sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P83: Dois Batelões no rio Cacheu.

Dois Batelões no rio Cacheu.
Doulce Pontes,
Canção do Mar
Dois batelões junto a a S. Vicente, aguardando que a maré subisse para descarregar.
O Pel Caç Nat 60 ficou a qui toda a noite na margem do rio, a fazer segurança...
Ano de 69 estávamos em Ingoré.
Acontecia que muitas vezes vínhamos de Ingoré a ver se os batelões se encontravam no rio para fazer a dita segurança mas os mesmos não se encontravam por perto.
Acabávamos por passar ali a noite...
E os ditos batelões só chegávam dois ou três dias depois.
Conclusão: falta de (Organização...
Ah! falta de método.
Não é verdáde meus Senhores?
E os batelões aqui á espera, e nós também...
Era a boa organização dos nossos chefes.
...:hein!


1.ºCabo Manuel Seleiro.
Especialidade de (Caçador).
68/70*
(DFA)
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P82: Poesia, É tempo, companheiro


É tempo, companheiro! Caminhemos ...
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz
Da Terra ...

Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma Terra nos gerou!



Vamos, companheiro ...
É tempo!

Que o meu coração
se abra à mágoa das tuas mágoas
e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas longas mãos negras ...
E o meu suor
se junte ao teu suor,
quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!

Vamos!
que outro oceano nos inflama.. .
Ouves?
É a Terra que nos chama ...
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...
ALDA LARA
_


1.º Cabo(CAÇADOR).
Manuel Seleiro,(DFA)
68/70

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sábado, 4 de setembro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 - P81: Mais uma foto Junto ao rio (cacheu).

S. vicente, rio Cacheu.
Ano de 69*
Este eu atravessei a nado.(Duvida?)

Manuel Seleiro,
Primeiro Cabo (Caçador).
DFA,




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terça-feira, 31 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P79: Infância








Infância




Eu corria através dos bosques e das florestas

Eu com o ruído vibrante de um bosque desvendado,

Eu via belos pássaros voando pelos campos

E parecia ser levado por seus cantos.





Subitamente, desviei os meus olhos

Para o alto mar e para os grandes celeiros

Cheios da colheita dos bravos camponeses

Que, terminando o dia, regressavam à noite entoando





Canções tradicionais das selvas africanas

Que lhes lembravam os ódios ardentes

Dos velhos. Subitamente, uma corça gritou

Fugindo na frente dos leões esfomeados.





Aos saltos, os leões perseguiram a corça

Derrubando as lianas e afugentando os pássaros.

A desgraçada atingiu a planície

E os dois reis breve a alcançaram.



Antônio Baticã Ferreira

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-P 78: Sempre fui vaguemestre c/ umas interrupções: Sedengal e Ingoré




Mensagem do Ex Fur Mil João Manuel Félix, CCAV. 2539 S.Domingos 69/71.

Com data de 22-06-2010:


Sempre fui vaguemestre c/ umas interrupções: Sedengal e Ingoré enquanto
aguardava transferência.
Estava ameaçado/condenado desde o IAO. E a Razão de (não) dar comida às
crianças junto do arame farpado , tendo como consequência reduzir as
quantidades das ementas, ordem que não cumpri, serviu de pretexto ao Sr.Capitão Correia
para dar satisfação ao seu desejo.
Em Guidage, por vontade própria, até saí para o Pelotão de Balantas e ida a
operação a Samboiá, desarmado, fazer fotos.
Não gostei e regressei e criei o posto de Vaguemestre2 pois a situação de
Compª. e Destacamento de BINTA, assim exigia.
Acrescento que cumpri 744 dias "dela" ; não tive qualquer problema
disciplinar com a Alimentação.
O camarada que rendi em Guidage, +velho que eu, teve Auto levantado; viveu
com a mulher em Bissau porque só pode regressar em 1972 com 10 dias de
detenção e quase 4 anos de Guiné.
E só dei um tiro, na Guiné, com aquela Mauser, de mira telescópica,
capturada, que estava no Quaresma.
E matei... a cabra do cipaio que tinha transposto o arame farpado.
Matei, paguei, não comi e subi na escala de consideração (negativa) do Sr.
Cap. Correia tendo, ipso facto, aumentado o contributo para ser transferido. Se
calhar até era o que eu desejava: aquilo lá em S.D. não era vida p'ra mim.
E mais não disse....
jmfélixdias ex-Vaguemestre da CCAV.2539 (S. Domingos) e C.CAÇ.3
(Binta/Guidage) 212316862 alcochete

Nota de M. Seleiro:

Permitam-me dizer alguma coisa sobre este texto.
Tem muito de simplicidade, Humanismo quando este homem dava comida as crianças de S.Domingos.
Por isso o comandante da sua conpanhia, lhe perguntou:
Se sobra tanta comida, porque não cortas na alimentação dos soldados...
Resoltou que o Félix foi castigado, sendo transferido para Binta/Guidage, cerca de 12 mêses.

_

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P77: O Ultimo Adeus Dum Combatente

O Ultimo Adeus Dum Combatente






Naquela tarde em que eu parti e

tu ficaste



sentimos, fundo, os dois a mágoa

da saudade.



Por ver-te as lágrimas sangrarem

de verdade



sofri na alma um amargor quando

choraste.







Ao despedir-me eu trouxe a dor

que tu levaste!



Nem só o teu amor me traz a

felicidade.



Quando parti foi por amar a

Humanidade



Sim! foi por isso que eu parti e

tu ficaste!







Mas se pensares que eu não parti

e a mim te deste



será a dor e a tristeza de

perder-me



unicamente um pesadelo que

tiveste.







Mas se jamais do teu amor posso

esquecer-me



e se fui eu aquele a quem tu mais

quiseste



que eu conserve em ti a esperança

de rever-me!


Vasco Cabral

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P76: (Sagrada esperança)

A quitandeira, poesia de Agostinho Neto

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Quitandeira
Agostinho Neto

A quitanda.
Muito sol
e a quitandeira à sombra
da mulemba.

- Laranja, minha senhora,
laranjinha boa!

A luz brinca na cidade
o seu quente jogo
de claros e escuros
e a vida brinca
em corações aflitos
o jogo da cabra-cega.

A quitandeira
que vende fruta
vende-se.

- Minha senhora
laranja, laranjinha boa!

Compra laranja doces
compra-me também o amargo
desta tortura
da vida sem vida.

Compra-me a infância do espírito
este botão de rosa
que não abriu
princípio impelido ainda para um início.

Laranja, minha senhora!

Esgotaram-se os sorrisos
com que chorava
eu já não choro.

E aí vão as minhas esperanças
como foi o sangue dos meus filhos
amassado no pó das estradas
enterrado nas roças
e o meu suor
embebido nos fios de algodão
que me cobrem.

Como o esforço foi oferecido
à segurança das máquinas
à beleza das ruas asfaltadas
de prédios de vários andares
à comodidade de senhores ricos
à alegria dispersa por cidades
e eu
me fui confundindo
com os próprios problemas da existência.

Aí vão as laranjas
como eu me ofereci ao álcool
para me anestesiar
e me entreguei às religiões
para me insensibilizar
e me atordoei para viver.

Tudo tenho dado.

Até mesmo a minha dor
e a poesia dos meus seios nus
entreguei-as aos poetas.

Agora vendo-me eu própria.
- Compra laranjas
minha senhora!
Leva-me para as quitandas da Vida
o meu preço é único:
- sangue.

Talvez vendendo-me
eu me possua.

- Compra laranjas!

(Sagrada esperança)

_

sábado, 29 de maio de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -p75:Guiné Bissau (arquipélago dos Bijagós)

Guiné-Bissau
O modo de vida, os costumes

tradicionais e o carácter sagrado

de alguns
locais explicam o estado de

conservação excepcional do meio

ambiente. O
arquipélago constitui por essa

razão um dos principais locais de

reprodução
dos recursos haliêuticos do país,

representando a pesca um pilar da
economia nacional. O meio marinho

é um verdadeiro reservatório de
diversidade biológica de

importância internacional: ilhéus

ocupados por
colónias de aves marinhas; praias

utilizadas por milhares de

tartarugas
marinhas para a desova; áreas

lodosas frequentadas por mais de

700 000
aves pernaltas migratórias;

mangais povoados de manatins e

lontras;
hipopótamos transformados pelo

tempo em animais marinhos;

crocodilos;
canais habitados por golfinhos.
Os fuselos reproduzem-se na

Europa e migram para África,

acabando por ser um
laço entre estes dois continentes
É por reconhecer o valor
deste património que o
arquipélago foi
classificado pela
UNESCO como
Reserva da Biosfera.
Costeira e Marinha da África
Ocidental), FIBA (Fundação

Internacional do Banc d’Arguin),

UICN (União Mundial para a

Natureza),
INEP (Instituto Nacional de

Estudos e Pesquisa), GPC

(Gabinete de Bijagós (tutelada

actualmente pelo Instituto da

Biodiversidade e das Desde há

alguns anos que numerosas

influências exteriores interferem

com
este equilíbrio secular. O

arquipélago, outrora fechado

sobre o seu mistério,
é hoje sujeito a muitas cobiças.

Os seus recursos naturais, ainda

abundantes,
atraem a pesca industrial da

Europa e da Ásia que, apesar das

proibições,
vêm lançar as redes durante a

noite nos canais que separam as

ilhas. As
pirogas artesanais vêm de

diferentes países da sub-região

para pescar em
particular os tubarões, cujas

barbatanas são apreciadas nos

mercados
asiáticos.
As paisagens harmoniosas e

selvagens do arquipélago atraem

promotores
turísticos muitas vezes pouco

preocupados em respeitar o meio

ambiente ou
a sociedade tradicional.
A globalização dos mercados

encoraja a
monetarização progressiva da

economia dos
Bijagós, que se orienta pouco a

pouco para
culturas comerciais como o caju

em
detrimento das zonas de

palmeiras. E já se
antevêem riscos maiores como a

exploração
petrolífera offshore ou

estaleiros de
desmantelamento de barcos velhos,

com o
seu séquito de poluições.
Rapariga bijagó: As tarefas

individuais são definidas segundo

as faixas
etárias e o sexo: os adolescentes

beneficiam de uma grande

liberdade,
enquanto que no inicío da idade

adulta dedicam o essencial da sua

energia
às necessidades da comunidade. Os

anciãos são os detentores do

saber e da
autoridade.
Nos Bijagós, povo animista, a

passagem de um grupo de idade

para outro
faz-se através de ritos de

iniciação em lugares sagrados

afastados das
tabancas (aldeias). Ao longo do

ano, quase um terço do tempo é

consagrado
a cerimónias durante as quais os

baboleros (xamãs) entram em

contacto com
os espíritos. As áreas lodosas

têm os seus espíritos, as

florestas têm os seus
espíritos, as ilhas e os mangais

também: as relações com a

natureza não são
unicamente de ordem prática e

alimentar mas também espiritual.
Por exemplo, algumas espécies de

conchas só são comidas em

cerimónias
específicas e por isso são

objecto de medidas de protecção.
Cerimónia para o Iran (espírito)

na Ilha de Poilão. No povo bijagó

só os iniciados
podem desembarcar nesta ilha e

devem respeitar regras restritas:

explorar só os
recursos que serão utilizados no

próprio sítio,não derramar

sangue,não ter realções
sexuais e não sepultar mortos. O

conjunto destas regras permite a

protecção da zona.
A relação entre o
homem e o seu meio
ambiente, entre os
vivos e os mortos,
manifesta-se pela
existência de lugares
sagrados (florestas,
cabos, ilhas) que
mostram uma
interdependência onde
a natureza e a cultura
se alimentam
mutuamente.
O modo de vida tradicional dos

Bijagós é baseado numa economia

de
subsistência onde o conjunto dos

recursos naturais do território é
aproveitado de forma

diversificada.
O arroz constitui a base da

alimentação enquanto que as

palmeiras fornecem
frutos, óleo e vinho, bem como

uma vasta gama de produtos usados

na
alimentação, artesanato,

habitação, etc.
O essencial das proteínas animais

é
fornecido pelas conchas, peixes e

animais
de capoeira.
Perto de 7 000 fêmeas desovam uma

centena de ovos por anonos

Bijagó,
constituindo assim a maior

colónia de tartarugas verdes do

litoral
atlântico africano.
Os Bijagós são a principal etnia

que povoa este arquipélago

composto por 88
lhas e ilhéus. Só habitam em

permanência cerca de 20 ilhas, em

tabancas
(aldeias) com asas de adobe e

palha. O meio ambiente é

constituído por
savanas, almeirais e mangais onde

os recursos naturais são

abundantes.
As paisagens são marcadas pela

formação do arquipélago no delta

do rio.
Jovens bijagós trajadas com saias

de palha de arroz.
As ilhas, separadas por canais,
são bordadas por zonas lodosas
que são cobertas ou descobertas
em função das marés, impondo o
seu ritmo à vida dos homens e da
natureza.
organizações nacionais e

internacionais está a decorrer um

processo para, no
quadro da Convenção do Património

Mundial da UNESCO, promover a
classificação do arquipélago dos

Bijagós como
SÍTIO DO PATRIMÓNIO
CULTURAL E
NATURAL MUNDIAL
Esta marca de prestígio, que
reconhece o valor universal de um
lugar, constitui uma garantia de
protecção internacional que

poderia
revelar-se crucial para permitir

que a
sociedade dos Bijagós e o seu

meio
ambiente conservem o seu

equilíbrio,
ao mesmo tempo que enfrentam os
desafios do desenvolvimento.
A dança ocupa um lugar central

nas cerimónias e na vida
quotidiana. Os jovens cabaros

(faixa etária dos homens entre
os 18 e os 27 anos) expressam as

forças da natureza terrestre
(máscara de touro) e marinha

(máscara de tubarão).
Braço de mar ou bolon, em maré

baixa
BIJAGÓS
ARQUIPÉLAGO
SAGRADO
A etnia bijagó ocupa as ilhas

habitadas do arquipélago. A

sociedade bijagó
rege-se por uma grande quantidade

de ritos (cem dias por ano são
consagrados a cerimónias

tradicionais) relacionados, em

grande parte, com a
vida selvagem. Por exemplo, a

ilha de Poilão, o maior local do

Atlântico-
Este para a desova das tartarugas

verdes, descoberto há apenas

alguns anos,
é um lugar sagrado onde não se

pode verter sangue, nem humano

nem
animal. Para desembarcar nesta

ilha é necessário pedir a

autorização dos
espíritos. Este tabu, muito

respeitado, permite que as

tartarugas possam
desovar dezenas de ovos sem

enfrentar qualquer predação

humana. Por outro
lado, existem ilhas onde os

animais são considerados sagrados

pela
população: por exemplo, os

hipopótamos na ilha de Orango ou

os tubarões
na ilha Formosa. Os Bijagós são

também conhecidos pelas suas

esculturas,
consideradas como das mais

interessantes de África.
Tabanka bijagó: as aldeias

bijagós estão sempre cercadas de

árvores e afastadas da costa.
BIJAGÓS
ARQUIPÉLAGO
COBIÇADO
Perdidas no esquecimento há 40

anos, as ilhas nunca foram

atingidas pelo
desenvolvimento colonial, com

excepção de dois portos muito

modestos,
Bubaque e Bolama, outrora capital

da Guiné-Bissau. Não sendo

marinheiros,
os Bijagós estabelecem-se em

aldeias no interior das terras;

vivem da
colheita, duma agricultura muito

primitiva e da pesca praticada

andando a
pé. Os bancos de areia e os

labirintos de canais onde a

navegação é difícil
travaram até agora o

desenvolvimento da pesca

comercial. Mas o
esgotamento geral das reservas de

peixe na costa africana alimenta

cobiças
e os pescadores do Senegal e da

Guiné-Conacri, entre outros,

começam a
explorar cada vez mais estes

locais, incrivelmente ricos em

peixe, ao ponto
de criar por vezes aldeias

costeiras.
O hipopótamo ocupa um lugar

sagradao na cosmogonia bijagó.
BIJAGÓS
PATRIMÓNIO
A PRESERVAR
O arquipélago está ameaçado. Os

perigos aumentam devido à

exploração
excessiva das zonas de reprodução

de peixe e, mais recentemente,

devido a
projectos anárquicos de

desenvolvimento turístico. Três

ONG, a Tiniguena -
esta terra é nossa, a UICN (União

Internacional para a Conservação

da
Natureza) e a FIBA (Fundação

Internacional do Banc d’Arguin),

trabalham
no arquipélago, em colaboração

com as tabancas (aldeias)

bijagós, para
combater esses perigos. Cada

proposta é apresentada à

assembleia dos
régulos e à população. Os seus

objectivos são a educação, a

prevenção
sanitária, a defesa do meio

ambiente e a gestão dos recursos

naturais, para
assegurar o desenvolvimento

durável deste arquipélago único e

ajudar os
Bijagós a assegurar o seu futuro

no respeito pelos seus costumes e

pelo meio
ambiente.
BIJAGÓS
ARQUIPÉLAGO ESQUECIDO
Ao largo da Guiné-Bissau, o

arquipélago dos Bijagós é um

conjunto de 88
ilhas e ilhéus perdidos no

Atlântico. Um quarto das ilhas

não é habitado. As
ilhas são cobertas de vegetação

tropical: florestas húmidas,

mangais e
savanas. As suas águas são das

mais ricas em peixe de África.

Abrigam
também uma fauna original:

hipopótamos – por vezes

qualificados como
marinhos porque são os únicos no

mundo a viverem em água salgada –
tartarugas, golfinhos, manatins,

répteis e aves. Um milhão de aves

limícolas,
aves pernaltas que emigram para a

tundra, passam o inverno nos

Bijagós,
assim como flamingos, pelicanos,

garças, garajaus, etc. Mas muitas

das suas
riquezas naturais ainda não são

conhecidas. A criação de dois

parques
nacionais e de uma Reserva da

Biosfera (no quadro do projecto

Man and
Biosphere da UNESCO) ilustram

este interesse fora do comum.
Repartição das responsabilidades

e das funções
das diferentes classes etárias
Idade Classe etária Nome
Bijagó
Características principais
e responsabilidades
Homens
7-11 Crianças Cadene Guarda do

gado e ajuda na caça.
12-17 Adolescentes Canhocám

Participação nas actividades

produtivas. Subir às palmeiras,

artesanato e
iniciação às regras sociais

(segredos das plantas).
Guarda da aldeia.
18-27 Jovens Cabaro Período de

liberdade, festas, danças e

conquistas amorosas. Algum
trabalho regular (limpar os

caminhos da aldeia e participar

em todos os
trabalhos que exigem boa condição

física e capacidades), apoio às
actividades agrícolas e à

produção do óleo de palma.
28-35 Jovens adultos Camabi

Período depois da iniciação

(fanado) dedicado aos trabalhos

mais duros e
à procura dos bens necessários

para o pagamento aos mais velhos,
aprendendo com estes os segredos

da vida.
Administram os palmares, as

florestas e as cambuas.
36-55 Adultos Odõdo Quando passam

do estádio de iniciado ao de

iniciador. Têm plenos
direitos no conselho dos mais

velhos, servem de porta-voz das

resoluções
deste conselho de decisão. Podem

possuir casa e terras e têm

direito a
casar e a ter filhos.
Mais de
55
Homens idosos
Homem grande
Cabongha Recebem ofertas dos mais

jovens. Guardiões dos

conhecimentos e das
regras sócio-culturais

tradicionais.
Mulheres
7-11 Crianças Numpune Trabalhos

domésticos, transporte da água,

apanha de pequenos moluscos
e vigilância dos arrozais.
12-20 Adolescentes Campuni Grupo

etário responsável pelas

cerimónias de defunto. Fora da

aldeia as
mulheres comem, bebem e dançam

juntas e aprendem as técnicas e
saberes para viver na floresta.
21-50 Mulheres casadas Ocanto

Mulheres com crianças para

educar.
Mais de
50
Mulheres idosas
Mulher grande
Oconto Depois da menopausa

controlam as cerimónias das

mulheres.


ASSUNTO: Arquipélago dos Bijagós

(Guiné-Bissau) Reservados os

Direitos do Autor
Edição: Paulo Alves
www.Rituais.com
Textos e Legendas: PRCM (Programa

Regional de Conservação da Zona

Costeira e Marinha da África
Ocidental), FIBA (Fundação

Internacional do Banc d’Arguin),

UICN (União Mundial para a

Natureza),
INEP (Instituto Nacional de

Estudos e Pesquisa), GPC

(Gabinete de Planificação

Costeira da Guiné-
Bissau), Comité MAB (Man and

Biosphere) de França, Reserva de

Biosfera do Arquipélago dos
Bijagós (tutelada actualmente

pelo Instituto da Biodiversidade

e das Áreas Protegidas da

Guiné-Bissau -
IBAP) e Tiniguena (“Esta Terra é

Nossa”) – ONG nacional da

Guiné-Bissau
Imagens: Jean François Hellio e

Nicolas Van Ingen

(Hellio-Van-Ingen)
Colaboração: Joacine Moreira

(CIDAC)
19-05-06 Pág. 5

quarta-feira, 19 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Visite a minha página na Internet

Espero por si:
Visite a minha página na Internet.
Atenciosamente,

Manuel Seleiro

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P73: Poesias de Amilcar Cabral (REGRESSO).

AMILCAR CABRAL








REGRESSO



Mamãe Velha, venha ouvir comigo

O bater da chuva lá no seu portão.

É um bater de amigo

Que vibra dentro do meu coração



A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,

Que há tanto tempo não batia assim...

Ouvi dizer que a Cidade-Velha

– a ilha toda –

Em poucos dias já virou jardim...



Dizem que o campo se cobriu de verde

Da cor mais bela porque é a cor da esp’rança

Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.

– É a tempestade que virou bonança...



Venha comigo, Mamãe Velha, venha

Recobre a força e chegue-se ao portão

A chuva amiga já falou mantenha

E bate dentro do meu coração!




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POEMA



Quem é que não se lembra

Daquele grito que parecia trovão?!

– É que ontem

Soltei meu grito de revolta.

Meu grito de revolta ecoou pelos vales mais longínquos da Terra,

Atravessou os mares e os oceanos,

Transpôs os Himalaias de todo o Mundo,

Não respeitou fronteiras

E fez vibrar meu peito...



Meu grito de revolta fez vibrar os peitos de todos os Homens,

Confraternizou todos os Homens

E transformou a Vida...



... Ah! O meu grito de revolta que percorreu o Mundo,

Que não transpôs o Mundo,

O Mundo que sou eu!



Ah! O meu grito de revolta que venceu lá longe,

Muito longe,

Na minha garganta!



Na garganta de todos os Homens




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ROSA NEGRA



Rosa,

Chamam-te Rosa, minha preta formosa

E na tua negrura

Teus dentes se mostram sorrindo.



Teu corpo baloiça, caminhas dançando,

Minha preta formosa, lasciva e ridente

Vais cheia de vida, vais cheia de esperanças

Em teu corpo correndo a seiva da vida

Tuas carnes gritando

E teus lábios sorrindo...



Mas temo tua sorte na vida que vives,

Na vida que temos...

Amanhã terás filhos, minha preta formosa

E varizes nas pernas e dores no corpo;

Minha preta formosa já não serás Rosa,

Serás uma negra sem vida e sofrente

Ser’as uma negra

E eu temo a tua sorte!



Minha preta formosa não temo a tua sorte,

Que a vida que vives não tarda findar...

Minha preta formosa, amanhã terás filhos

Mas também amanhã...

... amanhã terás vida!




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ILHA

Tu vives - mãe adormecida-
nua e esquecida,
seca,
fustigada pelos ventos,
ao som das músicas sem música
das águas que nos prendem...

Ilha:
teus montes e teus vales
não sentiram passar os tempos
e ficaram no mundo dos teus sonhos
- os sonhos dos teus filhos -
a clamar aos ventos que passam,
e às aves que voam, livres,
as tuas ânsias!

Ilha:
colina sem fim de terra vermelha
- terra dura -
rochas escarpadas tapando os horizontes,
mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!


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Fonte: Antologia Poética da Guiné-Bissau, Editorial Inquérito, 1990

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P72: CONVÍVIO DA COMPANHIA DE CAÇADORES Nº. 3 GUINÉ Guidage e Binta






Mensagem do Ex Fur Mil Félix Dias da Companhia de Caçadores 3 Guiné 69/71:

S. Domingos/Guidage/Binta


Com data de 23-04-2010:

Pedido de publicação.




CONVÍVIO DA COMPANHIA DE CAÇADORES Nº. 3 GUINÉ

Após contactos com alguns de nós, optou-se pela realização do encontro, em terras da Bairrada, na cidade de Anadia.
Assim, venho junto do meu caro amigo e ex-combatente da CCAÇ3, na Guiné, informá-lo que o encontro está previsto para o dia 22 do mês de Maio, com o seguinte

PROGRAMA
10h30 - Concentração, nos Paços do Município
11hl5 - Visita guiada ao Museu do Vinho e da Vinha
13HOO - Almoço no Hotel Cabecinho, em Anadia
17HOO - Encerramento


ALMOÇO
Entradas variadas e regionais
Sopa de legumes
Cabidela de leitão
Leitão assado à Bairrada
Sobremesas (buffet)
Vinhos branco e tinto da região e champagne
Café e digestivos
Dieta: a solicitar pelo interessado

PREÇO por pessoa 30€
ALOJAMENTO NO HOTEL (NIB:003500930002208263095)
Single: 40€
Duplo: 50€
Agradeço a confirmação da presença e número de pessoas, até ao dia 18 do mês de Maio. O pagamento deverá ser efectuado para o Hotel Cabecinho (está indicado o NIB).
Com um abraço, Dias Coimbra
João José Dias Coimbra

diascoimbra@mail.com



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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74-P71: Andorinha - Canchungo - Guiné-Bissau

Andorinha - Canchungo - Guiné-Bissau
2 ANOS DE PROMOÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA E DA CULTURA EM LÍNGUA

PORTUGUESA NA GUINÉ-BISSAU



Em Canchungo, a 24 de Abril de 2008, Marcolino Elias Vasconcelos,

professor – sobretudo de Língua Portuguesa – no Liceu Regional Hô Chi

Minh, e António Alberto Alves, sociólogo e voluntário, iniciaram o

programa Andorinha na Rádio Comunitária Uler A Baand, que tem como

objectivo a promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua

Portuguesa e desde então mantém a sua periodicidade semanal, todas as

quintas-feiras entre as 20.3h e 21.3h na frequência de 103 MHz. De

imediato, para responder a diversas solicitações de apoio educativo,

jovens estudantes tomaram a iniciativa de se organizarem em bankada*,

para ouvirem o programa Andorinha e “praticarem a oralidade e

ultrapassarem o receio de falarem em português”! Ao longo desse ano,

constituíram-se bankadas nos bairros da cidade de Canchungo (Betame,

Pindai, Catchobar, Tchada, Djaraf, rua de Calquisse, Bairo Nobo) e em

algumas tabanka (Cajegute, Canhobe, Tame). Complementarmente, foi

constituída a bankada central Andorinha, que concentra as suas

actividades no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo e que

tem organizado algumas iniciativas: sessões de vídeo, acções de

sensibilização em escolas, feira do livro. [*Bankada é um grupo

informal mas estruturado, sobretudo de jovens, que se juntam num local

na rua, para ouvirem rádio – neste caso, o programa Andorinha e para

praticarem a oralidade em Língua Portuguesa.]

Esta iniciativa Andorinha surge como pioneira num país onde a

utilização da Língua Portuguesa é muito baixa e a sua riqueza parte da

própria motivação de jovens estudantes se organizarem em autoformação.

[ver descrição em anexo]



Complementarmente, neste ano lectivo de 2009-2010, estamos a realizar o

projecto Andorinha – Promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em

Língua Portuguesa – um intercâmbio de escolas portuguesas e escolas no

sector de Canchungo, Região de Cacheu, Guiné-Bissau. Tem como objectivo

a montagem de um projecto bilateral de troca de experiências e

intercâmbio entre um estabelecimento de ensino de Portugal e de um

congénere na Região de Cacheu (Guiné-Bissau), que poderá proporcionar

múltiplas vantagens recíprocas – e despoletar diversas acções de

cooperação. Com efeito, a troca de correspondência escolar entre

directores, professores e alunos, certamente aumentará o domínio da

escrita em Língua Portuguesa entre os guineenses e promoverá o

conhecimento sobre a Guiné-Bissau entre os portugueses. [ver descrição

em anexo]

Neste sentido, as iniciativas Andorinha passarão a promover o uso oral

e escrito da Língua Portuguesa no quotidiano dos jovens e estudantes

guineenses.



Em Canchungo e na Região de Cacheu, a designação de “Andorinha” é já

sinónimo de promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua

Portuguesa. O próximo passo será o da constituição de uma associação,

nomeadamente a partir da organização da bankada central Andorinha, para

conferir personalidade jurídica a estas iniciativas. Entretanto,

solicitamos a adesão à CONGAI – Confederação das Organizações não

Governamentais e Associações Intervenientes ao Sul do Rio Cacheu, o que

foi prontamente aceite.



De salientar, que esta é uma iniciativa concebida e protagonizada por

jovens alunos e professores guineenses, às expensas de trabalho

voluntário e esforço e empenho de cada um – sem qualquer apoio de

instituições responsáveis pela promoção da Língua Portuguesa...

[Para mais informações e imagens, ver

www.andorinhaemcanchungo.blogspot.com



De 20 a 25 de Abril de 2010 pretendemos comemorar o segundo aniversário

do surgimento das iniciativas Andorinha, com a realização de um

conjunto de eventos, onde se destaca a 2.ª Feira do Livro, a 2.ª Festa

Andorinha e uma sessão de vídeo sobre a Revolução dos Cravos em

Portugal.



Na esperança que estas iniciativas possam ser valorizadas e ficando ao

dispôr para qualquer esclarecimento que acharem conveniente,

apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Marcolino Elias Vasconcelos – 00 245 6625332

António Alberto Alves – 00 245 6726963

Eduardo Gomes (Presidente das bankada Andorinha) – 00 245 6824282

--
Andorinha Caixa Postal nº 1 Canchungo Guiné-Bissau
www.andorinhaemcanchungo.blogspot.com

Nota: M. Seleiro
Na minha página está o anexo em pdf no link guerra da Guiné.
Pode aceder a página:
http://www.luardameianoite.com

O anexo contém mais informação...

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P70: Ajuda amiga.

Mensagem do Carlos Silva:
Com data de 12 de Abril de 2010
De regresso da Guiné, (AJUDA AMIGA.)


> Camradas& Amigos
> Acabo de lançar algumas dezenas de fotos da nossa acção em

Canjambari.
http://carlosilva-guine.i9tc.com/site

> Vão comparando a nossa acção no ano 2009 e 2010. A Ajuda Amiga está a
> crescer.
> Amanhã, vou lançar a reportagem sobre Jumbembem
> Com um grande abraço
> Carlos Silva

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P69: Poema de Amílcar Cabral.

ILHA

Tu vives - mãe adormecida-
nua e esquecida,
seca,
fustigada pelos ventos,
ao som das músicas sem música
das águas que nos prendem...

Ilha:
teus montes e teus vales
não sentiram passar os tempos
e ficaram no mundo dos teus sonhos
- os sonhos dos teus filhos -
a clamar aos ventos que passam,
e às aves que voam, livres,
as tuas ânsias!

Ilha:
colina sem fim de terra vermelha
- terra dura -
rochas escarpadas tapando os horizontes,
mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!


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Fonte: Antologia Poética da Guiné-Bissau, Editorial Inquérito, 1990
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terça-feira, 6 de abril de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P68: Mais uma saída para o mato








Mensagem do Plácido Teixeira da C. cav 3365 -S. Domingos 71/73:
Com data de 06-04-2010
A viver nos Estados Unidos:
Boston,





""Mais uma saida para o mato""
Mais uma saida para o desconhecido ou incerteza... uma vez mais nao se



sabia o perigo que estava do lado de fora do arame farpado! O azar

que os esperava poderia ate estar eminente. Em qualquer curva, em

qualquer canto . Para os que nao tinham patrulha nesse dia, era como

pais ver os filhos partir!!, Os que ficavam para traz so restava ,

olhar, acenar e desejar muito boa sorte!!
Na nossa mente, havia sempre um pensamento mau e pressentimento de



medo !. O receio de uma inesperada ma noticia era alias sempre de

esperar. As constantes emboscadas e o eminente perigo!
Havia depois geralmente uma pergunta para fazer a quem nos queria e

sabia responder!! Alguem que tinha acesso a informacao e sabia o que

se estava a passar na patrulha......Que tal esta o pelotao? Esta tudo

a correr bem com a patrulha? etc. etc.
Por mim e todos os demais,era uma alegria e descanso, ver finalmente

regrssar os nossos amigos que tinham ido na patrulha.. Chegavam com

sede, calor e cansados, mas com saude e sem perigo.
Depois eram as perguntas....viste alguma coiza? houve rebentamentos?
Assim se passava mais um dia de patrulha!! mas......a tristeza

vinha, quando por meio do radio, a gente ficava a saber de tragedias.!

Em S. Domingos foi constante e habitual nas saidas para o mato, que

alguem nao mais retornava. Era desgosto,era tristeza e era desespero.



Quando chegava o Helicopetro para a evacuacao,havia lagrimas em todos

os olhos. A depressao tornou-se enorme e constante., Quando sabia -mos

quem era a pessoa magoada, havia dor e lagrimas. Era mais um martir

de uma guerra estupida, sangrenta e cruel. Vinha a raiva e vinha o

desgosto!! Seria um nosso amigo, da mesma terra, do circulo de amigos

mais proximo.! Sera que ele vai ficar bem? Sera que ele vai viver?

sera que ele.........etc etc.
Meus amigos, era a Guine, uma guerra sem ideais, sem justificacao e sem

legalidade. Uma crueldade,um massacre de inocentes, matar para viver,

viver para matar!!
Assim se passavam os dias na Guine, longe da familia de pais e

irmaos!!. As patrulhas que iam para o mato,sempre com a duvida se

voltariam o receio do que poderia acontecer,do perigo de minas e

emboscadas .Os que ficavam, porque receavam e pensavam tambem o pior,

ficavam preocupados e exaustos de sofrimento Afinal estava mos todos

no mesmo. Era a sobrevivencia.
Amigos mais uma historia, que foi a realidade do perigo do Ultramar e

o perigo a que todos nos estivemos expostos!.
Abracos fraternos e de muita amizade
Placido Teixeira - Ca. de Cav. 3365 S.Domingos 71/73

Nota de M. Seleiro:
O Plácido Teixeira num mail enviado no dia 04-04-2010

Meu amigo Seleiro
Mando-lhe este video e se for possivel por, pois e a minha resposta ao

ultimo texto que o meu amigo Parreira lhe enviou.Acho que e um

comentario muito bom e que ele goste concerteza.
Um abraco meu amigo e felicidades para voces.
Placido

Resposta ao Plácido no mesmo dia:
Que não me sendo possível baixar o vídio, do Youtube deixei ao seu

critério outra alternativa.

Na mensagem de hoje o Plácido volta a fazer o pedido:
A verdade é que não consigo baixar todos os comandos do vídio.
Vamos tentar o link abaixo...




Roberto Carlos na canção, amigo.
Clique aqui para ouvir,

Fotos © 2010 direitos reservados:

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terça-feira, 30 de março de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P67: Deus escreve direito por linhas tortas, e livrou-me do Inferno deS. Domingos.

Mensagem do Ex Fur Mil Bernardino Parreira da C. cav 3365 S. Domingos.
71/73:
Com data de 30-03-2010




Deus escreve direito por linhas tortas, e livrou-me do Inferno deS. Domingos.


Já não sei ao fim de quanto tempo de permanência na Guiné, tinhamos
direito a gozar férias, só sei que tinha férias marcadas para vir à
Metrópole, suponho que para o início de 1972, quando recebi ordem para
partir em rendição individual para Guidage. Nunca cheguei a saber ao
certo se aquilo fora obra do acaso ou por "castigo". De subito senti
tristeza, porque iria separar-me dos meus companheiros e amigos, com
quem estava desde Janeiro de 1971, quando formamos Batalhão em
Estremoz. Despedi-me da malta que me foi possivel contactar e lá parti
para Bissau. Alguns fizeram questão de me fazer percorrer as ruas de
S. Domingos, em cima de um Unimog, para me despedir da população das
Tabancas que frequentava, onde tinha muitos amigos, e sensiblizou-me a
despedida comovente e afectuosa em que me envolveram.
Chegado a Bissau deveria ter-me dirigido ao Quartel General, com vista
a levantar as guias para a minha apresentação em Guidage, mas, mais
uma vez, quis Deus que eu fosse primeiro almoçar a um restaurante,
onde encontrei um amigo do Algarve, que tinha estado comigo na tropa
em Tavira, e que em Bissau estava nos Serviços Administrativos do
Quartel da Amura. Logo me perguntou o que estava eu ali a fazer, e eu
disse-lhe que tinha férias marcadas mas que me tinham lixado e mandado
para Guidage, ao que ele me alertou que depois das férias marcadas
ninguém tinha competência para as anular a não ser por motivo de força
maior, justificado superiormente, e perguntou-me se eu tinha comigo a
autorização das férias e de facto eu tinha. Depois ele ensinou-me
quais os documentos que eu deveria preencher nos Serviços
Administrativos do Quartel General, e assim o fiz.
Sem nunca me apresentar no Quartel, não fossem eles apanhar-me, andei
2 ou 3 dias por Bissau, a dormir numa pensão, até obter o bilhete de
avião que me transportasse para a Metrópole.
Mas a melhor estava para vir, estava eu no avião, já tinha encontrado
um camarada de Lisboa, e o Vagomestre, que estavam comigo em S.
Domingos e que também vinham de férias, quando vejo entrar o Sr.
"Pepino" que com os "bonitos" modos dele me pergunta "o que é que
fazes aqui?" e eu respondi-lhe "o mesmo que o meu primeiro..." e ele
interroga-me novamente "então não eras para estar em Guidage?" E eu
respondi-lhe " ...se assim fosse não estava aqui...", eu, com a minha
calma, e uma cara de gozo que se pode imaginar, e os outros, que
também não o gramavam, a rir também, o fulano até mudou de cor, e não
lhe cheguei a dizer como tinha dado a volta à situação.
Ao lembrar-me desta história, passados 38 anos, recordo-me do
camarada de Lisboa, de quem não me lembro o nome, que dado a hora
tardia a que o avião chegou, de noite, e eu não ter transporte para o
Algarve, me convidou para dormir em sua casa, na Cruz Quebrada, em
Lisboa, onde ele e a família me trataram muito bem, e eu fiquei-lhe
eternamente grato, se não tinha que andar de mala na mão, às tantas da
noite, à procura de Pensão em Lisboa.
Estive um mês no Algarve, gozei o máximo que pude, e depois regressei
a S. Domingos, mas, como o meu destino estava traçado, não foi daquela
vez foi de outra, lá fui para uma Companhia Africana, mas desta vez
para o Bachile, para a C. Caç. 16.
Ao deixar o inferno de S. Domingos, dei graças a Deus porque a minha
vida na Guiné mudou para melhor, deixei de estar sob bombardeamentos
massivos do PAIGC, vindos do Senegal, mas até no Bachile se ouviam os
ataques a S. Domingos e eu sabia quando os meus amigos e
companheiros estavam a ser flagelados, e sofria com isso.
Frequentemente recebia más notícias, de mortes e feridos em S.
Domingos, porque quando fazia escoltas a Teixeira Pinto, e mesmo no
Bachile, às vezes, encontrava camaradas de S. Domingos que estavam de
passagem.
No Bachile, com a mata da Caboiana próxima, considerada "uma das
residencias" do PAIGC, a Guerra não era fácil, mas como eu tinha vindo
de um autentico inferno, achei que tinha chegado a um "cantinho do
Céu"...!
Muitos dos militares da Companhia Africana, a que passei a pertencer,
tinham familiares do outro lado da guerra, e a maior parte deles
estavam na Guerra Colonial obrigados, tal como nós, só sei dizer que
fiz lá muitas amizades, de que sinto saudades, eu convivia com os meus
camaradas e amigos quer no Quartel quer fora dali, em jogos de futebol
e petiscos, e frequentava até as suas casas, no Pelundo, em Teixeira
Pinto, e noutras povoações vizinhas, onde residiam, e ainda hoje
considero os militares da C. Caç 16, brancos e africanos, meus
camaradas, meus irmãos, meus amigos, tal como sempre considerei os da
C CAV 3365.

Aqui envio uma fotografia do quarto que deixei em S. Domingos, em
Fevereiro/Março de 1972, e para onde voltei cerca de 1 mês antes do
embarque de regresso à Metrópole em Março de 1973, porque nessa altura
muito poucos se atreviam a dormir nas casernas.

Bernardino Parreira
Ex-Furriel Mil.

Nota: M. Seleiro
Ó Parreira o Pepino, era tramado. Não era?
Estava sempre onde não devia estar!

Fotos © 2010 do Ex Fur Mil Parreira direitos reservados.

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segunda-feira, 22 de março de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P66: Poesia Agostinho Neto (ANGOLA) ,Sagrada Esperança

Voz do sangue

Palpitam-me

Os sons do batuque

E os ritmos melancólicos do blue

Ó negro esfarrapado do Harlem

Ó dançarino de Chicago

Ó negro servidor do South

Ó negro de África

Negros de todo o mundo

Eu junto ao vosso canto

A minha pobre voz

Os meus humildes ritmos.

Eu vos acompanho

Pelas emaranhadas áfricas

Do nosso Rumo

Eu vos sinto

Negros de todo o mundo

Eu vivo a vossa Dor

Meus irmãos.

Agostinho Neto (Angola), Sagrada Esperança

sexta-feira, 19 de março de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P65: Viagem Virtual a Guiné-Bissau.

Viagem virtual a Guiné-Bissau.
Clique aqui.

Superfície : 36 120 km²
População : 1 472 780 habitantes
Densidade : 48 hab./km²
Capital : Bissau, habitada por 388 028
Língua Oficial : Português
Línguas Nacionais : Crioulo Guineense (língua falada pela maioria), Balanta, Fula, Manjaco, Mandinga, Pepel e outras.
Religiões : Animismo/Crenças Indígenas (50%)
Islamismo (45%)
Cristianismo (5%)
Moeda : Franco CFA (da Comunidade Financeira Africana)
Data da Independência: 24 de Setembro de 1973
IDH (2006) : lugar 173 entre 177 países
PIB (2005): lugar 174 entre 180 países
(800 $US/ano, por habitante)

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segunda-feira, 15 de março de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P64: Os morteiros Cantaram!




Mensagem do Plácido Teixeira da C. CAV 3365 S. Domingos 71/73.
Com data de hoje 15-03-2010:
A Viver nos Estados Unidos.

Boston,




OS MORTEIROS CANTARAM




Cantaram um dia em que todos nos andavamos despreocupados. Por sermos ainda novos na Guine, pensavamos que afinal os nossos amigos inimigos, nao queriam nada connosco.
Estavamos todos sentados, uns a beber umas cervejas mal frescas, outros a volta do pequeno radio a pilhas, a ouvir a Miss Portugal outros a ouvir o Rod Stewart a cantar Someoone like you.....
De repente, um grande estrondo.!!
A confusao foi total devido a falta de orientacao. A desorientacao foi incrivel para um lugar de perigo.
Uns corriam para a esquerda outros para a direita .Finalmente decidimos ir para o abrigo do morteiro, que era o mais perto mesmo por traz da cozinha.
Tal foi a desorganizacao, todos andavam a correr sem saber que que fazer e para onde ir..para se defender.
O capitao, arrogante , ignorante e sem qualidades de comandar, com muito ma atitude, deixou que todos estivessemos desorganizados, desprevenidos e descontrolados.. Alem de um fraco profissional, nunca teve inteligencia para organizar a defesa, antes que tivesse acontecido um ataque. Sei que nesse primeiro ataque, os Morteiros cantaram!! Nao posso compreender que defesa esses morteiros, possam ter dado, para alem do barulho que faziam! Sempre pensei que estavamos desprotegidos e entregues ao destino,afinal nao me enganei concerteza..Havia de certeza a mao de D.s por cima de todos nos. Nao havia valentia, havia coragem,odio, desespero e ate lagrimas.Havia o medo que se transformou em Fe! .Afinal nunca juramos pela Patria, nao se jura com a boca fechada , ou amordacada. Nao se jura pela Patria quando somos obrigados a fazer o que nao queremos Se havia falta de Liberdade de expressao, quando nos diziam para calar a boca, como podiamos nos jurar defender a pela Patria, quando afinal nos era-mos os invasores? Esperavam eles que fosse mos o Salvador da Patria quando fomos deitados ao abandono, enviados para o desterro como criminais? Nao nao e assim!Quando debaixo de ataques,vi pessoas agarradas as cruzes que tinham ao peito e pedir a D.s.!! Ouvi chamar pela mae e por Nossa Senhora!!

Infelizmente, tivemos a primeira vitima!.
Nao pelo fogo, este amigo morreu devido a desorganizacao e bandalheira .O Capitao, tinha a Companhia totalmente desorganizada a deriva como um barco sem destino.. O nosso amigo foi apanhado em lugar nao seguro e foi ferido. Para ser tratado depois do ataque, foi a enfermaria, Como os fios electricos tinham sido cortados pelos rebentamentos, ficou tudo escuro e o nosso amigo teve o azar de trepar nos fios electricos. Infelizmente nada se pode fazer. Podia ter sido qualquer um de nos!
Era Alentejano, boa pessoa e foi a nossa primeira vitima. Jamais esqueceremos.

Fotos © do Plácido Teixeira, 2010 direitos reservados:

Nota: M. Seleiro

O Plácido escreveu:
O morteiro estáva atráz do refeitório, em princípio esse morteiro foi colocado aí em Dezembro de 69 pelo pelotão de caçadores nativos 60...
Um abraço amigos

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