, a que faz que nos lembremos das ilusões de nossa
infância, recorde-lhe ao avô as alegrias de sua juventude, e lhe transporte
ao viajante a sua chaminé e a seu doce lar! (Charles Dickens)

1. º Primeiro Cabo Caçador:
Manuel Seleiro,
(GUINÉ)
68/70
(DFA)

_

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P88: A (PAZ)



A paz

(DESEJAMOS UM FELIZ NATAL)
jinglebells
clique aqui,
A Paz é uma flor .
E quando essa flor murcha

Quer dizer guerra . E nós

não gostamos da guerra, pois não?

Mas para não ficar murcha

tem de se regar.

Por isso tratem bem

essa planta.

Nuno Jan 2001
EB S. João-Ovar
**
1. º Primeiro Cabo Caçador.
Pelotão de Caçadores Nativos 60:
Guiné - 68/74
(S. Domingos/Ingoré.)
(DFA.)

__

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P86: Editorial

Editorial
por Direcção Nacional

Da Força
Fazemos
Bandeira!!!

Afinal porque estivemos tantos na AGNE na Academia Militar na Amadora?
Foi para reforçar a nossa coesão associativa, foi para reivindicar/reafirmar os nossos direitos, a nossa auto-estima e irradiá-la por todo o Portugal, aos camaradas que estão lá longe em África e aqueles que por razões de varia ordem se encontram em solidão, doentes e já com famílias desestruturadas.
Também lá estivemos porque a instituição militar reconhece o nosso esforço e sacrifício durante a participação na guerra. Passados tantos anos ainda estamos jovens cheios de força, cheios de utopias, nós soldados, milicianos e militares oriundos do quadro permanente, que na bela tarde de sábado discutimos a estratégia da ADFA, reivindicando os nossos direitos neste difícil período de crise social, económica e financeira.
Foi durante a guerra que aprendemos a dividir bem, a pouca água do cantil, as balas do carregador e até a cerveja quando chegávamos ao quartel… Soubemos gerir a ansiedade e o medo. Crise já nós passámos, porque para não morrermos tivemos de matar; crise passámos nós após o acidente na picada, na bolanha, isso está bem registado no nosso cérebro! Crise, também, vivemos quando chegámos feridos ao Hospital Militar.
Foi um longo período que vivemos a tratar da nossa reabilitação e integração social. Também com o nosso esforço e sacrifício chegou a liberdade e democracia com o 25 de Abril, e foi assim, determinados, que decidimos pegar em mãos os nossos destinos e por isso fundámos a ADFA em 14 de Maio de 1974, o nosso verdadeiro Estado Social. Ela foi, é e será sempre a nossa trave mestra, no “edifício” da dignidade que diariamente prosseguimos. Reconheçamos o valioso contributo da AGNE, ali a solidariedade não foi palavra vã. Valor que nunca rejeitaremos. A tolerância, o pluralismo e a máxima da ADFA em afirmar o poder soberano das Assembleias Gerais.
Toda esta experiência de afirmação, emoções e sentimentos faz-nos acreditar sem medos, que saberemos resistir neste momento complexo e gravíssimo da vida de Portugal.
É agora necessário estar muito atento à discussão do orçamento de estado, vamos estar proactivos, temos de perceber e estar solidários com os cidadãos que integram as minorias, estes estão vulneráveis e temos muitos camaradas nessa situação.
A ADFA deve continuar a afirmar-se sem hesitação, como organização representativa dos Deficientes Militares, ONG parceira e responsável e exigir ao Estado o direito à plena reparação moral e material de que somos credores.

Fonte: jornal Elo.

1- º cabo Manuel Seleiro
(DFA)




__

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P85: Presença Africana.

Presença Africana

Presença Africana
E apesar de todo,
ainda sou a mesma!
Livre esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou,
Mãe-África!
Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou, a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...
A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendêm
nascendo dos abraços das palmeiras...

A do sol bom, mordendo
chão das Ingombotas...
A das acácias rubras,
salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...

Sim!, ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11! ... Rua 11...)
pelos meninos
de barriga inchada e olhos fundos...

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu e musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força deste dia...

E eu revendo ainda, e sempre, nela,
aquela
longa história inconsequente...

Minha terra...
Minha, eternamente ...

Terra das acácias, dos dongos,
dos colios baloiçando, mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.

Ainda sou a que num canto novo
pura e livre
me levanto,
ao aceno do teu povo!

Alda Lara


_

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 - P84: Podia resultar em (tragédia .)





Guiné/S.Domingos ano de 69.
Equipa de minas/armadilhas:
Conpanhia de cavalaria, 2539/69/71.
Pelotão de Caçadores Nativos 60/68/74:
Equipa de minas/armadilhas, a pousar para a fotografia.
Num dos raros momentos de descontração.
Na foto estão alguns dos elementos do pel caç nat 60 e o Ex Alf Mil Paiva da CCAV 2539, 1. ºcabo Seleiro (caçador)do pel caç nat 60 e os dois elementos da (Daimlér).
Podia resultar em tragédia a montagem de um (FORNILHO) no início da picada S.Domingos/Senegal .
Foram necessárias três longas horas .
O fornilho tinha 5 metros de cumprimento as cargas estavam com intervalos de dois metros .
Ocupavam os dois lados da picada .
O total de explosibos, 20 cargas de 500 gramas de (TNT), duas granadas para armadilhas …
Foi aberto um buraco na picada de um lado e do outro com as seguintes dimensões:
Quarenta por 20, as granadas,foram colocadas na horizontal e encaixadas nas paredes do buraco, onde foi introduzida uma pequena ripa de madeira, que estava colocada nas duas argolas das granadas .
O mais difícil ía começar agora…
Era retirar as cavilhas de segurança !
A seguir era só fazer a camoflagem do local do fornilho.
E depois levantar a segurança do pessoal .
Já com todo o mundo a distância, era o momento de eu retirar…
E fazer uma última inspeção ao local do (FORNILHO)…
E depois retirar . No momento em que dei o primeiro passo fiquei sem pinga de (Sangue)… Tinha colocado o pé em cima do fornilho onde estavam as duas granadas, foram momentos dramáticos…
Todo o pessoal olhava para mim !
Já se deram conta de que o fornilho não tinha sido acionado ?
Depois foi tudo uma questão de tempo, e tirar o pé de dentro do buraco .
P.S.
Ha ! Já me esquecia, foram utilizados 20 (Detonadores, )vários metros de cordão detonante .
1.º Cabo Manuel Seleiro (CAÇADOR.)
Pel Caç Nat 60.
Guiné 68/70:
(DFA)

Explosão controlada pela equipa de minas/Armadilhas .



_

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P83: Dois Batelões no rio Cacheu.

Dois Batelões no rio Cacheu.
Doulce Pontes,
Canção do Mar
Dois batelões junto a a S. Vicente, aguardando que a maré subisse para descarregar.
O Pel Caç Nat 60 ficou a qui toda a noite na margem do rio, a fazer segurança...
Ano de 69 estávamos em Ingoré.
Acontecia que muitas vezes vínhamos de Ingoré a ver se os batelões se encontravam no rio para fazer a dita segurança mas os mesmos não se encontravam por perto.
Acabávamos por passar ali a noite...
E os ditos batelões só chegávam dois ou três dias depois.
Conclusão: falta de (Organização...
Ah! falta de método.
Não é verdáde meus Senhores?
E os batelões aqui á espera, e nós também...
Era a boa organização dos nossos chefes.
...:hein!


1.ºCabo Manuel Seleiro.
Especialidade de (Caçador).
68/70*
(DFA)
_

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P82: Poesia, É tempo, companheiro


É tempo, companheiro! Caminhemos ...
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz
Da Terra ...

Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma Terra nos gerou!



Vamos, companheiro ...
É tempo!

Que o meu coração
se abra à mágoa das tuas mágoas
e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas longas mãos negras ...
E o meu suor
se junte ao teu suor,
quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!

Vamos!
que outro oceano nos inflama.. .
Ouves?
É a Terra que nos chama ...
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...
ALDA LARA
_


1.º Cabo(CAÇADOR).
Manuel Seleiro,(DFA)
68/70

_

sábado, 4 de setembro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 - P81: Mais uma foto Junto ao rio (cacheu).

S. vicente, rio Cacheu.
Ano de 69*
Este eu atravessei a nado.(Duvida?)

Manuel Seleiro,
Primeiro Cabo (Caçador).
DFA,




_

terça-feira, 31 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P79: Infância








Infância




Eu corria através dos bosques e das florestas

Eu com o ruído vibrante de um bosque desvendado,

Eu via belos pássaros voando pelos campos

E parecia ser levado por seus cantos.





Subitamente, desviei os meus olhos

Para o alto mar e para os grandes celeiros

Cheios da colheita dos bravos camponeses

Que, terminando o dia, regressavam à noite entoando





Canções tradicionais das selvas africanas

Que lhes lembravam os ódios ardentes

Dos velhos. Subitamente, uma corça gritou

Fugindo na frente dos leões esfomeados.





Aos saltos, os leões perseguiram a corça

Derrubando as lianas e afugentando os pássaros.

A desgraçada atingiu a planície

E os dois reis breve a alcançaram.



Antônio Baticã Ferreira

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-P 78: Sempre fui vaguemestre c/ umas interrupções: Sedengal e Ingoré




Mensagem do Ex Fur Mil João Manuel Félix, CCAV. 2539 S.Domingos 69/71.

Com data de 22-06-2010:


Sempre fui vaguemestre c/ umas interrupções: Sedengal e Ingoré enquanto
aguardava transferência.
Estava ameaçado/condenado desde o IAO. E a Razão de (não) dar comida às
crianças junto do arame farpado , tendo como consequência reduzir as
quantidades das ementas, ordem que não cumpri, serviu de pretexto ao Sr.Capitão Correia
para dar satisfação ao seu desejo.
Em Guidage, por vontade própria, até saí para o Pelotão de Balantas e ida a
operação a Samboiá, desarmado, fazer fotos.
Não gostei e regressei e criei o posto de Vaguemestre2 pois a situação de
Compª. e Destacamento de BINTA, assim exigia.
Acrescento que cumpri 744 dias "dela" ; não tive qualquer problema
disciplinar com a Alimentação.
O camarada que rendi em Guidage, +velho que eu, teve Auto levantado; viveu
com a mulher em Bissau porque só pode regressar em 1972 com 10 dias de
detenção e quase 4 anos de Guiné.
E só dei um tiro, na Guiné, com aquela Mauser, de mira telescópica,
capturada, que estava no Quaresma.
E matei... a cabra do cipaio que tinha transposto o arame farpado.
Matei, paguei, não comi e subi na escala de consideração (negativa) do Sr.
Cap. Correia tendo, ipso facto, aumentado o contributo para ser transferido. Se
calhar até era o que eu desejava: aquilo lá em S.D. não era vida p'ra mim.
E mais não disse....
jmfélixdias ex-Vaguemestre da CCAV.2539 (S. Domingos) e C.CAÇ.3
(Binta/Guidage) 212316862 alcochete

Nota de M. Seleiro:

Permitam-me dizer alguma coisa sobre este texto.
Tem muito de simplicidade, Humanismo quando este homem dava comida as crianças de S.Domingos.
Por isso o comandante da sua conpanhia, lhe perguntou:
Se sobra tanta comida, porque não cortas na alimentação dos soldados...
Resoltou que o Félix foi castigado, sendo transferido para Binta/Guidage, cerca de 12 mêses.

_

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P77: O Ultimo Adeus Dum Combatente

O Ultimo Adeus Dum Combatente






Naquela tarde em que eu parti e

tu ficaste



sentimos, fundo, os dois a mágoa

da saudade.



Por ver-te as lágrimas sangrarem

de verdade



sofri na alma um amargor quando

choraste.







Ao despedir-me eu trouxe a dor

que tu levaste!



Nem só o teu amor me traz a

felicidade.



Quando parti foi por amar a

Humanidade



Sim! foi por isso que eu parti e

tu ficaste!







Mas se pensares que eu não parti

e a mim te deste



será a dor e a tristeza de

perder-me



unicamente um pesadelo que

tiveste.







Mas se jamais do teu amor posso

esquecer-me



e se fui eu aquele a quem tu mais

quiseste



que eu conserve em ti a esperança

de rever-me!


Vasco Cabral

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P76: (Sagrada esperança)

A quitandeira, poesia de Agostinho Neto

--------------------------------------------------------------------------------

Quitandeira
Agostinho Neto

A quitanda.
Muito sol
e a quitandeira à sombra
da mulemba.

- Laranja, minha senhora,
laranjinha boa!

A luz brinca na cidade
o seu quente jogo
de claros e escuros
e a vida brinca
em corações aflitos
o jogo da cabra-cega.

A quitandeira
que vende fruta
vende-se.

- Minha senhora
laranja, laranjinha boa!

Compra laranja doces
compra-me também o amargo
desta tortura
da vida sem vida.

Compra-me a infância do espírito
este botão de rosa
que não abriu
princípio impelido ainda para um início.

Laranja, minha senhora!

Esgotaram-se os sorrisos
com que chorava
eu já não choro.

E aí vão as minhas esperanças
como foi o sangue dos meus filhos
amassado no pó das estradas
enterrado nas roças
e o meu suor
embebido nos fios de algodão
que me cobrem.

Como o esforço foi oferecido
à segurança das máquinas
à beleza das ruas asfaltadas
de prédios de vários andares
à comodidade de senhores ricos
à alegria dispersa por cidades
e eu
me fui confundindo
com os próprios problemas da existência.

Aí vão as laranjas
como eu me ofereci ao álcool
para me anestesiar
e me entreguei às religiões
para me insensibilizar
e me atordoei para viver.

Tudo tenho dado.

Até mesmo a minha dor
e a poesia dos meus seios nus
entreguei-as aos poetas.

Agora vendo-me eu própria.
- Compra laranjas
minha senhora!
Leva-me para as quitandas da Vida
o meu preço é único:
- sangue.

Talvez vendendo-me
eu me possua.

- Compra laranjas!

(Sagrada esperança)

_

sábado, 29 de maio de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -p75:Guiné Bissau (arquipélago dos Bijagós)

Guiné-Bissau
O modo de vida, os costumes

tradicionais e o carácter sagrado

de alguns
locais explicam o estado de

conservação excepcional do meio

ambiente. O
arquipélago constitui por essa

razão um dos principais locais de

reprodução
dos recursos haliêuticos do país,

representando a pesca um pilar da
economia nacional. O meio marinho

é um verdadeiro reservatório de
diversidade biológica de

importância internacional: ilhéus

ocupados por
colónias de aves marinhas; praias

utilizadas por milhares de

tartarugas
marinhas para a desova; áreas

lodosas frequentadas por mais de

700 000
aves pernaltas migratórias;

mangais povoados de manatins e

lontras;
hipopótamos transformados pelo

tempo em animais marinhos;

crocodilos;
canais habitados por golfinhos.
Os fuselos reproduzem-se na

Europa e migram para África,

acabando por ser um
laço entre estes dois continentes
É por reconhecer o valor
deste património que o
arquipélago foi
classificado pela
UNESCO como
Reserva da Biosfera.
Costeira e Marinha da África
Ocidental), FIBA (Fundação

Internacional do Banc d’Arguin),

UICN (União Mundial para a

Natureza),
INEP (Instituto Nacional de

Estudos e Pesquisa), GPC

(Gabinete de Bijagós (tutelada

actualmente pelo Instituto da

Biodiversidade e das Desde há

alguns anos que numerosas

influências exteriores interferem

com
este equilíbrio secular. O

arquipélago, outrora fechado

sobre o seu mistério,
é hoje sujeito a muitas cobiças.

Os seus recursos naturais, ainda

abundantes,
atraem a pesca industrial da

Europa e da Ásia que, apesar das

proibições,
vêm lançar as redes durante a

noite nos canais que separam as

ilhas. As
pirogas artesanais vêm de

diferentes países da sub-região

para pescar em
particular os tubarões, cujas

barbatanas são apreciadas nos

mercados
asiáticos.
As paisagens harmoniosas e

selvagens do arquipélago atraem

promotores
turísticos muitas vezes pouco

preocupados em respeitar o meio

ambiente ou
a sociedade tradicional.
A globalização dos mercados

encoraja a
monetarização progressiva da

economia dos
Bijagós, que se orienta pouco a

pouco para
culturas comerciais como o caju

em
detrimento das zonas de

palmeiras. E já se
antevêem riscos maiores como a

exploração
petrolífera offshore ou

estaleiros de
desmantelamento de barcos velhos,

com o
seu séquito de poluições.
Rapariga bijagó: As tarefas

individuais são definidas segundo

as faixas
etárias e o sexo: os adolescentes

beneficiam de uma grande

liberdade,
enquanto que no inicío da idade

adulta dedicam o essencial da sua

energia
às necessidades da comunidade. Os

anciãos são os detentores do

saber e da
autoridade.
Nos Bijagós, povo animista, a

passagem de um grupo de idade

para outro
faz-se através de ritos de

iniciação em lugares sagrados

afastados das
tabancas (aldeias). Ao longo do

ano, quase um terço do tempo é

consagrado
a cerimónias durante as quais os

baboleros (xamãs) entram em

contacto com
os espíritos. As áreas lodosas

têm os seus espíritos, as

florestas têm os seus
espíritos, as ilhas e os mangais

também: as relações com a

natureza não são
unicamente de ordem prática e

alimentar mas também espiritual.
Por exemplo, algumas espécies de

conchas só são comidas em

cerimónias
específicas e por isso são

objecto de medidas de protecção.
Cerimónia para o Iran (espírito)

na Ilha de Poilão. No povo bijagó

só os iniciados
podem desembarcar nesta ilha e

devem respeitar regras restritas:

explorar só os
recursos que serão utilizados no

próprio sítio,não derramar

sangue,não ter realções
sexuais e não sepultar mortos. O

conjunto destas regras permite a

protecção da zona.
A relação entre o
homem e o seu meio
ambiente, entre os
vivos e os mortos,
manifesta-se pela
existência de lugares
sagrados (florestas,
cabos, ilhas) que
mostram uma
interdependência onde
a natureza e a cultura
se alimentam
mutuamente.
O modo de vida tradicional dos

Bijagós é baseado numa economia

de
subsistência onde o conjunto dos

recursos naturais do território é
aproveitado de forma

diversificada.
O arroz constitui a base da

alimentação enquanto que as

palmeiras fornecem
frutos, óleo e vinho, bem como

uma vasta gama de produtos usados

na
alimentação, artesanato,

habitação, etc.
O essencial das proteínas animais

é
fornecido pelas conchas, peixes e

animais
de capoeira.
Perto de 7 000 fêmeas desovam uma

centena de ovos por anonos

Bijagó,
constituindo assim a maior

colónia de tartarugas verdes do

litoral
atlântico africano.
Os Bijagós são a principal etnia

que povoa este arquipélago

composto por 88
lhas e ilhéus. Só habitam em

permanência cerca de 20 ilhas, em

tabancas
(aldeias) com asas de adobe e

palha. O meio ambiente é

constituído por
savanas, almeirais e mangais onde

os recursos naturais são

abundantes.
As paisagens são marcadas pela

formação do arquipélago no delta

do rio.
Jovens bijagós trajadas com saias

de palha de arroz.
As ilhas, separadas por canais,
são bordadas por zonas lodosas
que são cobertas ou descobertas
em função das marés, impondo o
seu ritmo à vida dos homens e da
natureza.
organizações nacionais e

internacionais está a decorrer um

processo para, no
quadro da Convenção do Património

Mundial da UNESCO, promover a
classificação do arquipélago dos

Bijagós como
SÍTIO DO PATRIMÓNIO
CULTURAL E
NATURAL MUNDIAL
Esta marca de prestígio, que
reconhece o valor universal de um
lugar, constitui uma garantia de
protecção internacional que

poderia
revelar-se crucial para permitir

que a
sociedade dos Bijagós e o seu

meio
ambiente conservem o seu

equilíbrio,
ao mesmo tempo que enfrentam os
desafios do desenvolvimento.
A dança ocupa um lugar central

nas cerimónias e na vida
quotidiana. Os jovens cabaros

(faixa etária dos homens entre
os 18 e os 27 anos) expressam as

forças da natureza terrestre
(máscara de touro) e marinha

(máscara de tubarão).
Braço de mar ou bolon, em maré

baixa
BIJAGÓS
ARQUIPÉLAGO
SAGRADO
A etnia bijagó ocupa as ilhas

habitadas do arquipélago. A

sociedade bijagó
rege-se por uma grande quantidade

de ritos (cem dias por ano são
consagrados a cerimónias

tradicionais) relacionados, em

grande parte, com a
vida selvagem. Por exemplo, a

ilha de Poilão, o maior local do

Atlântico-
Este para a desova das tartarugas

verdes, descoberto há apenas

alguns anos,
é um lugar sagrado onde não se

pode verter sangue, nem humano

nem
animal. Para desembarcar nesta

ilha é necessário pedir a

autorização dos
espíritos. Este tabu, muito

respeitado, permite que as

tartarugas possam
desovar dezenas de ovos sem

enfrentar qualquer predação

humana. Por outro
lado, existem ilhas onde os

animais são considerados sagrados

pela
população: por exemplo, os

hipopótamos na ilha de Orango ou

os tubarões
na ilha Formosa. Os Bijagós são

também conhecidos pelas suas

esculturas,
consideradas como das mais

interessantes de África.
Tabanka bijagó: as aldeias

bijagós estão sempre cercadas de

árvores e afastadas da costa.
BIJAGÓS
ARQUIPÉLAGO
COBIÇADO
Perdidas no esquecimento há 40

anos, as ilhas nunca foram

atingidas pelo
desenvolvimento colonial, com

excepção de dois portos muito

modestos,
Bubaque e Bolama, outrora capital

da Guiné-Bissau. Não sendo

marinheiros,
os Bijagós estabelecem-se em

aldeias no interior das terras;

vivem da
colheita, duma agricultura muito

primitiva e da pesca praticada

andando a
pé. Os bancos de areia e os

labirintos de canais onde a

navegação é difícil
travaram até agora o

desenvolvimento da pesca

comercial. Mas o
esgotamento geral das reservas de

peixe na costa africana alimenta

cobiças
e os pescadores do Senegal e da

Guiné-Conacri, entre outros,

começam a
explorar cada vez mais estes

locais, incrivelmente ricos em

peixe, ao ponto
de criar por vezes aldeias

costeiras.
O hipopótamo ocupa um lugar

sagradao na cosmogonia bijagó.
BIJAGÓS
PATRIMÓNIO
A PRESERVAR
O arquipélago está ameaçado. Os

perigos aumentam devido à

exploração
excessiva das zonas de reprodução

de peixe e, mais recentemente,

devido a
projectos anárquicos de

desenvolvimento turístico. Três

ONG, a Tiniguena -
esta terra é nossa, a UICN (União

Internacional para a Conservação

da
Natureza) e a FIBA (Fundação

Internacional do Banc d’Arguin),

trabalham
no arquipélago, em colaboração

com as tabancas (aldeias)

bijagós, para
combater esses perigos. Cada

proposta é apresentada à

assembleia dos
régulos e à população. Os seus

objectivos são a educação, a

prevenção
sanitária, a defesa do meio

ambiente e a gestão dos recursos

naturais, para
assegurar o desenvolvimento

durável deste arquipélago único e

ajudar os
Bijagós a assegurar o seu futuro

no respeito pelos seus costumes e

pelo meio
ambiente.
BIJAGÓS
ARQUIPÉLAGO ESQUECIDO
Ao largo da Guiné-Bissau, o

arquipélago dos Bijagós é um

conjunto de 88
ilhas e ilhéus perdidos no

Atlântico. Um quarto das ilhas

não é habitado. As
ilhas são cobertas de vegetação

tropical: florestas húmidas,

mangais e
savanas. As suas águas são das

mais ricas em peixe de África.

Abrigam
também uma fauna original:

hipopótamos – por vezes

qualificados como
marinhos porque são os únicos no

mundo a viverem em água salgada –
tartarugas, golfinhos, manatins,

répteis e aves. Um milhão de aves

limícolas,
aves pernaltas que emigram para a

tundra, passam o inverno nos

Bijagós,
assim como flamingos, pelicanos,

garças, garajaus, etc. Mas muitas

das suas
riquezas naturais ainda não são

conhecidas. A criação de dois

parques
nacionais e de uma Reserva da

Biosfera (no quadro do projecto

Man and
Biosphere da UNESCO) ilustram

este interesse fora do comum.
Repartição das responsabilidades

e das funções
das diferentes classes etárias
Idade Classe etária Nome
Bijagó
Características principais
e responsabilidades
Homens
7-11 Crianças Cadene Guarda do

gado e ajuda na caça.
12-17 Adolescentes Canhocám

Participação nas actividades

produtivas. Subir às palmeiras,

artesanato e
iniciação às regras sociais

(segredos das plantas).
Guarda da aldeia.
18-27 Jovens Cabaro Período de

liberdade, festas, danças e

conquistas amorosas. Algum
trabalho regular (limpar os

caminhos da aldeia e participar

em todos os
trabalhos que exigem boa condição

física e capacidades), apoio às
actividades agrícolas e à

produção do óleo de palma.
28-35 Jovens adultos Camabi

Período depois da iniciação

(fanado) dedicado aos trabalhos

mais duros e
à procura dos bens necessários

para o pagamento aos mais velhos,
aprendendo com estes os segredos

da vida.
Administram os palmares, as

florestas e as cambuas.
36-55 Adultos Odõdo Quando passam

do estádio de iniciado ao de

iniciador. Têm plenos
direitos no conselho dos mais

velhos, servem de porta-voz das

resoluções
deste conselho de decisão. Podem

possuir casa e terras e têm

direito a
casar e a ter filhos.
Mais de
55
Homens idosos
Homem grande
Cabongha Recebem ofertas dos mais

jovens. Guardiões dos

conhecimentos e das
regras sócio-culturais

tradicionais.
Mulheres
7-11 Crianças Numpune Trabalhos

domésticos, transporte da água,

apanha de pequenos moluscos
e vigilância dos arrozais.
12-20 Adolescentes Campuni Grupo

etário responsável pelas

cerimónias de defunto. Fora da

aldeia as
mulheres comem, bebem e dançam

juntas e aprendem as técnicas e
saberes para viver na floresta.
21-50 Mulheres casadas Ocanto

Mulheres com crianças para

educar.
Mais de
50
Mulheres idosas
Mulher grande
Oconto Depois da menopausa

controlam as cerimónias das

mulheres.


ASSUNTO: Arquipélago dos Bijagós

(Guiné-Bissau) Reservados os

Direitos do Autor
Edição: Paulo Alves
www.Rituais.com
Textos e Legendas: PRCM (Programa

Regional de Conservação da Zona

Costeira e Marinha da África
Ocidental), FIBA (Fundação

Internacional do Banc d’Arguin),

UICN (União Mundial para a

Natureza),
INEP (Instituto Nacional de

Estudos e Pesquisa), GPC

(Gabinete de Planificação

Costeira da Guiné-
Bissau), Comité MAB (Man and

Biosphere) de França, Reserva de

Biosfera do Arquipélago dos
Bijagós (tutelada actualmente

pelo Instituto da Biodiversidade

e das Áreas Protegidas da

Guiné-Bissau -
IBAP) e Tiniguena (“Esta Terra é

Nossa”) – ONG nacional da

Guiné-Bissau
Imagens: Jean François Hellio e

Nicolas Van Ingen

(Hellio-Van-Ingen)
Colaboração: Joacine Moreira

(CIDAC)
19-05-06 Pág. 5

quarta-feira, 19 de maio de 2010