segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P55: (Você meu amigo.)




Mensagem do Plácido Teixeira da C. cav 3365 -S. Domingos 71/73.
Com data de 14 02 2010
A viver nos Estados Unidos.
Boston,



Voce, tal como eu e todos os demais jovens da nossa idade naquele

tempo, sofremos
os
perigos e horrores da Guerra Colonial, somos todos vitimas. Uns mais

do que outros, vitimas inocentes de abuso politico.
Voce que sofreu no corpo o crime cometido por senhores do poder, que

não pensaram em si, ou em todos nós!! Pensaram somente no poder, no

colonianismo e interesses pessoais com importancia.
Voce que andou numa guerra, injusta e criminosa, voce por quem eu tenho

o maior respeito, voce que foi vitima de interesses, de ditadores

rudes, criminosos que usaram o povo portugues e a sua juventude, que

sacrificaram gerações e as usaram em nome da Pátria .
Voce que continua ignorado, por um Governo que se diz Democratico e

que nada faz pelo seu bem estar ou para aliviar o seu sofrimento e de

sua familia.
Voce que chorou lagrimas de sangue, as mesmas que seus pais, seus

filhos, sua esposa ou ate a rapariga que voce amava, choraram por si.
Voce, amigo que partiu para sempre, deixou tristeza, deixou saudade,

deixou na memoria de todos nós, a boa pessoa e amante da vida, que

voce era.
Voce, amigo que tinha ainda tanto amor para dar e alegria para viver!
Voce, amigo, jovem, cheio de energia e talento e juventude, poderia

ter feito tanto por Portugal, pelos amigos e pela familia.
Voce, meu amigo, que deixou para sempre, os seus companheiros

militares, amigos, mas eles de si nunca se esqueceram . Sabem que

voce, esta com D.s!!
Voce, meu amigo, continua na memoria, desses que consigo jogaram à

bola, às cartas, e que passaram bons momentos numa festa ou até num

almoço.
Esses amigos, ficaram tambem marcados para sempre, pelas tragedias

pessoais dessa guerra, com a saudade, a tristeza do sofrimento. Esses

amigos passaram noites sem dormir, a pensar nos companheiros feridos,

no sofrimento e nos que partiram para sempre. Esses amigos ficaram

marcados pela tragedia e tremiam de medo ao ouvir um barulho mais

forte, mais intenso. Muitos desses amigos, ainda hoje sobrevivem

traumatizados pela guerra, continuam a viver pelas ruas das nossas

cidades!!
Voce, meu amigo, tal como os amigos que partiram para sempre, mais os

que vivem nas ruas, e ainda os que hoje sofrem a saudade de todos

esses menos afortunados, foram vitimas de interesses pessoais e de

poder politico, continuam hoje esquecidos, por outros politicos, com os

mesmos interesses de poder e pessoais. Voce, amigo nao está esquecido,

nunca será esquecido pelo seu amigo, companheiro e camarada. Voce

amigo, continua sempre no pensamento.
Voce, meu amigo, eu nunca o esqueci. Voce, meu amigo, que me deu

palavras de carinho, de ânimo, de força e de coragem para o futuro!

Voce, meu amigo, que confiou em mim, que me deu valor eu nunca o

esqueci. Meu amigo, você foi meu amigo e tenho imenso orgulho de ser

seu amigo!!. As circunstâncias da vida tornaram impossivel que eu lhe

retribuisse a mesma amizade e coragem a mesma confiança, o mesmo valor

!! Voce, meu amigo foi valente, voce teve coragem, voce e ainda hoje

um heroi, porque tenta dar animo e ajuda aos ex-combatentes menos

infelizes . Voce tem lutado e conseguido que eles nunca tenham sido

esquecidos.Voce conseguiu que eles tenham tido uma vida humanamente

mais digna!! Bem haja e que D.s o abençoe



Fotos © do Plácido Teixeira, da C. cav 3365 direitos reservados.

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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P54: Poesia Chamam-te Rosa, minha preta formosa,





Rosa

Rosa.

Chamam-te Rosa, minha preta formosa,

E na tua negrura

Teus dentes se mostram sorrindo.

Teu corpo baloiça, caminhas dançando,

Minha preta formosa, lasciva e ridente

Vais cheia de vida, vais cheia de esperança

Em teu corpo correndo a seiva da vida

Tuas carnes gritando

E teus lábios sorrindo...

Mas temo a tua sorte na vida que vives,

Na vida que temos..

Amanhã terás filhos, minha preta formosa

E varizes nas pernas e dores no corpo;

Minha preta formosa já não serás Rosa,

Serás uma negra sem vida e sofrente,

Serás uma negra

E eu temo a sua sorte.

Minha preta formosa não temo a tua sorte,

Que a vida que vives não tarda a findar...

Minha preta formosa, amanhã terás filhos

Mas também amanhã...

... amanhã terás vida!

Amílcar Cabral (Cabo Verde) in Revista "Mensagem",

Ano I, nº 6, Janeiro de 1949

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P53: Notas Soltas.



Notas soltas:

Guiné, Ingoré ano de 69.
Uma pequena história, de um grande homem.
Pirróne era o seu nome, condutor auto de especialidade da companhia de caçadores 1801…
Conheci-o em Ingoré quando da ida do pelotão de caçadores nativos 60 para aquele quartel.
Era uma pessoa calma mas de uma compleição física fora do comum era alto e de uma força física sem igual…
Normalmente quando saía em coluna auto na GMC que lhe estava atribuída, nunca conduzia dentro da referida viatura.
Durante as picagens conduziam só com um pé no acelerador e resto do corpo fora da GMC este modelo creio que era o mais antigo, o tejadilho era de chapa e o banco do condutor era um saco de areia.
Nunca vi este homem de camuflado, o seu fardamento abitual era uns calções, uma camisa número 2 e chapéu de palha, por vezes andava de chinelos…
O Pirróne era temido, e respeitado desde o soldado, ao Capitão.
Amigo do seu amigo, mas quando as coisas corriam para o torto, atenção! O Pirróne não perdoava.
Segundo a versão que corria entre os camaradas do Pirróne quando da passagem da 1801 pelo Cacheu, a companhia passou ali a noite quando seguia para Ingoré.

Ainda era o velho quartel junto ao Rio, nessa noite ouve um grande ataque ao quartel do Cacheu…
As instalações eram pequenas para duas companhias, ouve muita confusão e muitos feridos com gravidade.
Ouve dois homens da 1801 que se destacaram, um dos soldados subiu para o terraço do edifício, e de metralhadora MG em punho varria toda a zona da capela, onde estava um canhão sem-recuo.
O Pirróne saío do quartel sozinho levou consigo o cinturão cheio de granadas de mão, e a G3 e partiu pela rua principal do Cacheu em direção onde se realizava o mercado e assim foi progredindo, rajada a esquerda e a direita uma vez por outra lançava uma granada para progredir no terreno.
Foi assim que o IN foi abrandando o fogo na direção do Quartel, o soldado da MG foi condecorado e o Pirróni exibia varias cicatrizes no rosto.
O quartel de Ingoré, tinha dois destacamentos, o do Sedengal, o da Totinha, o Pirróni foi destacado para o Sedengal, por três meses.
Passados 36 dias da sua presença ali os camaradas que se encontravam sentiam no Pirróne um líder, aproveitaram para contarem que as coisas sobre a comida andavam muito mal.
Depois de fazer algumas investigações junto do cabo do depósito de géneros e do cozinheiro, chegou a conclusão que havia bacalhau e batatas para fazer uma vez por semana coisa que não acontecia a muito tempo.
Houve uma reunião na caserna com cerca de 20 soldados com o Pirróne como chefe, a decisão tomada foi de falar com o Alferes comandante do destacamento.
Foi dado um prazo ao Alferes, de três dias para dar uma refeição de batatas com bacalhau…
Mais foi dito se tal não viesse acontecer o Pirróne saía do Sedengal com os homens que o quisessem acompanhar até Ingoré.
Ao terceiro dia na refeição do almoço não foi o que eles esperavam.
Depois de uma curta reunião no refeitório cerca de 14 homens comandados por o Pirróne formaram em frente ao comando, armado, e de camuflado onde o pirróne deu as vozes de comando aos homens.
Informou o Alferes que iam partir em coluna até Ingoré onde chegaram por volta das 16horas…
Chegados a Ingoré…
Soldados, oficiais e sargentos do quartel de Ingoré ficaram todos com curiosidade em saber o que tinha acontecido!
Lá estava o Pirróne com os seus 14 homens mandou pôr os soldados em sentido, e apresentou-os ao Capitão. O capitão deu ordem para ficarem a vontade e pediu que o Pirróne fosse ao seu gabinete.
Uma hora depois da conversa ter terminado foi feita uma coluna auto para levar um carregamento com géneros e os 14 homens para o destacamento do Sedengal.
Ninguém ficou a saber o que se passou no gabinete do capitão.

A escolta foi feita pelo pelotão de caçadores nativos 60.

Primeiro cabo Manuel Seleiro
DFA,

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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P52: Memórias do Tempo Passado.











Memsagem do Plácido Teixeira da C. cav 365 S. Domingos 71/73.

Com data 06 02 2010:

A viver nos Estados Unidos:
Boston


Memórias do tempo Passado.





Desde que disse ao meu filho que estive em Africa, que andei la como

militar, a curiosidade dele em saber mais, e enorme !!.
As perguntas sao incessantes e continuas. A Africa, a guerra, o que

fazia, etc.!!
Por vezes ja nao consigo responder a tanta pergunta. Fico cansado e

por vezes, peco-lhe ate para deixar algumas perguntas para o dia

seguinte.
Disse-lhe o que foi a guerra e qual foi a razao. Expliquei como se

vivia com o perigo.! Como viviam os nativos e como nos os respeitava-

mos como seres humanos, tal e qual como eramos nos. Que genero de

Governo havia em Portugal nessa altura. Que escuro era o nosso Pais

onde nao havia liberdade. Um pais que tinha um Governo que chamava de

""Marranos"" as pessoas com a nossa Fe, Que no servico militar

obrigatorio nao interessava se fossem Marranos, doentes, ciganos ou

outras minorias. Eram todos obrigados a ir para a tropa de onde nao

se podia sair. Enviados para o degredo, para longe da familia, em

Africa.
Contei-lhe como foi a nossa vida na Guine, das privacoes,

limitacoes, abandono e ignorados pelo mesmo Governo!.
Disse-lhe que Portugal era um pais de fome e de pobreza, sem o minimo

respeito pela dignidade humana. Que nao havia democracia e direitos

humanos, que nao havia direito a voto, que nao se podia escolher os

Governantes. Que muitas pessoas roubavam para matar a fome aos flhos e

poder sobreviver.
Disse-lhe que Portugal, nessa altura, nao tinha um Governo legitimo e

como tal, era repudiado, nao era reconhecido pela maioria do Mundo

livre. Que Portugal nao podia comprar armamento, para a nossa defesa,

pois ninguem as vendia a Portugal. Contei-lhe do arame farpado que me

fazia lembrar um campo de concentracao!! Ele, sabe bem da historia e

do passado Nazi, pelo qual esse mesmo Governo teve admiracao!! Ele

aprendeu na escola os crimes cometidos contra um povo, do qual

fazemos parte, somente porque acreditamos num so D.s!!!! Contei-lhe

que esse Governo, tirou alimentos aos Portugueses, para vender aos

Nazis, que esses alimentos foram pagos com o ouro roubado das vitimas

dos campos de concentracao!! Crimes esses que a humanidade e o Mundo

moderno, nao pode negar!!. Contei-lhe das necessidades e privacoes, das

amizades de pessoas que nos respeitaram. Disse-lhe que em 39 anos, eu

nunca falei disto a ninguem, talvez por respeito a mim proprio ou

porque nao queria que outros soubessem o que foi o sofrimento em

Africa. Disse-lhe que antes de eu fechar este assunto para sempre,

era finalmente altura de lhe contar .
Depois de lhe explicar tanta coisa, ele olhou para o chao, houve

silencio e ficou assim algum tempo. Depois um sorriso e um abraco.
Olhou para mim e disse-me, nem sei como o teu pai te deixou ir!!.
As lagrimas estavam nos olhos dele e eu nao pude conter as minhas.
As criancas tambem nos dao licoes de vida, alem das licoes de amor, que

nos dao diariamente. Acredito que o melhor que se pode deixar aos

filhos, sao memorias, o tempo passa, mas as memorias ficam eternamente.

Dedico esta mensagem com homenagem a todas as vitimas da guerra inutil,

injustificada e de terror politico
Meus amigos bem hajam!



Nota:
Vídio enviado pelo Plácido Teixeira.
Carta de um pai para um filho.


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Nota:
Do Bernardino Parreira Ex Fur Mil da C. cav 3365 S. Domingos 71/73.



Meu Grande Amigo Placido
A forte emoção que tive ao ler este texto deixou-me sem palavras.

Comove até às lágrimas! Ouvir da boca de uma criança a exclamação "não

sei como o teu pai te deixou ir"!! Trespassa-nos o coração. Meu D.s, as

crianças pensam que os pais os protegem sempre, e nós às vezes ficamos

sem resposta...
Este texto está Excelente, ensina miúdos e "graúdos". B.Parreira


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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P51: O primeiro Sargento que tratava o Morteiro por tu.



Quartel de Ingoré ano de 69.
Companhia de caçadores 1801 67/69:
Chamava-se Óscar era primeiro sargento, da Caç 1801.
Tinha a sua responsabilidade a manutenção do morteiro 81 e apontador do mesmo…
Este homem tinha a particularidade de tratar o morteiro 81 por tu!
Dentro do abrigo as caixas das granadas estavam arrumadas segundo o seu método de trabalho.
Havia uma caixa de granadas com todas as cargas, propulsoras e duas ou três de granadas sem cargas.
O abrigo era em forma de meia lua, e tinha umas estacas de madeira, numeradas o que ele chamava de cota de tiro.
O primeiro sargento Óscar era considerado o melhor apontador de morteiro em todo o sector de S. Domingos e arredores…
E o que lhe dava esse estatuto, de melhor apontador de morteiro 81 era um pormenor muito importante…
Este homem conseguia por no ar (doze granadas de morteiro 81 e rebentarem de rajada!)


Nota:
A pessoa que está na foto não é o primeiro sargento Óscar.

Manuel Seleiro

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P50: Não chamem cobardia!





Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar

Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar










Adriano Correia de Oliveira.
Menina dos Olhos Tristes
Clique aqui.




Mensagem do nosso camarada Plácido Teixeira, da C. cav 3365 S. Domingos, 71/73.


A viver nos Estados Unidos:

Boston,



Enviou a seguinte mensagem, com data de hoje:






















Meus amigos
Quero compartilhar com todos voces, o que foi S.Domingos. Nao foram concerteza ferias ou ate um

safari em Africa. Foi uma guerra inutil alimentada por um Governo Europeu, que pos em perigo a

juventude, filhos e ate pais, que recusou a liberdade do povo africano, bem como a nossa propria

liberdade. Nao houve voluntarios houve obrigacao. Nao pela Patria mas pelo servico militar, para

depois sermos abandonados em terras longinquas. Fomos diariamente atacados por melhores armas,

melhor equipamento ao qual nao podiamos resistir. A destruicao era entao total. A desmoralizacao

aumentava e o desespero estava a vista. Um Governo que dava morteiros, e pouco mais para

defender a nossa vida! Onde estava a valentia? Nao havia valentes! Nada se fazia por esse Governo

a nao ser salvar a vida. . Como podiam Governantes que nao eram reconhecidos no Mundo livre,

obrigar a Juventude Portuguesa praticamente a defender-se com espingardas antiquadas,

morteiros e obuses de geracoes antigas e pouco mais que tenha tido nome?
Protegidos mal e porcamente pelos pelos velhos e lentos avioes , que por vezes nem nos podiam

oferecer proteccao. Havia o perigo de nos atingir e entao sermos nos as vitimas.. Pelas fotos,

ve-se a destruicao,!! Destruicao, causada pelos RPG.s e os famosos misseis de fabrico Sovietico.
Nunca tentamos ser valentes nem tao pouco apoiar um Governo cuja ideia era massacrar a Juventude

Portuguesa, usar para carne de canhao e tratar como carneiros.!!Nunca ninguem, nenhum de nos, foi

valente em troca de medalhas ou diplomas!!
Fomos obrigados a uma guerra que nunca deveria ter existido e para isso nao houve voluntarios,

nunca houve vencidos ou vencedores. Eles queriam a Liberdade ao mesmo tempo que em Portugal se

gritava pelo mesmo! O nosso povo estava farto de ditadura e caixotes de pinho. Esses lobos

famintos do Governo nada faziam e nada fizeram pelos que ficaram inutilizados e traumatizados,

passamos fome e sede. Ficamos sem panelas, electricidade e frigorificos. Alimentos e municoes

muito poucas.Fomos mendigos. Tivemos que andar na tabanca a mendigar por galinhas, porcos e o que

desse para comer. Beterraba serviu para substituir as batatas, que nao havia.
Nao fomos todos agarrados a mao, porque eles nao quizeram,afinal deram-nos mais respeito que o

Capitao barrigudo e mal encarado., sem personalidade e fraco professional. Pouco faltou para

que o quartel tenha sido invadido pois as condicoes e seguranca em que estavamos eram muito

limitadas. Chegamos a dormir e a comer com a espingarda ao lado. O Comandante do Batalhao, com

cara de Esganarelo e barriga de Sancho Pansa, deveria ter sido o unico voluntario para aquela

chamada guerra, esse viajava de helicopetro talvez com escolta enquanto os nossos homens

obrigados a ir para a guerra e para o mato em patrulhas, viajavam em velhas GMC do tempo da

guerra mundial e outras viaturas que o Governo comprava na Alemanha cuja finalidade era uso

civil, mas que transformava para uso militar.Portanto meus amigos, foi fome, peste e guerra.

Houve pessoas destemidas, que se recusaram a ir para o mato, outros recusaram e renunciaram a

patrulha e houve ate ameacas de desercao
Nunca se pos a vida em perigo, por medalhas ou meritos, pois sobreviver era entao o que estava no

pensamento.
Meus amigos, pelos que deixaram este Mundo por essa Guerra, devemos alem de tudo, rezar e que D.s

os tenha em Paz!
Bem Haja
Placido Teixeira

Fotos: © Plácido Teixeira direitos reservados.

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P49: camarada deficiente


camarada deficiente
deficiente companheiro

Tu és um grito poema saltando duma garganta,garganta escrava que foi garganta liberta que é! Tu foste o motivo que causou. Tu foste a causa que motivou a libertação que eu poema sinto e sou! Tu companheiro foste o mal necessário sem o qual não teriam despertado os capitães d'Abril! Sem ti Companheiro mutilado muitos... mas muito soldados seriam sacrificados nestes dois anos d'Abril! Eu sou um poema inteiro não mutilado porque sou feito de ti do sinistrado da viúva, do órfão e trabalhador explorado! -Tu és um símbolo: não de fascista, nem de explorador! Tu tens toda a raiva qu'eu tenho de ofendido, oprimido, colonizado! Eu sou um poema sentido porque sou feito de ti! Tu foste peça d'armamento e como instrumento matámos! (é preciso que o poema que somos grite: MATÁMOS) Mas quando matámos e vimos correr o sangue vermelho dum povo negro: Acordámos! (é preciso que o poema que somos grite: ACORDÁ-MOS) E quando acordámos: Não vimos só que as gaivotas eram livres! – Renascemos! E ao renascer despertámos muitas gentes surdas e endurecidas! – Tu, camarada, deste-me a mim, poema, a cor do sangue que rasgou a alma dum soldado! – E eu, poema, feito de ti, sinto que se não foras tu... se não tivesse em mim as tuas carnes decepadas: Abril teria sido só Abril com trinta escravas madrugadas!
António CalvinhoIn “Trinta Facadas de Raiva”

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domingo, 31 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P48: Afrase do dia.

"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer." ( Albert Einstein )

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P47: NOTAS SOLTAS DE UM EX-FURRIEL MILICIANO DA COMPANHIA DE ARTILHARIA

Mensagem do Ex Fur Mil da CART 643 64/66 Bissorã:
Com data de 29-01-2010

NOTAS SOLTAS DE UM EX-FURRIEL MILICIANO DA COMPANHIA DE ARTILHARIA
643, BATALHÃO 645-AGUIAS NEGRAS.
Embarcámos para a Guiné a 4 de Março de 1964 e chegados a Bissau a 10.
Durante cerca de mês e meio ficámos por Bissau e arredores, até que em
Maio a Cart643 foi ajudar numa operação a Grampará, zona situada entre
o Geba e Rio Corubal, em frente á Ponta do Inglês. Ficámos lá 3 dias,
conseguimos os nossos objectivos que foi apanhar alguns inimigos e
algum armamento, mas também quasi sermos comidos pelos mosquitos, pois
tudo era um tarrafo com grandes extensões de lodo.
Passado algum tempo fomos levádos para a zona do OIO, mais
própriamente BISSORÃ para bater-mos a área até ao OLOSSATO, MANSABÁ,
etc.A nossa companhia foi fantástica, conseguimos dominar uma área
muito grande, nós saíamos constantemente não dando descanso ou por
outra ninguem ficava dentro do arame farpado, assim o chamado inimigo
tinha medo de nós.
Eu ao fim de 17 meses fui ferido a norte de BISSORÃ, lá pelas 6,00
horas da manhã. Posso afirmar que fui o militar que na guerra do
ultramar devia ter tido mais sorte em não morrer. Eu ia á frente do
grupo e fomos atacados com armas ligeiras e pesadas, mais própriamente
é lançada uma granada foguete P-27 PANCEROVKA de 120 m/m de fabrico
checo. A granada bateu em mim e não explodiu, bateu-me a meio da perna
(coxa), claro que os ossos sairam logo, portanto fractura exposta, eu
ainda me levantei, agarrei nela e lançeia para uma vala junto á
bolanha, claro a pouca distância, porque julgava que iria explodir,
ela deitava fumo, e se assim fosse havia um ângulo maior para não
sermos apanhados. Fui evacuado para o Hospital de Bissau e 20 dias
depois para Lisboa.
Contraí uma chamada oiteíte crónica, doença sem cura e que de vez em
quando agudiza e tenho de ser aberto para raspagens, agora tenho um
antibiótico mais eficaz que aplico com mais sucesso.
Eu não era um operacional, era de Manutenção Auto mas era ao mesmo
tempo voluntário nas operações, achava que tinha o dever de ajudar os
meus camaradas, não me arrependo de ter feito o que fiz, sair com
frequência, tenho a alegria de ter a gratidão, ainda hoje dos meus
companheiros. Por estas atitudes fui condecorado com a Cruz de Guerra
de 4ª classe em 1966, assim como alguns camaradas da minha Companhia
no total de sete.
Daqui para a frente posso contar histórias mas de origem mais alegre,
cenas cómicas que nos aconteceu a todos.
Um abraço para a rapaziada do PELOTÃO DE CAÇADORES NATIVOS 60 em
especial de quem estou com mais afinidade neste momento o MANUEL
SELEIRO.
Nota:
Amigo Rogério bem vindo ao blogue do pel caç nat 60.
Sinta-se avontade nesta humilde Tabanca.

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P46: (Direito a Indignação)

(Direito a Indignação)

O camarada x:

Ex Fur Mil da C. cav 2539 69/71 S.Domingos.
Ex combatente na Guiné sofre de stress de guerra, com alterações psicológicas profundas.
Por essa razão a sua vida profissional tem sido inconstante, assim como a sua vida particular tem sofrido bastante instabilidade…
Á desespero e revolta, quando se fala com este Homem…
De alguns anos para cá tem sido seguido nas consultas de stress pós tramático, do hospital Militar.
Por várias vezes foi ha junta médica, sem ver a sua situação resolvida…
Por via e-mail com data de 13 01 2010, o X informa que foi de novo há junta médica onde lhe foi atribuído os míseros 10% de incapacidade...
O x pergunta:
Que fazer perante esta injustiça gritante e revoltante.
Para um Homem que durante dois anos da sua juventude, deu ao País o melhor de si…
Os governantes deste País não querem compreender esta injustiça que são os milhares de combatentes.
Com (Stress pós traumático de guerra).
E outras mazelas adquiridas no decorrer dos vinte quatro meses de comissão.
Estes jovens dos anos 60, hoje estão doentes, moral e psicologicamente…
As suas idades ronda os 55/65 anos são milhares os combatentes, com as mais diversas (Patologias).
Estes camaradas, foram abandonados a sua sorte durante muitos anos.
É indigno, o que pagam por ano a estes homens.
Será possível? Que fazer perante esta realidade.
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Fonte Youtube.

Manuel Seleiro
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Pel caç nat 60 Guiné 68/74 -P45: O filho que não voltou da guerra.

O Plácido Teixeira da C. cav 3365 71/73 S. Domingos.
A viver nos Estados Unidos Boston.

Pede para publicar esta canção:


Roberto Leal -O filho que não voltou da guerra.

name="allowscriptaccess" value="always">allowfullscreen="true" width="425" height="344">

A fonte (Youtube:

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P44: Mundo de pernas para o ar.

















Mensagem do Plácido Teixeira da C. cav 3365 S. Domingos 71/73 com data

de hoje.
A viver nos Estados Unidos Boston.



Chegados a Guiné, estivemos atracados ao largo de Bissau, era noite

e havia o cheiro seco de Africa.
Conhecia eu a Africa, esperava ver bonitas e limpas praias, bananeiras,

mangos, palmeiras, as tipicas queimadas do mato! Fazendas e muito

mais. A África que eu conheci quando era crianca. A bonita baia da

cidade de Luanda!!
Amanheceu e que espanto para mim ao ver Bissau!! Praias escuras,

somente lama.... vi tristeza e pobreza vi a Africa que afinal eu nao

conhecia... Levaram-nos depois em camioes como porcos quando vao para

o matadouro! Fomos para o Cumere..para um estagio ...IAO..., como eles

diziam!! Ali recebemos o primeiro ataque....um enxame de abelhas de

África que invadiram a caserna e demorou horas ate que elas se

decidissem retirar. Tambem, no Cumere, tive a coragem de enfrentar o

Capitao e expressar os meus sentimentos quanto aquela guerra que afinal

nao nos pertencia!! Dei-lhe a saber que embora muito novo na idade, eu

tinha os meus ideais e tinha os meus planos para a vida.. Nao ficou

muito impressionado, como era de esperar! Fez ameacas, mas isso nada me

disse, ou intimidou!! Eram palavras que saiam da boca de um labrego

de carreira militar, pelo qual eu nao tinha respeito!!..Estava em causa

a minha vida, o meu futuro e acima de tudo a minha saude....A liberdade

chamava por mim! Era concerteza a mesma liberdade que queriam as

pessoas que teriamos eventualmente de enfrentar!
Fomos depois para S.Domingos, de lanchas velhas e sem seguranca,

navegando por rios salgados e pantanosos, canais com agua escura .

Perigo estava em todos os lados. Apesar de anedotas e sorrisos,

havia dor e angustia. Medo nao se pode dizer que nao havia. Eu

olhava a minha volta, perguntava a mim proprio, onde estaria a selva

Africana? Onde estao os animais selvagens? Elefantes, leoes, etc? Eu

nao acreditava que aquilo fosse Africa, ou entao era uma Africa

diferente da que eu conhecia, ou estaria eu sonhando?
Por esses canais transportados nas velhas lanchas da Marinha,

finalmente chegamos a S. Domingos!! Podia agora ver terra vermelha de

Africa, ver o velho cais de madeira ao qual tantas vezes eu iria.

Pisei novamente solo Africano. Africanos que afinal eram pessoas

humanas como nos, nao o inimigo que nos ensinaram nos tempos de

escola!!! Por algum longo tempo, seriamos afinal todos familia,

todos irmãos. A noite deitei-me, entreguei-me ao destino, a D.s e

depois dormi!!. Sonhei com a minha terra, com os verdes montes, o rio

cristalino e limpo la em baixo no vale, as aves a voar pelas encostas

floridas das serras. Sonhei com a familia e uma ou outra amiga ou

companheira de escola. Nao queria acordar! Queria sonhar! Queria que

aquela realidade fosse tambem um sonho, ate mesmo um pesadelo. De

manhã acordei, orientei os meus sentidos e vi finalmente onde

estava!! Para onde me tinham levado. Ganhei coragem e levantei-me.

Olhei a minha volta e disse a oração mais sagrada da minha Fe!! .. Tive

um arrepio enorme quando vi o arame farpado todo a volta. Tremi, tive

medo e ate chorei. Veio-me a memoria imagens de um passado

recente!!.Imagens de fome e tragedia. Chorei, continuei a olhar. Vi

macacos nas árvores que estavam por perto. Apercebi-me, entao, que

afinal havia vida por aqueles lados... depois pensei!! .Pensei que ""

O mundo se VIROU DE PERNAS PARA O AR!! Depois foi o dia a dia, semana

a semana , perigo, solidao, tristeza, saudades e amizades. Ficamos

todos amigos e eramos entao uma familia . Sofriamos o sofrimento de

cada um e a dor de quem tinha dores era comum..
Escrevia e lia cartas de amigos que nao sabiam ler ou escrever.

Ensinei a ler quem nao sabia. Muitas vezes transformamos a tristeza em

alegria. Demos conselhos uns aos outros e desses conselhos nasceram

ideias para o futuro, para a vida em frente. Cuidavamos de quem adoecia

e compartilhavamos o desespero dos mais desfavorecidos. Tinhamos

pesadelos e sonhos para o futuro. Com esses sonhos da vida,

conquistamos os pesadelos. Enfrentamos o pior que o destino atirou

contra nos. Fomos fortes, destemidos e fomos valentes!!!
O dia a dia era igual a todos os dias. Sempre a pensar na semana e mes

seguinte. !!!! Esperando mais um ataque, uma boa visita, fugir

para os abrigos, uma bebida fresca, um pouco de conforto, talvez ate

uma carta ou uma musica agradavel!! Com a vontade de D.s o dia de

regresso chegou finalmente.!!. Ouve alegria misturada com tristeza.!!

Abraços misturados com lagrimas. Para tras ficariam os nossos amigos

africanos, as nossas lavadeiras, a Tabanca o rio Cacheu !! Ficaria

tambem o arame farpado que tao mas memorias me deixou!! Ficou tambem a

saudade de quem infelizmente ja nao podia estar connosco!! A

lembrança daqueles que tristemente nao podiam confraternizar e

partilhar a nossa alegria. Fomos para Bissau, depois partimos para

Lisboa. Foi uma viagem de aviao, talvez recompensa pelo sofrimento

que tivemos em S.Domingos. Novamente em terra que nos era bem

familiar!! Havia familiares a gritar os nossos nomes, havia emocao!!

Demos uns aos outros o abraço final!! Uns para sempre, outros ate

breve e outros ate um novo reencontro!! Ficaram porem as fotografias

e as memórias, as cartas e os sonhos de uma guerra bruta, imoral, de

ocupação!! Hoje em dia a vida e diferente. Mais velhos, casados pais

de filhos, avos.O regime foi-se. Houve Democracia e com esta a

liberdade que nos faltava. Na memoria continua ainda a saudade dos

que nos deixaram . Devo tambem lembrar ainda a miseria e pobreza de

muitos sem abrigo, que foram ex-Combatentes...Estes mereciam melhor!

Realmente o... MUNDO VIROU-SE DE PERNAS PARA O AR G.d

bless you all

Fotos © Plácido Teixeira C. cav 3365 Direitos Reservado:

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P43: SOLIDARIEDADE

SOLIDARIEDADE
Expedição arranca no dia 25 de Fevereiro
À espera do sorriso
das crianças de Varela
Duas centenas de crianças da localidade de Varela, na Guiné-Bissau

http://batalhaocacadores2885.blogspot.com

Um abraço
A. Rodrigues

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sábado, 23 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P42: Sons da Guiné

O Plácido Teixera da C. cav 3365 S. Domingos
Enviou este vídio com imagem e sons da Guiné.
Este vídio foi extraído do Youtube.

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P41: IMPROVISAR-DESENRASCAR





O nosso camarada Plácido Teixeira da C. CAV 3365 71/73 S. Domingos.
A viver nos Estados Unidos
Boston,

Enviou a seguinte mensagem com data de hoje:

IMPROVISAR-DESENRASCAR

Amigos
Quantos de nós, que estivemos em S.Domingos 71/73, antes e depois, se lembra das semanas, meses sem electricidade e por isso sem agua?
Era comum andar pelas Tabancas para tomar banho com agua suja de cor barrenta. Dessa agua, tinhamos que beber e ate cozinhar.
Houve alturas que tivemos a necessidade de ir a Tabanca com um Jeep, buscar agua para cozinhar.
Foi por vontade de D.s que nao apanhamos doencas, colera etc, essa agua tinha que ser filtrada, para nao deixar passar certos germes ou bacterias ate mesmo pequenas larvas.
Uma ideia nossa foi apanhar agua das chuvas. Como chovia bastante, a ideia foi arranjar bidons da gasolina e encher sempre que chovia.
Como era muito humido em S. Domingos e o calor era enorme, a gente resolveu o problema de ar condicionado, sauna e banheira!
Quando os Bidons estavam cheios, punha-se um bloco de cimento no fundo, levava-se uma revista a qual era compartilhada por todos, sentavamos dentro do bidom e somente com a cabeça de fora foi resolvido o problema de ar condicionado e de banho. Fomos, portanto, em 71/73, os propulsores da sauna!!! Com a nossa necessidade e inovacao, fizemos a nossa propria sauna!!!
Chamem o que quizerem, para mim era a necessidade das necessidades.
Meus amigos, mais uma historia de Africa, na Guine e do tempo que passamos longe da familia a cumprir uma pena penal pela qual nao houve crime!! Abracos para todos

Fotos © Plácido Teixera, da C. cav 3365 direitos reservados.

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sábado, 16 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P40: Regresso de uma patrulha


Primeira foto:
regresso do Pel Caç Nat 60 de uma patrulha…
Estrada S. Domingos/Ingoré a quinze quilómetros, de S. Domingos.



Segunda foto:
A ouvir música para descontrair.



Terceira foto:
Junto ao Rio de S. Domingos.


Quarta foto:
evacuação de um ferido…


Quinta foto:
A mais famosa, Daimler.
De S. Domingos
( Sandy Shaw)



S. Domingos,
Ano de 70
Regresso de uma patrulha do pelotão de Caçadores Nativos 60.
Foram dois dias a andar por trilhos com mata cerrada, mal dava para ver o sol.
Destino destruir um acampamento, e se possível fazer prisioneiros...
As nove horas uma avioneta com um Major de operações sobrevoava o local, foram feitos os primeiros contactos via rádio com o Major...
Fomos informados que devia ser colocada uma tela na clareira a nossa frente para melhor orientação do Major.
Cumpridas estas formalidades veio a ordem para avançar...
Avioneta vai avioneta vem o In foi embora brincadeiras de Major de operações.
Claro não havia ninguém para dar tiros.
Demos meia volta e viemos embora para S. Domingos.

Manuel Seleiro


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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P:39 Vitória!

alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita. (Mahatma Gandhi)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P38: Os Cornos da Desgraça.











Fernando Tordo
A Tourada,
Clique aqui para ouvir.


Mensagem do Plácido Teixeira da C. Cav 3365 S. Domingos 71/73


Aviver nos Estados Unidos.


Enviou-nos a seguinte mensagem:


Com data de 10 01 2010


Guiné S. Domingos 71/73 andava muito em moda ""OS CORNOS DA DESGRAÇA"" . S. Domingos, guerra, bombardeamentos diarios, miséria , fome, sede, abandono e tristeza geral. A malta andava desmoralizada .Tinha havido recentemente mortes, feridos etc.. Havia que fazer algo!!! Tentar ganhar a confiança, a alegria e moral de jovens com 22 anos, que afinal estavam na flor da juventude. Sentiam a falta de familia, de amor de carinho. Afinal era ainda uma juventude desperdiçada, o melhor que Portugal tinha.............
Tinhamos um pequeno radio a pilhas, sim a a pilhas porque a maioria das vezes nem electricidade, ou agua para tomar banho!!! O gerador, nao trabalhava sem electricidade!!! Ouviamos diariamente no pequeno radio,....a TV Portuguesa esteve em ......A radio esteve em..... o artista musical portugues esteve em.......etc... etc .
Mas que porra, pensei eu um dia!!! Há que fazer algo. Afinal estamos sozinhos. ninguem vem por cá, é perigoso etc. etc.
Nao há TV ou Radio!!! Nao tinhamos a visita de ninguem, nem de um Capelão !!! Nem um veterinario aparecia, eramos afinal como carneiros abandonados, numa zona de perigo!!!!!
Eu nao dormia.... pensava o que fazer, .... algo teria de ser feito e muito rapido.
Tive uma ideia.!! Falei com o Lino, que achou muito bem a minha optima ideia.
Falámos com o Oliveira com o Pedro Oliveira, o Cruz......wow ..o plano estava a andar!!! Estava a ser concretizado os Cornos da Desgraça!!!!!! o meu plano.
Falamos com amigos, explicamos a ideia. De certeza a PIDE estava alerta.
O Oliveira, pôs à disposicão um Jeep e mais veiculos.
Arranjamos uns cornos e a ideia era o ""casamento da desgraça!!
O Lino era o noivo, o Pedro Oliveira a noiva""a desgraça"", eu como era o mais novo fui o das alianças...que afinal foi um par de cornos. O casamento, foi no cais de S. Domingos à beira da água. Nao havia padre/capelão. ..nem foi preciso.
Fizemos de um carro que era a TV, outro a Radio. Havia muita gente a acompanhar a festa.
Passeamos pelas ruas de S. Domingos e a população juntou-se a nós, gostou, e a alegria era comum!! Foi um dia de alegria para todos. Afinal a psicologia é mesmo assim. ...Nesse dia, nao estivemos .....abandonados ou esquecidos,......nesse dia, do PAIGC ,não houve morteirada!!! Eles tambem estiveram connosco!!!! Meu D.s até o ""inimigo foi nosso amigo""!!. foi festa para todos em S. Domingos. Nesse dia foi alegria para todos!!!
Depois, nessa noite, cansado e sem energia, fui para a cama, não consegui dormir e pensei..afinal..quem precisa de Radio ou TV , artistas ou MNF (Movimento Nacional Feminino) ou até de hipocritas?..quando estamos sozinhos, debaixo de fogo constante, abandonados mas com vida, ninguem se lembra de nós. Liguei o radio, pus a cassete, ouvi o Tordo a cantar a Tourada.......!!!! Rezei a D.s "" Shema Israel Adonai Heloeinu Adonai Echaad!! Senti-me feliz e adormeci!! Dormi bem e sem sobressaltos. Conseguimos dar alegria, reanimar a esperança e estavamos felizes...afinal a ideia foi os Cornos da Desgraça à qual nós estavamos entregues....Bem haja amigos

Fotos: © do Plácido Teixeira, Direitos reservados.

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domingo, 10 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 - Guiné 68/74 -P37: As mãos




José Afonso
(Menina dos olhos tristes)
Clique aqui.
As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra

Com mãos tudo se faz e se desfaz

Com mãos se faz o poema - e são de terra.

Com mãos se faz a guerra - e são a paz.



Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.

Não são de pedra estas casas mas

de mãos. E estão no fruto e na palavra

as mãos que são o canto e são as armas.



E cravam-se no Tempo como farpas

as mãos que vês nas coisas transformadas.

Folhas que vão no vento: verdes harpas.



De mãos é cada flor cada cidade.

Ninguém pode vencer estas espadas:

nas tuas mãos começa a liberdade.



O CANTO E AS ARMAS, CENTELHA, COIMBRA, 1974, 3ª EDIÇÃO, P. 121
Manuel Alegre

sábado, 9 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P36: Tráz outro Amigo também





(Tráz outro amigo também...
José Afonso,
para ouvir clica aqui.
Há pouco lia um comentário, ao Post 35 S. Domingos a ferro e fogo.
Comentário do Parreira da C. cav 3365, onde ele dizia seria bom que camaradas que tiveram em S. Domingos em 73/74 que, comentássem os ultimos anos em S. Domingos...
Camarada tiveste em S. Domingos de 67/74?
Vem contar, as tuas histórias...
Será intererssante comtares os teus episódios que viveste em S. Domingos.
Tiveste em Ingoré, nos anos de 67/74?
Faz como está escrito acima, uma retrospectiva dos momentos que lá estiveste.
Sou o Manuel Seleiro, era do pelotão de caçadores Nativos 60 cheguei a S. Domingos a 27 de Julho de 68 tive três meses em S. Domingos...
Em Nuvembro parti para Ingoré onde tive com a C. caç 1801 doze meses, regressei de novo a S. Domingos.
Como vez sou um (SOLDADO), errante conheci muitos camaradas.
Gostaria da tua presença neste blogue para revivermos esses momentos únicos...
Um abraço, do camarada Seleiro do Pel Caç Nat 60.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P35: -S. Domingos a ferro e fogo










Foto de Plácido Teixeira da C. cav 3365


Mensagem do nosso camarada Plácido Teixeira da C. cav 3365 71/73 S. Domingos.
Com data de 07 01 2010

Senhor Spínola....sim, senhor!!! porque outros tempos vão longe !Mas senhor Spínola com muito respeito eu digo e escrevo o seguinte:
Muito obrigado pelas palavras que proferiu uma vez em S. Domingos, para uma Companhia abusada, e maltratada e deitada ao abandono.Lembro-me que uma vez, num horrível mês, a nossa Companhia foi um alvo, uma carreira de tiro. Sim e nós o alvo. Era bombardeamento diário. Não havia comida, não havia bebida ou até luz.
Lembro-me que andava a passar uma ronda e fomos apanhados no meio do campo de futebol. Todos saltamos do Jeep, uns para a direita, outros para a esquerda. Como fomos apanhados no meio do campo de futebol, a vala e os abrigos estava muito longe. Corri e cheguei finalmente a vala, sem arma, sem sapatos e sem óculos! Bonito para a minha defesa. Mais uma vez a ideia era sobreviver. Havia fumo por todo o lado. A maioria dos nossos amigos estava na "Tabanca"! Como tinha chovido, na vala era só lama. Não havia luz e com o fumo nada se via para fora da vala. Era até impossível por a cabeça de fora.O tiroteio do outro lado do arame era intenso.Constou que estava-mos a ser atacados com bombas de fumo e que até já tinham entrado para dentro do "quartel".
Ficámos toda a noite nos abrigos. Mesmo após o tiroteio ter parado, estava tudo cansado e desmoralizado, sabe-se lá até com que ideias. Sabia-mos que do lado de fora do arame, o ataque estava bem organizado e como tal para sobreviver não havia que dar chances ou oportunidades.
Na manhã seguinte com a luz do dia só se via destruição. Poucos foram os que se aventuraram para fora. dos abrigos. No entanto como era normal principiaram os boatos...o Jeep está destruído...o bar está acabado...ha dois mortos...há inúmeros feridos...na enfermaria só há sangue etc. etc.
Foi bombardeamento diário durante muitos dias. Era afinal S. Domingos. Era a razão pela qual a sede do Batalhão foi para lugar seguro. Foi assim o nosso pesadelo!.
Durante os ataques e certas vezes podia-se ouvir o outro lado, sabia-mos portanto que eles não
estavam longe, e que afinal eram seres humanos como nós, só que defendiam a sua terra a qual não nos pertencia. Eles tinham razão. Nós éramos invasores, era-mos seres humanos como eles, com pais e irmãos, alguns casados e com filhos Ficámos, esgotados e sem energia para sobreviver. agua não havia a não ser a da chuva, comer não havia e munições também estavam a esgotar rápido.
A lama acavou por secar e as pernas foram ficando presas como no cimento. As armas, muitas não trabalhavam de sujidade.Estava-mos deitados ao abandono e a mercê da sorte ou do destino.
Não veio ajuda... nem do ar ou de terra nem tão pouco por agua.Esperava-mos somente ajuda, mas do Céu. Mais um dia e seria-mos todos mortos ou prisioneiros tal foi essa semana maldita
Os aviões não podiam vir, pois eles estavam tão perto, corria-mos o risco de ser também feridos ou mortos.Helicópteros não vinham mandar mantimentos, medicamentos e o necessário, pois seriam alvejados...estes foram os boatos!.
Finalmente ao fim de uma semana, fomos ajudados. Talvez tenha sido por Deus...Como ratos saímos das valas. A cara estava amarela, a barba enorme a roupa rasgadas, e avia lama por todo o lado e até ao cabelo.
O choque final foi saber quem ficou ferido, quem morreu etc.
Ficou tudo destruído. Gerador, frigoríficos, fogões até as panelas ficaram como um assador de castanhas! Agua nao havia. Passámos a beber água amarela dos possos da tabanca. Estava-mos portanto sujeitos a malária etc.
Era uma companhia desmoralizada, sem energia sem sono! Uns choravam com o stress de Guerra, outros nao falavam, outros ficaram sem o sorriso da juventude.
Finalmente um dia um helicóptero!
Foi tudo reunido para ouvir o Governador da Guiné.Senhor Spínola eu agradeço imenso e esteja onde estiver, esteja em paz, como em paz nos deixou!
Agradeço as palavras, não de um general mas palavras de um amigo, palavras de reconhecimento.
Agradeço ter compreendido estes jovens que foram deichados a mercê das armas e da sorte.
Senhor Spínola...muito e muito obrigado por ter dito a todos nós, em frente do Comandante da Companhia que…a culpa não foi nossa, que aculpa foi do vosso Comandante que deixou que o vosso quartel fosse uma carreira de tiro!.
Resta-me portanto dizer que fomos bombardeados diariamente, que sofremos porque gente sem escrúpulos , sem dignidade,gente agarrada as ideias fascistas e de poder, orgulhosos de uma farda e de peso nos ombros famintos por medalhas ao peito, nunca pediu ajuda.! Esse Comandante nao teve dignidade humana...
Senhor Spínola, muito obrigado é verdade...aquele senhor desumano, realmente deixou fazer do nosso quartel uma carreira de tiro, onde todos nós fomos o alvo.Bem-haja.
Fotos: © Plácido Teixeira, direitos reservados .

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