sábado, 23 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P42: Sons da Guiné
O Plácido Teixera da C. cav 3365 S. Domingos
Enviou este vídio com imagem e sons da Guiné.
Este vídio foi extraído do Youtube.
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Plácido Teixeira C. cav 71/73,
Vídio do Youtube
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P41: IMPROVISAR-DESENRASCAR



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O nosso camarada Plácido Teixeira da C. CAV 3365 71/73 S. Domingos.
A viver nos Estados Unidos
Boston,
Enviou a seguinte mensagem com data de hoje:
IMPROVISAR-DESENRASCAR
Amigos
Quantos de nós, que estivemos em S.Domingos 71/73, antes e depois, se lembra das semanas, meses sem electricidade e por isso sem agua?
Era comum andar pelas Tabancas para tomar banho com agua suja de cor barrenta. Dessa agua, tinhamos que beber e ate cozinhar.
Houve alturas que tivemos a necessidade de ir a Tabanca com um Jeep, buscar agua para cozinhar.
Foi por vontade de D.s que nao apanhamos doencas, colera etc, essa agua tinha que ser filtrada, para nao deixar passar certos germes ou bacterias ate mesmo pequenas larvas.
Uma ideia nossa foi apanhar agua das chuvas. Como chovia bastante, a ideia foi arranjar bidons da gasolina e encher sempre que chovia.
Como era muito humido em S. Domingos e o calor era enorme, a gente resolveu o problema de ar condicionado, sauna e banheira!
Quando os Bidons estavam cheios, punha-se um bloco de cimento no fundo, levava-se uma revista a qual era compartilhada por todos, sentavamos dentro do bidom e somente com a cabeça de fora foi resolvido o problema de ar condicionado e de banho. Fomos, portanto, em 71/73, os propulsores da sauna!!! Com a nossa necessidade e inovacao, fizemos a nossa propria sauna!!!
Chamem o que quizerem, para mim era a necessidade das necessidades.
Meus amigos, mais uma historia de Africa, na Guine e do tempo que passamos longe da familia a cumprir uma pena penal pela qual nao houve crime!! Abracos para todos
Fotos © Plácido Teixera, da C. cav 3365 direitos reservados.
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sábado, 16 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 -P40: Regresso de uma patrulha

Primeira foto:
regresso do Pel Caç Nat 60 de uma patrulha…
Estrada S. Domingos/Ingoré a quinze quilómetros, de S. Domingos.

Segunda foto:
A ouvir música para descontrair.

Terceira foto:
Junto ao Rio de S. Domingos.

Quarta foto:
evacuação de um ferido…

Quinta foto:
A mais famosa, Daimler.
De S. Domingos
( Sandy Shaw)
S. Domingos,
Ano de 70
Regresso de uma patrulha do pelotão de Caçadores Nativos 60.
Foram dois dias a andar por trilhos com mata cerrada, mal dava para ver o sol.
Destino destruir um acampamento, e se possível fazer prisioneiros...
As nove horas uma avioneta com um Major de operações sobrevoava o local, foram feitos os primeiros contactos via rádio com o Major...
Fomos informados que devia ser colocada uma tela na clareira a nossa frente para melhor orientação do Major.
Cumpridas estas formalidades veio a ordem para avançar...
Avioneta vai avioneta vem o In foi embora brincadeiras de Major de operações.
Claro não havia ninguém para dar tiros.
Demos meia volta e viemos embora para S. Domingos.
Manuel Seleiro
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P:39 Vitória!
alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita. (Mahatma Gandhi)
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(Mahatma Gandhi),
Vitória
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P38: Os Cornos da Desgraça.
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Fernando Tordo
A Tourada,
Clique aqui para ouvir.
Mensagem do Plácido Teixeira da C. Cav 3365 S. Domingos 71/73
Aviver nos Estados Unidos.
Enviou-nos a seguinte mensagem:
Com data de 10 01 2010
Guiné S. Domingos 71/73 andava muito em moda ""OS CORNOS DA DESGRAÇA"" . S. Domingos, guerra, bombardeamentos diarios, miséria , fome, sede, abandono e tristeza geral. A malta andava desmoralizada .Tinha havido recentemente mortes, feridos etc.. Havia que fazer algo!!! Tentar ganhar a confiança, a alegria e moral de jovens com 22 anos, que afinal estavam na flor da juventude. Sentiam a falta de familia, de amor de carinho. Afinal era ainda uma juventude desperdiçada, o melhor que Portugal tinha.............
Tinhamos um pequeno radio a pilhas, sim a a pilhas porque a maioria das vezes nem electricidade, ou agua para tomar banho!!! O gerador, nao trabalhava sem electricidade!!! Ouviamos diariamente no pequeno radio,....a TV Portuguesa esteve em ......A radio esteve em..... o artista musical portugues esteve em.......etc... etc .
Mas que porra, pensei eu um dia!!! Há que fazer algo. Afinal estamos sozinhos. ninguem vem por cá, é perigoso etc. etc.
Nao há TV ou Radio!!! Nao tinhamos a visita de ninguem, nem de um Capelão !!! Nem um veterinario aparecia, eramos afinal como carneiros abandonados, numa zona de perigo!!!!!
Eu nao dormia.... pensava o que fazer, .... algo teria de ser feito e muito rapido.
Tive uma ideia.!! Falei com o Lino, que achou muito bem a minha optima ideia.
Falámos com o Oliveira com o Pedro Oliveira, o Cruz......wow ..o plano estava a andar!!! Estava a ser concretizado os Cornos da Desgraça!!!!!! o meu plano.
Falamos com amigos, explicamos a ideia. De certeza a PIDE estava alerta.
O Oliveira, pôs à disposicão um Jeep e mais veiculos.
Arranjamos uns cornos e a ideia era o ""casamento da desgraça!!
O Lino era o noivo, o Pedro Oliveira a noiva""a desgraça"", eu como era o mais novo fui o das alianças...que afinal foi um par de cornos. O casamento, foi no cais de S. Domingos à beira da água. Nao havia padre/capelão. ..nem foi preciso.
Fizemos de um carro que era a TV, outro a Radio. Havia muita gente a acompanhar a festa.
Passeamos pelas ruas de S. Domingos e a população juntou-se a nós, gostou, e a alegria era comum!! Foi um dia de alegria para todos. Afinal a psicologia é mesmo assim. ...Nesse dia, nao estivemos .....abandonados ou esquecidos,......nesse dia, do PAIGC ,não houve morteirada!!! Eles tambem estiveram connosco!!!! Meu D.s até o ""inimigo foi nosso amigo""!!. foi festa para todos em S. Domingos. Nesse dia foi alegria para todos!!!
Depois, nessa noite, cansado e sem energia, fui para a cama, não consegui dormir e pensei..afinal..quem precisa de Radio ou TV , artistas ou MNF (Movimento Nacional Feminino) ou até de hipocritas?..quando estamos sozinhos, debaixo de fogo constante, abandonados mas com vida, ninguem se lembra de nós. Liguei o radio, pus a cassete, ouvi o Tordo a cantar a Tourada.......!!!! Rezei a D.s "" Shema Israel Adonai Heloeinu Adonai Echaad!! Senti-me feliz e adormeci!! Dormi bem e sem sobressaltos. Conseguimos dar alegria, reanimar a esperança e estavamos felizes...afinal a ideia foi os Cornos da Desgraça à qual nós estavamos entregues....Bem haja amigos
Fotos: © do Plácido Teixeira, Direitos reservados.
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domingo, 10 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 - Guiné 68/74 -P37: As mãos


José Afonso
(Menina dos olhos tristes)
Clique aqui.
As mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra
Com mãos tudo se faz e se desfaz
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedra estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
O CANTO E AS ARMAS, CENTELHA, COIMBRA, 1974, 3ª EDIÇÃO, P. 121
Manuel Alegre
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Menina dos olhos tristes José Afonso,
Poema
sábado, 9 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P36: Tráz outro Amigo também



(Tráz outro amigo também...
José Afonso,
para ouvir clica aqui.
Há pouco lia um comentário, ao Post 35 S. Domingos a ferro e fogo.
Comentário do Parreira da C. cav 3365, onde ele dizia seria bom que camaradas que tiveram em S. Domingos em 73/74 que, comentássem os ultimos anos em S. Domingos...
Camarada tiveste em S. Domingos de 67/74?
Vem contar, as tuas histórias...
Será intererssante comtares os teus episódios que viveste em S. Domingos.
Tiveste em Ingoré, nos anos de 67/74?
Faz como está escrito acima, uma retrospectiva dos momentos que lá estiveste.
Sou o Manuel Seleiro, era do pelotão de caçadores Nativos 60 cheguei a S. Domingos a 27 de Julho de 68 tive três meses em S. Domingos...
Em Nuvembro parti para Ingoré onde tive com a C. caç 1801 doze meses, regressei de novo a S. Domingos.
Como vez sou um (SOLDADO), errante conheci muitos camaradas.
Gostaria da tua presença neste blogue para revivermos esses momentos únicos...
Um abraço, do camarada Seleiro do Pel Caç Nat 60.
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Tráz outro amigo também José Afonso
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P35: -S. Domingos a ferro e fogo





Foto de Plácido Teixeira da C. cav 3365
Mensagem do nosso camarada Plácido Teixeira da C. cav 3365 71/73 S. Domingos.
Com data de 07 01 2010
Senhor Spínola....sim, senhor!!! porque outros tempos vão longe !Mas senhor Spínola com muito respeito eu digo e escrevo o seguinte:
Muito obrigado pelas palavras que proferiu uma vez em S. Domingos, para uma Companhia abusada, e maltratada e deitada ao abandono.Lembro-me que uma vez, num horrível mês, a nossa Companhia foi um alvo, uma carreira de tiro. Sim e nós o alvo. Era bombardeamento diário. Não havia comida, não havia bebida ou até luz.
Lembro-me que andava a passar uma ronda e fomos apanhados no meio do campo de futebol. Todos saltamos do Jeep, uns para a direita, outros para a esquerda. Como fomos apanhados no meio do campo de futebol, a vala e os abrigos estava muito longe. Corri e cheguei finalmente a vala, sem arma, sem sapatos e sem óculos! Bonito para a minha defesa. Mais uma vez a ideia era sobreviver. Havia fumo por todo o lado. A maioria dos nossos amigos estava na "Tabanca"! Como tinha chovido, na vala era só lama. Não havia luz e com o fumo nada se via para fora da vala. Era até impossível por a cabeça de fora.O tiroteio do outro lado do arame era intenso.Constou que estava-mos a ser atacados com bombas de fumo e que até já tinham entrado para dentro do "quartel".
Ficámos toda a noite nos abrigos. Mesmo após o tiroteio ter parado, estava tudo cansado e desmoralizado, sabe-se lá até com que ideias. Sabia-mos que do lado de fora do arame, o ataque estava bem organizado e como tal para sobreviver não havia que dar chances ou oportunidades.
Na manhã seguinte com a luz do dia só se via destruição. Poucos foram os que se aventuraram para fora. dos abrigos. No entanto como era normal principiaram os boatos...o Jeep está destruído...o bar está acabado...ha dois mortos...há inúmeros feridos...na enfermaria só há sangue etc. etc.
Foi bombardeamento diário durante muitos dias. Era afinal S. Domingos. Era a razão pela qual a sede do Batalhão foi para lugar seguro. Foi assim o nosso pesadelo!.
Durante os ataques e certas vezes podia-se ouvir o outro lado, sabia-mos portanto que eles não
estavam longe, e que afinal eram seres humanos como nós, só que defendiam a sua terra a qual não nos pertencia. Eles tinham razão. Nós éramos invasores, era-mos seres humanos como eles, com pais e irmãos, alguns casados e com filhos Ficámos, esgotados e sem energia para sobreviver. agua não havia a não ser a da chuva, comer não havia e munições também estavam a esgotar rápido.
A lama acavou por secar e as pernas foram ficando presas como no cimento. As armas, muitas não trabalhavam de sujidade.Estava-mos deitados ao abandono e a mercê da sorte ou do destino.
Não veio ajuda... nem do ar ou de terra nem tão pouco por agua.Esperava-mos somente ajuda, mas do Céu. Mais um dia e seria-mos todos mortos ou prisioneiros tal foi essa semana maldita
Os aviões não podiam vir, pois eles estavam tão perto, corria-mos o risco de ser também feridos ou mortos.Helicópteros não vinham mandar mantimentos, medicamentos e o necessário, pois seriam alvejados...estes foram os boatos!.
Finalmente ao fim de uma semana, fomos ajudados. Talvez tenha sido por Deus...Como ratos saímos das valas. A cara estava amarela, a barba enorme a roupa rasgadas, e avia lama por todo o lado e até ao cabelo.
O choque final foi saber quem ficou ferido, quem morreu etc.
Ficou tudo destruído. Gerador, frigoríficos, fogões até as panelas ficaram como um assador de castanhas! Agua nao havia. Passámos a beber água amarela dos possos da tabanca. Estava-mos portanto sujeitos a malária etc.
Era uma companhia desmoralizada, sem energia sem sono! Uns choravam com o stress de Guerra, outros nao falavam, outros ficaram sem o sorriso da juventude.
Finalmente um dia um helicóptero!
Foi tudo reunido para ouvir o Governador da Guiné.Senhor Spínola eu agradeço imenso e esteja onde estiver, esteja em paz, como em paz nos deixou!
Agradeço as palavras, não de um general mas palavras de um amigo, palavras de reconhecimento.
Agradeço ter compreendido estes jovens que foram deichados a mercê das armas e da sorte.
Senhor Spínola...muito e muito obrigado por ter dito a todos nós, em frente do Comandante da Companhia que…a culpa não foi nossa, que aculpa foi do vosso Comandante que deixou que o vosso quartel fosse uma carreira de tiro!.
Resta-me portanto dizer que fomos bombardeados diariamente, que sofremos porque gente sem escrúpulos , sem dignidade,gente agarrada as ideias fascistas e de poder, orgulhosos de uma farda e de peso nos ombros famintos por medalhas ao peito, nunca pediu ajuda.! Esse Comandante nao teve dignidade humana...
Senhor Spínola, muito obrigado é verdade...aquele senhor desumano, realmente deixou fazer do nosso quartel uma carreira de tiro, onde todos nós fomos o alvo.Bem-haja.
Fotos: © Plácido Teixeira, direitos reservados .
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Pel Caç Nat 60 - Guiné 68/74 -P34: Música Pai de Amor De Kleber Lucas.
Clip Pai de Amor Guiné Bissau
Clip muito lindo que eu fiz das fotos de Sinhara na sua viagem a Guiné Bissau com a Musica Pai de Amor De Kleber Lucas.
Vídio enviado por o Plácido ao Parreira ambos da C. cavv 3365 71/73 S. Domingos.
Clip muito lindo que eu fiz das fotos de Sinhara na sua viagem a Guiné Bissau com a Musica Pai de Amor De Kleber Lucas.
Vídio enviado por o Plácido ao Parreira ambos da C. cavv 3365 71/73 S. Domingos.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 -P33: Feche os olhos e recorde este som de África.
O nosso colega Plácido, manda este vídio.
Uma música de Cabo Verde, do cantor (Bana - Resposta do segredo do Mar), para recordar as noites tropicáis, na Guiné.
Uma música de Cabo Verde, do cantor (Bana - Resposta do segredo do Mar), para recordar as noites tropicáis, na Guiné.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 - P32: A Terra Vermelha de África





Mensagem Do nosso camarada Plácido Teixeira . cav 3365 S.Domingos 71/73.
Com data de 05 01 2010
A terra vermelha de África.......Um dia eu estava a conversar com o meu filho e a contar
histórias de África. Ele tinha acabado de ter Geografia e estão a estudar sobre África. Ele
falava e pensava que me estava a dizer muita coiza nova para eu aprender. Escutei e ao fim
disse-lhe.Moah, meu filho, eu sei bem o que é África. Tenho muito bons e maus momentos de
África.. Eu estive la. Ele perguntou-me....foste lá de férias? eu sorri e disse.......not really
babe!! Nao, eu estive em África em menino como tu e depois como militar!!!
Os olhos do meu filho alargaram encheram-se de luz!!! Eu com lágrimas nos olhos sorri....mas
tive do meu filho o mais apertado abraço que um pai pode ter!!! depois continuei.
Em Angola, pequeno como tu, tive amigos nativos que andaram comigo na Escola fui feliz e
aprendi que se cortasse um braço, o sangue era igual ao meu. Vermelho, quer isto dizer que somos
irmãos brancos e Africanos. Aprendi e passo para ti. Deus de Israel, nosso Criador criou nos e
portanto somos todos irmãos.
Depois veio a idade e ja grande fui para África novamente.
O meu filho interrompeu-me e fez imensas perguntas!!! Depois de eu contar o que eu passei, os
amigos que eu perdi os amigos que sofreram e ainda sofrem, ele disse-me Respondi a algumas ele
depois disse-me...Pai tu és um herói!!! Eu expliquei.. Sabes meu filho, Deus escreveu os
Mandamentos, um diz...Não matar!!! Aos olhos de Deus sim eu sou um heroi pois nao matei ou
maltratei! Fiz o que a lei de Deus de Israel me ensinou.
Pratiquei a nossa religião em segredo, o Judaísmo e sempre consegui dentro do possível estar com
Deus. Assim fui herói.
Depois disse e expliquei ao meu filho que os verdadeiros heróis, são os que sofreram no corpo,
os maleficios da Guerra. Os heróis sao os que foram abandonados por um Governo que punha a Igreja
acima dos direitos humanos. Heróis sao os que foram tratatos como mendigos e abandonados na rua.
Meu filho disse eu... esses sáo os verdadeiros heróis!!
Ele, com os olhos muito abertos e sem palavras pensava. Finalmente ele disse...Pai essas pessoas
são realmente heróis e Deus está com eles. Quando for a Sinangoga Sábado, vou rezar muito por
eles.Vou pedir a Deus que lhes dê felicidade e amor, Devo dizer que eu chorei. Não sei se de
alegria ou se por ouvirr da boca de uma criança com 8 anos com mais sentido do que os
Governantes Portugueses, não são os de antigamente, mas actualmente!! Disse porém ao meu filho.
Sabes, a terra de África é vermelha. E vermelha talvez pelo sofrimento humano pois são povos
abandonados, com fome sem agua e muita doença. E também vermelha, talvez pelo sangue derramado
por tanto serem gente sem razao sem ideal !!
Meu filho disse............pai tu realmente deste-me uma grande lição sobre África! Vou ser o
melhor quando explicar na Escola que o meu pai esteve em África. Acontece que fui chamado a
Escola e falar a todos os meninos o que era África. Penso que foi bonito.
Agora aos meus Heróis aos que estiveram la e sofreram no corpo, na alma e que sofrem...o meu
mais sincero amor o maior reconhecimento e digo que bem longe na América, uma classe de
pequeninos Judeus, sabem do vosso sofrimento. Bem haja que Deus vos abençoe ....
Nota:
O Plácido Teixeira, escreve-nos dos Estados Unidos.
Conta-nos este bonito diálogo, com o seu filho.
Pede desculpa, porque já tem dificuldade no português.
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domingo, 3 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P31: Uma pequena história





Uma Pequena história:
Tinha acabado de chegar a Guiné, rendição individual, 300 homens fizeram a viagem no Ana Mafalda, seis dias para chegar a Guiné…
Por volta do dia 18 de Julho de 1968 avistámos a costa da Guiné, que se recortava no horizonte…
Os nossos olhos depararam com o mais belo cenário de luz e cor que alguma vez tinham visto.
Cerca das 17 horas estávamos ao largo de Bissau, aguardando ordens para atracar no cais. Através dos altifalantes do Ana Mafalda recebemos ordens para estar prontos para desembarcar!
Segunda ordem voltar para os nossos lugares…
O desembarque ficou para o próximo dia.
Terceira ordem desembarcar, cerca das 00h30min o que veio acontecer. No cais o movimento era de minuto para além de meia dúzia de polícias militares havia quatro viaturas militares cobertas, a maior parte dos homens foram encaminhados para essas viaturas, com destino ao depósito de adidos.
Onde nos aguardava dois (SARGENTOS), que nos mandaram formar rapidamente e com ordens bem precisas disseram:
-Os que eu chamar vão formando ali ao lado.
Todo este procedimento foi acompanhado por uma forte chuvada tropical…
No final da chamada feita por um dos sargentos, 50 homens estavam numa formatura a parte…
Estes homens partiam nesse mesmo dia as 9 horas com destinos diferentes…
Os restantes aguardavam colocação, passada uma semana recebi ordem para me apresentar no quartel de S. Domingos.
Na secretaria dos adidos recebi as guias de marcha, três rações de combate e a seguinte informação:
Devia estar no cais de Bissau ás 15 horas…
Como a tropa manda desenrascar tive que ir de boleia até Bissau e depois ir a pé até ao cais onde deparei-me com dezenas de Batelões e agora como saber qual aquele que ia para S. Domingos…
Não acreditam mas andei mais de quarenta minutos a tentar saber qual os batelões que iam para S. Domingos.
Já estava desesperado, quase a desistir e voltar para os adidos.
Quando me preparava para pegar os dois sacos e a mala que andaram sempre comigo, aconteceu um (MILAGRE) ou algo parecido avistei um jeep da Armada…
Vi sair do dito jeep três fuzileiros armados com uma Bazooka e dois de g3 e diverso material…
Dirigi-me a um deles e perguntei:
Se eles sabiam qual dos Batelões ia para S. Domingos? o que responderam foi que eles iam fazer a escolta aos ditos batelões.
Fiquei mais tranquilo já não estava só.
Decorridos 22 minutos chegou um jeep do exército com um primeiro-cabo da manutenção militar, era o responsável por a carga dos dois batelões que se destinavam ao quartel de S. Domingos.
As17 horas saíamos do cais com os dois batelões com tanta carga que só tinha trinta centímetros de fora de água.
Ainda iam vários civis com tudo o que era animais domésticos etc.
Foram duas noites e dois dias de medo constante até chegar ao Cacheu…
Aqui começa a história, uma vez que íamos passar ali a noite nos batelões e como tinha a tarde toda por minha conta resolvi ir conhecer o Cacheu.
Para quem conhece o Cacheu, havia uma rua que saía do cais em direcção ao centro.
Do lado esquerdo estava o quartel velho, em frente havia uma estátua, segundo creio era do Honório Barreto, em frente era o Mercado e as tabancas…
Para o lado direito havia uma estrada de terra batida, á direita ficava o rio e a esquerda era mato.
Do lado direito dessa estrada na margem do rio havia uma fortaleza fiquei por ali sentado a olhar a paisagem que era maravilhosa.
Mas havia algo mais além que me chamava atenção, era algo uniforme mas que eu não conseguia definir o que era…
E se pensei melhor o fiz, caminhei no sentido do dito objecto, logo vi que se tratava de uma viatura militar era toda de ferro e apresentava vestígios de ter sido queimada.
Fiquei por ali durante uns bons minutos…
E como já se estava a fazer tarde resolvi voltar aos batelões, sem antes passar por o quartel.
Qual não foi o meu espanto, quando vi na porta de armas um ajuntamento de soldados, que apontavam na minha direcção com curiosidade quando cheguei junto deles todos queriam falar ao mesmo tempo.
Para resumir em poucas palavras, eles perguntaram se eu sabia o que tinha acabado de fazer!
E eu respondi que não, e um deles disse nós para irmos até onde tu fostes tem de ir um pelotão e bem armado…
E um outro disse ainda por cima sem arma…
Um outro disse o In devia estar a dormir…
Conclusão tinha me afastado do cais, e do quartel uns quinhentos metros o que foi uma loucura ter feito o que fiz.
O tal carro de ferro que eu vi era uma (DAIMLÉR), que tinha accionado uma mina anti-carro seguida de uma emboscada, daí que aquele local indicava que a partir dali era preciso ter muito cuidado…
No dia seguinte saímos do Cacheu, para S. Domingos onde chegamos por volta das 16h apresentei-me na secretaria, da companhia 2539 onde entreguei as guias fui mandado apresentar ao Alf Mil Almeida comandante do Pel Caç Nat 60.
Era dia 27 de Julho de 68 foi o meu primeiro dia em S.Domingos. No dia 28 fiz o meu primeiro serviço e no dia 29 que era o dia dos meus anos foi a minha primeira saída para o mato.
Manuel Seleiro
Primeiro-cabo do Pel Caç Nat 60
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 - P30: -Almoço de ano novo de 1970 S. Domingos





Guiné 1 de Janeiro de 1970 S. Domingos
Almoço do dia de ano novo:
Estes amigos resolveram fazer um almoço para o dia de ano novo.
O grupo contava com elementos da C. cav 2539 três elementos das (DAIMLÉR), e dois ou três do 60.
Havia que escolher o petisco, que não era fácil a escolha, galinácios, borrego, cabrito ou leitão etc. etc. etc.
Valeu a entrevenção de dois soldados nativos, do 60 que nos deram uma preciosa ajuda na compra do leitão, e de alguns galináceos…
Isto porque os nativos por norma não criam vender os seus animais de estimação…
Agora era deitar mãos á obra, com o resto dos ingredientes que faltavam, e distribuir as tarefas pelo pessoal…
As fotografias acima mostram, as várias etapas da preparação do petisco nos seus vários estágios.
Já a mesa, nota-se a boa disposição dos convivas.
Estas horas de convívio, ajudava a descontrair a tensão nervosa do dia a dia…
A não pensar nas minas, nas emboscadas e se o próximo dia era o último…
É comum hovir dizer, aqueles que passaram por terras de (ÁFRICA), que estes convívios eram salutares e eram momentos de sã camaradagem.
Ainda hoje se lembram, passados quarenta anos com alguma nostalgia.
Como era belo, o verde da selva, o azul do Céu o vermelho, da terra (Africana), são cores que a nossa rotina soube guardar num cantinho da nossa memória para sempre.
É como se fosse um quadro de aguarelas, pintado por mãos misteriosas.
Nos velhos tempos passados nas terras da Guiné.
Manuel Seleiro
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S. Domingos ano de 70
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Pel Caç Nat 60 Guiné - 68/74 - P29: A Alegria de uns é a tristeza de outros.

Mensagem do Ex Fur Mil da C. cav 3365 - 71/73 - S. Domingos.
Com data de 28 12 2009
a tristeza da chegada é a eufuria da partida de outros.
De realçar que a minha companhia, C.CAV 3365 foi render a C.CAV 2539.
Enquanto eles estavam com a euforia da partida, nós estavamos com a tristeza da chegada.
Vou enviar uma fotografia que ilustra a minha moral na chegada a S. Domingos.
B. Parreira
Nota de Manuel Seleiro:
A fotografia acima, é do Ex Fur Mil Parreira na chegada a S. Domingos.
C. cav 3365:
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domingo, 27 de dezembro de 2009
Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P28: Ataque ao Quartel de S. Domingos na hora do almoço.

Mensagem enviada por o Ex Fur Mil Parreira da cav 3365 - 71/73 S. Domingos.
Com data de 27 12 2009
Ataque ao Quartel de S. Domingos na hora doalmoço
Caro Manuel Seleiro
Aqui vai o meu primeiro relato de um dia de Guerra passado em S. Domingos:
Cheguei a S. Domingos no dia 13/05/1971, cerca das 11 horas da manhã.
Tinhamos a aguardar-nos no Cais elementos da C.CAV. 2539. Foram os
camaradas dessa Companhia que durante 15 dias partilharam connosco a
camarata e que nos ajudaram a integrar, e nos ensinaram alguns
trilhos e caminhos que haviamos de percorrer. Pode-se dizer que o
nosso baptismo de guerra foi feito com eles a apadrinhar-nos.
Desde o primeiro dia tive a clara noção que poderia sair de lá morto
ou deficiente. O que Graças a Deus não aconteceu.
Foram muitas as situações de perigo que atravessei, quer nas saidas
para o mato quer de ataques ao Quartel.
Desde o primeiro dia que cheguei a S. Domingos era raro o dia em que
o IN não tentava atacar o Quartel, mas sem atingir o alvo.
Cerca de 2 meses após a chegada da C.Cav. 3365, já haviam sido
evacuados vários feridos por acidentes com minas, quando ocorreu a
primeira situação mais grave de ataque ao Quartel. Estava quase toda a
companhia a almoçar quando nos apercebemos que estavamos a ser
atacados pelo IN, bem próximo. A malta da artilharia depressa tomou
posição de ataque e outros refugiaram-se nos abrigos com as
respectivas armas, e cerca de meia hora foi de fogo intenso de ambos
os lados.
A caserna onde eu dormia, do lado da pista do aeroporto, foi toda
alvejada com estilhaços que abriram buracos nas camas, do 2º. e 4º.
Pelotão. Até a gaiola do piriquito, do Cabo Santos, que estava
pendurada na parede, foi atingida. Não houve baixas do nosso lado além
do pobre piriquito.
Neste dia tivemos Sorte, mas, após o IN atingir o Quartel neste
ataque, muitos se seguiram onde houve mortes e feridos.
Bernardino Parreira
Ex Furriel Mil. - C. Cav. 3365
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Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P27: O camarada Plácido Teixeira da cav. 3365 71/73 pedio contactos com outros camaradas.

Mensagem do camarada, Plácido Teixeira da cav 3365 71/73, S. Domingos.
Com data de 27 12 2009
Ja agora deixo ao Senhor Parreira o favor de me contactar se for
possivel. Estive na Guine , S.Domingos 71/73 com.cav.3365.Ficaria
imenso grato que outros amigos me contactassem.Meu nome e Placido
Teixeira meu e-mail News1253@yahoo.com.
Fiquei muito contente quando vi o posting do Parreira e porque nao
contactar-me? Moro fora de Portugal mas visito frequentemente. Amigo
felicidades e um abraco
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Pel Caç Nat 60 Guiné 68/74 - P26: Natal de 69 S. Domingos






[Guiné]
Natal de 69 S. Domingos, Guiné.
Faz hoje quarenta anos:
Dia 24 de Dezembro, bastante actividade, as informações davam conta de grande movimento do In na zona de S. Domingos.
O Natal era sempre uma data a ter em conta:
Por essa razão havia que reforçar a segurança, essa missão foi entregue ao pelotão de caçadores nativos 60 e ao pelotão de artilharia…
Os dois Obuses que estavam instalados no topo do quartel e apontados para a fronteira do Senegal foram reforçados com o morteiro 81 mais dois morteiros 60…
E a noite de Natal foi assim partilhada com o pessoal da artilharia e alguns elementos da CCav 2539.
As sentinelas foram reforçadas estiveram envolvidas mais de cinquenta homens.
O Jantar foi como manda a tradição, batatas com bacalhau e couves, a companhia de cavalaria 2539 foi benemérita ofereceu uma garrafa de cerveja das grandes para cada homem, uma garrafa de brandi para cada mesa…
Por volta das duas horas da manhã já se ouvia a aqui e acolá alguns cantos e vozes alteradas era o efeito do álcool, as saudades que fazia o coração ser mais sentimental…
Era o momento em que as recordações tocavam mais fundo, mesmo nos corações mais duros, as recordações dos pais e da esposa e da namorada os amigos e os familiares.
E a saudade da sua aldeia natal.
A noite avançava lenta e monótona o cansaço era já patente nos rostos dos homens, a manhã raiava com ela o despertar dos pássaros, dos animais e das gentes das aldeias nativas…
O In resolveu não nos brindar com os seus canhões sem recuo, os seus morteiros 82 os RPG e as armas automáticas…
Todo este aparato nesta noite de Natal tem haver com o ataque feito na noite de trinta de Novembro, cerca das 00:05 minutos.
A hora em que ocorreu o ataque, apanhou toda a gente a dormir, a reacção ao In foi muito demorada pelo o nosso lado.
Quando as NT reagiram com as armas pesadas já o In tinha feito fogo durante vinte minutos, com todo o tipo de armas pesadas.
Usando pela primeira vez canhões sem recuo a menos de 350m do quartel…
O ataque durou cerca de trinta e cinco minutos, mas não houve feridos, uma vez que toda a gente estava enfiada nos abrigos.
Houve dois feridos do nosso lado, mas por acidente com uma bazuca.
O In já se dava ao luxo de atacar o quartel S. Domingos durante o dia.
Uma tarde por volta das 15h37min o In atacou em força, tanto do lado do cupilon, e ao fundo da pista como da ponta do inglês, …
Nesse ataque foram utilizadas granadas com espoleta retardada.
Ou seja as granadas entravam até a profundidade de um metro e explodiam.
Começou uma certa apreensão, já ninguém queria ficar nos abrigos…
Alguém pedio a intervenção da força aérea, mas não foi da parte do quartel:
Tinha sido o agente da PIDE DGS, só ele o podia fazer porque tinha um transmissor de ondas curtas.
Com a chegada da força aérea, o pelotão de caçadores nativos encontrava-se fora do quartel e sem comunicações o que podia trazer graves problemas, porque os pilotos não sabiam a nossa posição…
A presença da FAP pôs termo ao ataque, nós o pelotão de caçadores nativos 60 é que não ganhamos para o susto…
Natal de 69 na Guiné
Manuel Seleiro
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